Quando a trilogia O Senhor dos Anéis chegou ao final em 2003, o buraco que ficou para os fãs das histórias criadas por J.R.R. Tolkien poderia ser preenchido por uma adaptação de O Hobbit, história que se passa antes da Guerra do Anel. Foram necessários mais de 10 anos para que a história de Bilbo Baggins saísse do papel, fosse esticada mais do que deveria e finalmente chegar à sua conclusão.

Com O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, Peter Jackson não só tinha como tarefa dar uma despedida digna aos fãs da Terra-média como também justificar a existência da trilogia O Hobbit, algo que os dois primeiros filmes não conseguiram fazer. Ao final das quase 3 horas de longa, é possível dizer que os fãs não sairão decepcionados, mas também não terçai a mesma experiência mágica da primeira trilogia.

Como um pouco de manteiga espalhado em um pedaço de pão muito grande

Quem conseguiu assistir os dois primeiros O Hobbit deve saber que o segundo filme era ruim. Não tem como falar de outro jeito. Ele não era nem perto de ser bom, parecendo uma grande enrolação.

Isso se deu ao fato de a trilogia ter nascido como apenas dois filmes, sendo esticado para três já quase em pós-produção. Isso fica ainda mais claro com A Batalha dos Cinco Exércitos, que potencializa todos os defeito de A Desolação de Smaug.

O Hobbit smaug

No terceiro filme, é possível ver como o Peter Jackson esticou o que pode para garantir três filmes, sendo que o segundo foi o mais prejudicado. De maneira mais ágil, o primeiro filme poderia muito ter terminado com a chegada dos anões em Erebor, tendo no segundo a treta com o Smaug e a batalha dos cinco exércitos. Dava pra fazer dois filmes de 6 horas e produzir algo maneiro.

Só que como tudo foi esticado, as coisas se arrastaram mais do que deveriam nos primeiros filmes e o terceiro se tornou um grande climax sozinho.

Na teoria, você pode até achar isso legal, já que teria mais ação pra ver, mas não existe uma escalada para tudo se tornar empolgante. Logo nos primeiros minutos, grande parte do conflito de A Desolação de Smaug é resolvida. A impressão que fica logo nesse começo é que poderiam ter deixado isso como final do segundo filme.

O restante da trama do filme, que mostra o Thorin surtando por causa do ouro, até a dita batalha dos cinco exércitos, é meio que jogado na sua cara de qualquer maneira. Não tem nada RUIM, mas sabe quando fica a clara impressão de que tudo poderia ser melhor se não tivessem inventado moda? Então.

Finalmente o Hobbit com destaque

Minha maior birra com os dois primeiros filmes era o fato de que o Bilbo era um completo coadjuvante pra patotinha de anões. Apesar de muitos deles serem legais, em momento algum o Thorin me convenceu como deveria, sempre achando o sujeito um tremendo de um pé no saco. Mesmo assim, lá estava ele em destaque, enquanto o Martin Freeman, que ficou sensacional como Bilbo, só tava ali pra constar.

Em A Batalha dos Cinco Exércitos isso muda, já que parece que o Bilbo ganhou mais tempo para mostrar porque diabos o negócio se chama O Hobbit e não “Um bando de anão bolado indo pra montanha”.

o hobbit 2

Talvez por causa disso, o filme se torna mais agradável de assistir, muito por causa do carisma do Freeman.

Eu quero mais velho brigando de maneira espetacular

Outra reclamação que muita gente tinha com os filmes do Hobbit era a eterna vontade de ligar tudo à trilogia O Senhor dos Anéis. Aparece alguma coisa que se você consegue somar 1+1 e dar 2 logo conectaria, é esfregado na tua cara. Um bom exemplo disso é a prisão do Gandalf e resgate por parte da Galadriel, Elrond e Saruman.

A cena em si é sensacional e é muito legal ver o Saruman realmente saindo na porrada com uma galera. Eu sei que era um dublê, mas vou sempre acreditar que era o Christopher Lee, do alto dos seus inúmeros anos de idade, batendo na geral. Eu pagaria um bom dinheiro pra ver mais disso.

Só que isso e mais outros elementos deixam claro que toda essa galera poderosa é retardada e se rolou todo a treta de O Senhor dos Anéis é porque esses quatro são incompetentes em seus trabalhos.

O Hobbit

A inclusão do Legolas no filme deixa de ser ofensiva e, mesmo dando pra ver que poderia ser QUALQUER ELFO no lugar dele, é legal se ligar que, apesar de a raça ser feita por fodões na batalha, o Legolas é apelão x3. Todas as coisas que ele faz no O Senhor dos Anéis ficam até mais interessantes se pensar assim.

Lá e de volta outra vez

Eu poderia reclamar das esticadas desnecessárias no filme (tem um personagem completamente inútil que deve gastar uns bons 20 minutos em cena pra só irritar mesmo), dos momentos de CGI cretino (por que fazer os orcs em CGI se já fizeram direitinho na primeira vez com dublês?), do romancezinho safado entre uma elfa e um anão, ou de alguns furos na história.

Só que eu seria um verme se fizesse isso sem falar que ainda assisti grande parte do filme com um sorriso no rosto. Em vários momentos, dava pra perceber que ainda existe um pouco do Peter Jackson que fez a trilogia O Senhor dos Anéis ali, nem que seja por breves momentos.

Fora que a maneira como o final do filme se une ao Sociedade do Anel até aqueceu um pouco meu coração.

No final das contas, a trilogia O Hobbit termina não como algo ruim, como muitos esperavam, mas também longe do que poderia ser. Esticada para faturar mais um dinheiro pro estúdio, dirigida por um diretor que queria ficar de boa e se viu obrigado a assumir o projeto, mas ainda mostrando, em poucos momentos, que a história criada por J.R.R. Tolkien há quase 100 anos tem mais alma que muitas histórias que vemos no cinema hoje em dia.

Ao vermos a ligação com Senhor dos Anéis, a trilogia que realmente marcou uma geração, é como se estivéssemos voltando para a casa. No final, estivemos lá e de volta outra vez.

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