Review: Malévola

Quando vi os primeiros trailers de Branca de Neve e o Caçador, não poderia ser uma pessoa mais feliz e animada. Mentira, foi só depois de escutar a música oficial do filme na voz de Florence Welch que me tornei a pessoa mais feliz e animada. Sendo parte da geração que cresceu com as animações da Disney, é nostálgico e emocionante revê-las sob uma ótica diferente e moderna. Só que Branca de Neve e o Caçador acabou não sendo tudo aquilo que eu estava esperando – e não vou discutir aqui quais os problemas do enredo (mas só pra constar, Kristen Stewart é um deles, tá?). Aí veio a publicidade de Malévola e lá foi a tola ficar animada de novo. “ESSE vai ser bom!”, eu disse. “ESSE vai fazer jus à reimaginação do conto de fada! ”. Mais uma vez, fiquei com cara de tacho no fim da sessão.

Não tem como negar que a produção do filme é fantástica, e que Angelina Jolie foi espetacular no seu retorno ao mundo dos blockbusters. Na questão técnica do projeto e na atuação de Jolie eu não coloco defeito algum. Taí um filme que vale a pena assistir no telão 3D do cinema. Minha crítica fica quanto ao roteiro.

Eis o que sabíamos antes de assistir o filme:
1) É a história da Bela Adormecida focada na bruxa má
2) A bruxa não é simplesmente má. Ela era boa e coisas ruins aconteceram.

Eis o que sabemos no fim do filme: basicamente a mesma coisa.

Foi mostrado como ela era uma fada boa, e que lançou a maldição quando o ódio dominava seu coração. Ok, mas se a história é focada nela, porque não desenvolver melhor sua origem? Não é explicado a razão dela ser a única humanoide da floresta, nem a razão de ser uma fada diferente de todas as outras. Também não sabemos de onde veio o nome Malévola, ou qualquer coisa a mais da personagem, além que seus pais morreram.

Malévola (6)

O roteiro deixou essas questões de lado para focar no romance entre a fada e Stefan, que só serve para explicar o ódio dela pelo presente Rei e, consequentemente, pela sua filha. Mas isso poderia ser feito em menos minutos da trama, já que as cenas futuras não passam uma emoção forte entre eles. Apenas que ela o odeia e ele a ignora/fica obcecado por matá-la. A cena com mais sentimento é a do final, mas não foi o suficiente. Sem contar que precisa de muito esforço pra ver a química entre os dois…

Além de faltar mais explicações sobre Malévola (e quem sabe por causa disso?), os poderes dela são como a zoeira: simplesmente não tem limites. Ela pode curar outras coisas, se curar mais rápido que o Wolverine, transformar um animal/humano em QUALQUER outro animal, pode manipular as árvores e a natureza, e ainda tem um toque de telecinesia. Tudo acompanhado de pós amarelos ou verdes, claro.

Malévola

E mesmo com esse poderio todo, ela é pega no castelo e brutalmente espancada (mas ela se recupera super rápido, né? Essa é a solução pra não mostrar sangue num filme que crianças vão assistir, mas não tem problema mostrar um monte de homem a chutando e açoitando com suas armas). Não vou nem perder mais tempo falando de como ela poderia ter transformado outros 5 corvos em dragões, detonado com o castelo desde o início, ou coisa do gênero. “Isso prova que ela sempre teve um coração bom no fim das contas”, você diz. Assim, ter coração bom não quer dizer burrice. Ela sabia que era uma armadilha.

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Falando em criaturas, me diz que floresta mágica mais fajuta é aquela? Só tem umas criaturinhas bizarras, outras três fadas (again, completamente diferentes da Malévola) e as árvores guerreiras. E todos somem no meio do filme. Há de se pensar que haveria uma comoção das criaturas quanto à nova Malévola. E talvez seja implicância minha, mas nenhuma criatura ficava de olho na fada que era o front da defesa da floresta? Seria tão fácil um humano entrar na floresta, drogar a fada e cortar suas asas? E não vamos nos exceder falando sobre o conceito das asas de uma fada e as maiores consequências que ela sofreria física e emocionalmente.

Posso ainda dizer que a princesa toda sorridente e pura não me convenceu? É demais pedir que a relação entre as duas não fosse construída apenas na inocência da garota e como isso derreteu o coração da protagonista? E a reação psicológica da garota ao descobrir que tem um pai e de ser rejeitada por ele? Tudo em praticamente um dia, diga-se de passagem. Porque a menina adormeceu por tipo MUITO pouco tempo. A “chamada Bela Adormecida” nem seria chamada assim, uma vez que metade do castelo nem estava sabendo que a princesa voltou pra casa. Vamos lembrar que mensagens instantâneas não existiam na época. A não ser que esse seja mais um poder da Malévola.

Malévola (2)

Enfim, tudo isso pra dizer que a história foi unilateral demais, fraca e infantil. O público alvo eram as crianças? Ótimo, mas isso não significa que a história tenha de ser infantil. O exemplo mais claro é Frozen – uma animação da Disney destinada à crianças que também agradou muito o público jovem e adulto por ter um sentido maior por trás das canções e palhaçadas do boneco de neve. Frozen passa a mesma mensagem de dualidade e do real amor verdadeiro, mas com uma trama melhor desenvolvida.

Convenhamos, de atos malévolos, só houve um. Ao recriar a história da bruxa malvada, perdemos a bruxa malvada e ganhamos… uma personagem falha. E não no bom sentido.

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