…e a única coisa que podemos dizer é #GoodbyeBreakingBad

Originalmente, nós falaríamos uma única vez sobre Breaking Bad, TODA a série; mas depois do series finale, exibido no último domingo (29) nos Estados Unidos, acho que ficou meio impossível ignorar como Vince Gilligan conseguiu criar um final não só justo, mas incrivelmente satisfatório pra sua história. E sim, vou socar spoiler goela abaixo, logo, estejam avisados.

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Eu poderia comentar cada cena do episódio ou teorizar sobre o que poderia ter acontecido, mas eu só prefiro falar que o último episódio de Breaking Bad mostrou algo que parecia nunca chegar durante toda a série: Walter White finalmente aceitou o seu lugar no mundo.

Durante toda a trama de Breaking Bad, todas as inúmeras coisas execráveis que o Walt fez tinham como desculpa “Tô fazendo pela minha família”. Só que não era só pela família, ele se deixou levar, viu que era bom naquele negócio e quis ser o picudo das drogas.

Quando, no penúltimo episódio, ele percebeu que tudo o que tinha feito “pela família” tinha ido pro saco, com o filho perguntando porque ele não morria de uma vez, algo fez com que ele parasse de se importar com o que aconteceria em seguida. Isso desencadeou as suas ações no último, que conseguiu amarrar todas as pontas soltas deixadas em cinco temporadas.

E nesse esquema “FODA-SE ESSA MERDA”, Walter White se tornou uma pessoa dona do seu próprio destino. Ele pensava já ter esse domínio quando mandou um “BEIJA A PONTA DO MEU PENES” pro seu câncer e resolveu fazer algo (podre), mas foi quando percebeu exatamente o que aconteceria que ele conseguiu se tornar o fodão que todo mundo acreditava que ele era quando falava coisas fodas, como “I am the danger”.

A volta para casa

Quando ele chega na casa dos antigos amigos e cria todo um esquema para que a sua família recebesse o seu dinheiro sujo, você percebe como toda a história vai terminar. Walter White sabe o que quer e como conseguir isso.

A cena dele com a Skyler mostra um homem que finalmente entendeu o porque de tudo aquilo ter acontecido. Quando ele começa a dar a razão e ela menciona o fato dele sempre falar que fez tudo pela família, a resposta que esteve no ar por cinco temporadas finalmente é dada: “Eu fiz por mim. Eu gostava, era bom nisso. Eu estava vivo”.

Nesse momento, o “series finale” de Breaking Bad mostra que Walter White sabia que era o “vilão” da história. Ele sabia que todo o mal que causou foi fruto da sua ânsia por poder, por orgulho. A família era só uma muleta moral que ele usava pra acreditar que tudo aquilo tinha um propósito especial. Agora, no fim, ele aceitou a verdade e resolveu ajeitar as coisas do seu próprio jeito. Não buscando redenção pelos seus atos, mas sim paz.

Ao se despedir da mulher e da filha pequena, na que talvez seja a cena mais forte do episódio, é possível ver a vida que ele abriu mão quando descobriu que tinha câncer e precisava fazer algo para deixar para sua família. Então, com a parte da família “resolvida”, era hora da vingança.

Virando o Scarface

Por mais que o Walter tenha percebido que toda a merda que rolou só aconteceu por culpa de suas ambições, é possível notar que ele não queria nenhum dano real à sua família, o que incluía o seu cunhado que pereceu como um fodão boludo, Hank. Os neo-nazi que o mataram também levaram embora o dinheiro do Walt, que só ficou com mais vontade de matar todo mundo.

Por causa disso, ele parte numa missão suicida e planejada minuciosamente para derrubar todos os envolvidos na fabricação da sua metanfetamina azul, inclusive seu antigo parceiro, Jesse, que está há seis meses como prisioneiro dos neo-nazis, praticamente sem alma e esperança de viver, depois de ver seu amor assassinado e ter tomado uma sova e meia pra virar submisso.

Vince Gilligan conseguiu juntar todas as pontas que faltavam em um só plano, usando a cápsula de ricina e a inteligência do Walt na hora de usar uma arma. Sim, porque com a fascinação dele por Scarface e a transformação dele em algo parecido, era quase uma certeza de que uma rajada de metralhadora aconteceria antes do final do episódio.

Só que a MacGyverização feita por Walter White, criando uma porra de uma sentry gun pra fuzilar todo mundo, ficou bem dentro do esperado pelo personagem. Ele não sairia com um fuzil debaixo do braço, atirando em tudo que se moveria. Ele usaria o seu cérebro, acabando com os seus problemas com certa facilidade.

O mestre, seu pupilo e o acerto de contas

Quando o Walt finalmente reencontra o Jesse, que ele pensava estar trabalhando em parceria com os neo-nazi e, portanto, merecedor de uma ou duas balas, é possível ver o seu choque ao perceber que o cara só se fodeu. Na atuação incrível do Bryan Cranston e do Aaron Paul, você vê que os personagens se entendem naquele momento, que o Walt foi responsável por todo o mal que aconteceu com aquele moleque e que, agora, tem uma chance de fazer as coisas um pouco mais certas.

Ao se jogar no Jesse, Walt toma uma decisão instintiva, de que aquele sujeito já sofreu demais e merece sair vivo dali. Quando o Tio Jack toma um tiro na cara enquanto falava, Walt teve a vingança que ele tanto queria. Não só pelo roubo dos seus quase 80 milhões de dólares, mas pelo assassinato do cunhado, em condições parecidas. O Walt é um grande filho da puta, mas ele ainda se importava com algumas pessoas a ponto de fazer algo desse tipo.

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Ao pedir pro Jesse finalmente matá-lo, Walt está novamente manipulando o sujeito, mesmo que de um jeito não tão direto. Percebendo que o antigo mentor tomou uma bala na barriga ao protegê-lo, o que resultaria, em breve, na sua morte, ele resolve não fazer isso, tomando as rédeas da sua vida de uma vez.

Lydia, a maldita meticulosa que teve grande culpa em toda a merda que aconteceu na quinta temporada, também recebe o seu castigo, sendo vitimada pela ricina que Walt criou, sabendo disso pelo próprio, via telefone.

A despedida

Walt e Jesse se despedem sem pronunciar uma palavra sequer. Ambos sabem o que está passando nas suas cabeças, sendo que um leve aceno é suficiente para que Jesse saia com o carro, finalmente livre (no que parece ser o início do filme do Need for Speed. Eu verei o filme desse jeito, não me julgue, apenas me amem).

Nos seus últimos momentos, Walt resolve ir para o lugar em que ele sempre se sentiu bem, pleno, completo: o laboratório. Era ali que ele realmente brilhava, que ele era o homem que sempre quis ser. Foi junto de equipamentos e daquele ambiente que ele soltou o seu último suspiro.

Walt's_Death

O episódio final de Breaking Bad não foi tão “mind blowing” quanto Ozymandias, mas conseguiu ser o mais justo para toda a série. No fim das contas, a música Baby Blue, que toca no encerramento do episódio, é bem apropriada, apesar de ter uma letra muito NA CARA. Walter White teve o que mereceu depois de tudo o que aconteceu — sem redenção, já que ele fez coisas o suficiente para nunca conseguir se redimir. E ele sabia que essa última jornada, suas últimas ações, não tinham esse objetivo. Ele fez aquilo para acabar com pendências. Walter White não morreu um herói. Ele, no máximo, morreu em paz consigo mesmo. Para um personagem tão corrompido como ele, isso é praticamente uma vitória.

Texto originalmente postado no Judão.

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