Eu cresci na geração que teve Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion, Changemen e Jiraya todo dia de manhã, pirando forte com as coisas do Japão que a Manchete trazia para a minha TV. Só que um dia, a Globo estreou uma nova série com um bando de “adolescentes com atitude”, que tinha robôs gigantes, lutavam com roupas coloridas e sangravam faíscas.

Eu descobri depois que Power Rangers era uma malandragem bem editada que colocava uma produção americana misturada com cenas de tokusatsus que a Saban tinha os direitos de distribuição, mas era meio canalha e não exibia na TV.

Hoje, eu não consigo mais assistir as primeiras temporadas de Power Rangers do mesmo jeito. Se quando era moleque, as coisas funcionavam, hoje, eu já fico reparando em como o elenco é ruim e como a Ranger Amarela era claramente um cara na versão japonesa.

Só que aquela lembrança gostosa de uma manhã cheia de desenhos de qualidade questionável ainda aquece o meu coração. Talvez por isso, eu me empolguei forte com a ideia de Mighty Morphin Power Rangers Mega Battle (nome comprido da porra!).

Um beat ‘em up que recontava o início da saga dos Rangers, com direito a Ranger Verde, Zords e Rita Repulsa. Ele marcou todas as caixas necessárias pra me fazer pensar “Preciso jogar isso”. Os beat ‘em ups baseados no filme dos anos 90, tanto de SNES quando de Mega Drive, são alguns dos meus jogos favoritos do gênero.

Aí eu jogo é mais ou menos?

Uma nova maneira de encarar os “jovens com atitude”

Power Rangers Mega Battle reconta o início da carreira de heróis dos primeiros Power Rangers. Tudo é contado através de “cutscenes”  que na verdade parecem vindas de um jogo feito em Flash. E eu acho que esse é um dos maiores de Mega Battle: tudo parece um game feito em Flash, mas um pouco melhor.

O hitbox dos inimigos é estranho, a movimentação dos personagens é esquisita e os gráficos, apesar de bonitinhos, parecem com algo que pessoas com muito tempo livre (e talento) colocariam num Newgrounds da vida (inclusive, saudades Newgrounds).

Mighty Morphin Power Rangers Mega Battle Reveal Screen Shots 2Isso acaba tirando um pouco do brilho do jogo, que você vê que teve uma certa boa vontade em sua produção, mesmo sendo claramente um game feito para aproveitar o embalo do novo filme, que sai em breve nos cinemas.

Por que fases tão longas? POR QUE?

As fases de Power Rangers Mega Battle são divididas em três partes. Nas duas primeiras, você utiliza um dos Rangers, com a possibilidade de escolher qual versão vai utilizar (temos Jason e Rocky, Trini e Aisha e Zack e Adam). Dentro das fases, você começa como um jovem dando porrada em monstro cinza, pra então morfar e sair dando mais porrada em monstro cinza.

No final da segunda parte, você enfrenta um chefe, que fica gigante e aí, na terceira parte, você luta utilizando os Zords.

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Parece um esquema infalível, mas as fases do jogo são IMENSAS e, talvez pelo seu gameplay repetitivo, ficam ainda maiores. Alie isso ao fato de que o Mega Battle não conta com multiplayer online, a chance de você fazer tudo sozinho é grande. Isso não seria um problema se você não tivesse vontade de largar tudo antes de chegar na segunda parte.

Controlar um robô gigante deveria ser mais divertido

As fases com os Zords poderiam ser um dos pontos altos de Power Rangers Mega Battle, mas acabam sendo uma oportunidade perdida. Você atira em misseis que os inimigos gigantes atiram em você, tudo em uma velocidade que permite jogar o trecho com sono.

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Após dar tiros em pontos específicos dos bichos, você se transforma no Megazord (o de chifrinho, o ROOTS), e parece que tudo vai ficar louco. Só que você entra em uma sequência de QTEs que definem se você acerta ou não o monstro. Em menos de um minuto, tudo acaba.

É um dos maiores coitos interrompidos em um jogo de videogame que eu vi nos últimos tempos. E o problema ali é que o negócio até tem certo potencial, mas é tudo tão rápido que você fica pensando “Mas foi só isso?”

Reúna amigos pra jogar ou fique entediado

Parece que Power Rangers Mega Battle é um completo desastre, mas jogar com amigos torna o game muito mais agradável. Isso pode ser aplicado em vários títulos, mas aqui é quase uma necessidade para você gostar do jogo.

Durante metade da campanha, eu joguei sozinho e me perguntando “POR QUE?”. O gameplay  não traz variação o suficiente pra você não pensar que tá só apertando o botão sem se importar com nada. A segunda metade foi jogada com um amigo e a experiência melhorou absurdamente, até mesmo as fases, que pareciam imensas, tornavam-se menores.

Se você é muito fã dos Power Rangers e tem interesse em Mega Battle, por favor, não jogue sozinho, chame aquele amigo que brigava com você pra ser o Ranger Vermelho ou o Tommy no recreio, e vai que vai.

Em resumo

Mighty Morphin Power Rangers Mega Battle Nome Comprido da Porra O Inimigo Agora é Outro Electric Bugalloo é um jogo feito claramente pra aproveitar um possível hype gerado pelo novo filme baseado na série, mas se apoiando na nostalgia de quem assistiu tudo lá no começo.

Ele tá longe de ser perfeito, é bonitinho, mas ordinário. A melhor coisa que ele vai conseguir é fazer você querer jogar os beat ‘em ups baseados no filme dos anos 90. Sério, eu vou até fazer isso agora.

Mighty Morphin Power Rangers foi testado com cópia de PS4 cedida pela Bandai Namco.
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