Review: Eu não sou um homem fácil

Mesmo estando longe do ideal – ou do justo – o tema de igualdade feminina vem tomando conta de diversas produções midiáticas. Nesse caso, a produção francesa Eu Não Sou Um Homem Fácil, disponível no Brasil pela Netflix, aborda um mundo em que as mulheres são o sexo dominante economicamente.

Pelos olhos da diretora Eleonore Pourriat, temos como protagonista o típico cafajeste Damien (Vincent Elbaz) e a “personalidade forte”de Alexandra (Marie-Sophie Ferdane). Ambientado primeiramente na realidade atual, temos Damien como um excêntrico publicitário e Alexandra como uma secretária. Damien logo tenta conquistar a moça, porém ela o recusa veementemente. Pouco tempo depois, Damien bate a cabeça em um poste e é transportado para esse mundo de dominância feminina.

A grande sacada do filme é tratar essa realidade distópica como algo pessimista também, uma vez que as mulheres se comportam exatamente como os homens. Dão em cima de funcionário para que ele seja promovido, mexem com estranhos na rua fazendo brincadeiras obscenas, abusam, menosprezam a igualdade de gêneros, acham normal a objetificação do gênero oposto…

Outro detalhe que chama a atenção é como a caracterização dos personagens é forte, demonstrando uma drástica diferença nos modelos de beleza padrões de ambas as sociedades mostradas. Ainda sobre os atores, é muito interessante notar a atuação de Vincent ao se deparar com a inversão das atitudes das mulheres sobre os homens, trazendo uma carga cômica ao mesmo tempo perplexa sob a barbaridade do que acontece nas relações humanas.

O curioso é que o final dessa produção da Netflix não deixa claro se Damien ou Alexandra aprenderam alguma coisa. Contudo, a chave de Eu Não Sou Um Homem Fácil é demonstrar como o maior problema do machismo não está na superioridade ou valorização de um ou de outro, mas sim na falta do sentimento mais importante perante uma sociedade: empatia.

Uma vez que o sentimento do outro não é levado em conta, as coisas começam a rumar para o lado do individualismo, meritocracia e tantas outras baboseiras que apenas destroem as relações humanas.

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