Review: Obi-Wan Kenobi

No dia 22 de junho rolou a estreia da última parte de Obi-Wan Kenobi, minissérie da Disney+ que veja só, mostra o que Obi-Wan fez entre o Episódio III e o Episódio IV de Star Wars.

A ideia de ter Ewan McGregor retornando ao papel, junto com Hayden Christensen, agora já como Darth Vader, era BEM interessante e os fãs ficaram naquela empolgação do que sairia disso. Pois no final da minissérie, é possível falar “pô, nem precisava de seis horas disso”.

O Retorno do Jedi

Obi-Wan Kenobi começa mostrando o jedi exatamente do jeito que todo mundo esperava: sozinho, no meio do deserto e cuidando de longe do jovem Luke Skywalker. De vez em quando, ele tenta convencer Owen, tio do moleque, a criança precisa eventualmente começar o seu treinamento como jedi e sempre toma umas invertidas bonitas na cara (como “Treinar como você treinou o pai dele?”). A paz é abalada com a chegada de Inquisidores, pessoas sensíveis à Força que trabalham para o Império, caçando outros que poderia virar jedis.

Até aí, a série parecia bem interessante, pois tudo levava a crer que seria o Obi-Wan tentando se esquivar desses Inquisidores, atraindo a atenção do Darth Vader no embalo. Meio que vai por esse caminho, mas ela acaba incluindo elementos que não empolgam e um ritmo de narrativa que acabam só embolando tudo.

Obi-Wan Kenobi

E isso é ruim pelo simples fato que o Ewan McGregor ainda funciona muito bem como Obi-Wan Kenobi, principalmente agora nesse período que deixa a atuação mais próxima a do Alec Guinness. O mesmo pode ser dito do Hayden Christensen, que apesar de passar boa parte da série debaixo de uma máscara de Darth Vader, quando pode aparecer, é um retorno interessante e válido.

Só que tudo isso é usado em uma trama que não surpreende, pois tem seus momentos de tensão completamente anulados por envolver personagens que você sabe que sairão ilesos pelo simples fato de participarem da trilogia clássica.

Produção cara em uma série que parece ter sido feita com trocados

Obi-Wan Kenobi sofre de outro problema que me incomodou demais que é de claramente ser uma série com orçamento enorme, mas que poucas vezes é mostrado na tela. E nem digo isso pensando “claro, é tudo computador, então foi gasto ali”, porque vários dos efeitos não parecem grandiosos o suficiente para se cogitar essa desculpa.

A impressão que fica, e copio de um amigo, é Star Wars feito na Record. Custou bastante dinheiro, mas tudo tem uma aparência muito barata.

Outra coisa que reforça demais isso é o papinho ridículo de boa parte dos episódios de que o Obi-Wan já não está tão conectado à Força depois de 10 anos escondido e, por conta disso, mal consegue segurar uma criança de cair de nuca no chão.

Isso é um papinho muito sem vergonha que me parece reflexo de outro papinho cretino de que os filmes e séries de Star Wars se inspiram muito na forma como videogames são escritos. Sério, dito pela pessoa responsável pela Lucasfilm. Isso explica muito esse Obi-Wan que volta a ser apelão lá pelo penúltimo episódio, pois parece jogo em que o seu personagem fica um absurdo de forte no final, mas na sequência rola uma palhaçadinha para você perder os poderes e precisar recuperá-los ao longo do jogo.

Nem tudo se perdeu, mas nem tinha muito para perder mesmo

Como disse lá em cima, essa série do Obi-Wan é um grande caso de “Fizeram pra agradar fã”, o que não é de todo errado, mas é bastante aparente o quanto ela não tem outro motivo para existir além disso. Não existe uma história que precisava ser contada. Não existe algo que acontece aqui que muda a percepção de algum acontecimento conhecido ou uma explicação para alguma coisa. Se você nunca assistir esses episódios, dá na mesma. Talvez, você ache um pouco mais que tudo é culpa do Obi-Wan mesmo.

Isso é uma pena, porque existem algumas cenas que são realmente legais. Apesar de contar com duas lutas entre Obi-Wan e Darth Vader, é possível dizer que a última é realmente legal e ver os dois personagens juntos empolga os fãs. Ver Luke e Leia jovens é legal (a menina que faz a Leia é absurdamente fofinha), mas fica uma impressão de “Os bonecos legais, mas usados de um jeito não tão legal assim”. E se bobear, ainda vai rolar segunda temporada e vai continuar no mesmo embalo, vai vendo…

Uma série presa pelo que representa

Aqui tem algo que vou entrar no vácuo de um texto publicado pelo Chippu e que mostra o atual problema de Star Wars. Todas as produções até agora, salvo uma boa parte de The Mandalorian, precisam seguir um caminho que não fuja do que os fãs pentelhos esperam.

Por tudo estar muito preso ao passado, nada de realmente significativo pode ser produzido. Vira um grande “LEMBRA DISSO AQUI? LEMBRA DESSE PERSONAGEM?” e todo o potencial que existe no universo de Star Wars vai pelo ralo.

The Mandalorian, mesmo se passando ali em um período que se envolve com personagens e acontecimentos conhecidos, conseguiu andar bem e se desenvolver de um jeito natural. Todo o resto não. O Livro de Boba Fett foi um erro absurdo (eu ainda não me conformo) e Obi-Wan Kenobi parece amarrado por não conseguir fazer nada fora do cercadinho que os “bonecos legais” estão. Até poderiam ter metido completamente o louco, mas aparente PAVOR que a Disney/Lucasfilm tem de irritar fã imbecil deixa tudo engessado.

A esperança mesmo reside nas produções completamente alheias ao período “Skywalker”, sem usar nenhum dos personagens conhecidos, mas até aí tá complicado, pois é capaz de a Lucasfilm ficar cabreira com a recepção e não investir muito nisso. Uma pena e uma oportunidade perdida.