Apesar de muita gente achar que quadrinhos nacionais não funcionam tão bem quanto os gringos, artistas brasileiros continuam provando que essa noção é errada. Seja através de histórias mais intimistas ou caindo de vez no mundo fantástico, HQs brasileiras mostram muitas vezes um cuidado e qualidade que superam muito o trabalho visto lá fora.

Um exemplo disso é Os Poucos e Amaldiçoados, nova minissérie criada por Felipe Cagno, com artes de Fabiano Neves. A HQ nasceu de uma short story no primeiro volume de 321: Fast Comics, projeto de Cagno que recentemente ganhou uma continuação.

Capa_PreviewOs Poucos e Amaldiçoados, que foi financiado através do Catarse (a campanha ainda está no ar e você pode garantir que a série seja lançada com maior periodicidade clicando aqui), conta a história da Ruiva, uma caçadora de demônios em meio ao velho oeste.

A primeira edição do quadrinho não faz questão alguma de explicar a origem da personagem ou sequer da história como um todo. Ela chega a uma cidade, enfrenta um monstro e vai embora.

Não dá pra saber ao certo se Os Poucos e Amaldiçoados seguirá esse formato em suas futuras edições ou se existe uma história que conectará tudo. Mesmo assim, é possível dizer que a arte de Fabiano Neves chama bastante a atenção desde a primeira página.

Os desenhos são bem detalhados e trazem um cuidado e qualidade que muitas revistas de grandes editoras não apresentam. Os diálogos, escritos por Cagno são bons, mas parecem funcionar melhor em inglês do que em português. Isso não chega a ser um problema, mas você percebe que se aquilo estivesse em inglês, combinaria melhor com a maneira com que as palavras que são ditas pelos personagens.
A Ruiva, personagem principal da história, é bem interessante, ainda que você não saiba quase nada sobre ela quando a edição acaba. Talvez essa seja uma sacada dos criadores da HQ para prender a atenção do leitor, já que pequenos acontecimentos mais próximos do fim da edição fazem você se perguntar sobre o que é exatamente essa coisa de caçar monstros e demônios, como tudo funciona e como a Ruiva se transformou naquilo.

Caso isso não seja desenvolvido nos próximos volumes, esse mistério todo possivelmente afaste leitores, que ficam esperando por algo sem receber uma recompensa pela sua atenção.

Como primeira edição de uma minissérie, Os Poucos e Amaldiçoados consegue apresentar um universo sem explicar muito bem sobre ele, dando aquele gostinho de algo muito maior e que pode (e na minha opinião precisa) ser esmiuçado no decorrer dos próximos volumes.

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Para dar uma olhada na campanha do Catarse da minissérie (que terá seis edições), clique aqui.

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