Todo mundo conhece a história da adolescência de Peter Parker. Nerd genial que sofria bullying, órfão criado pelos tios e falido. As coisas mudam um pouco quando ele é picado por uma aranha radioativa, ganha poderes e resolve tirar uma grana como lutar de pro wrestling. Quando ele deixa de parar um bandido, sofre as consequências ao saber que o mesmo sujeito foi o assassino do seu tio. Ele vira o Homem-Aranha e o resto é lenda.

Pois bem, muito se sabe sobre as aventuras do Homem-Aranha. Então, a notícia de que a Marvel lançaria uma nova série em quadrinhos que contava esse período do Aranha ainda adolescente e no começo de carreira foi visto com certa estranheza por fãs, que já sabem exatamente o que aconteceu e gostariam de boas histórias contadas com o Peter adulto (e agora dono de empresa). Só que ao final da primeira edição de Spidey, nome da nova revista, é possível dizer que é muito legal ver um Homem-Aranha adolescente novamente.

Hit the ground running

Spidey não tenta recontar a origem do Homem-Aranha, gastando um arco inteiro apenas para isso. O escritor Robbie Thompson já começa resumindo tudo em uma página e joga Peter Parker como o herói logo em seguida, sem muito tempo para ficar de cabriolagem.

Spidey (2015-) 001-001A revista não deixa muito claro a quanto tempo o Peter já atua como Homem-Aranha, mas algumas passagens deixam no ar que ele está na ativa há poucos meses.

Isso faz com que o leitor já pegue o bonde andando e ainda consiga um belo lugar na janelinha. Em momento algum, a história te deixa deslocado, como se você tivesse perdido um pedaço da trama por não saber tudo sobre o Homem-Aranha.

Nas primeiras páginas, o Aranha precisa impedir um roubo de banco praticado por uma ladra vestida de coelho. É o tipo de situação ridícula que só acontece nos quadrinhos e que faz o Homem-Aranha brilhar.

Ele não deixa de dar aquela zoada e ainda mostra que é nesse tipo de situação que o personagem realmente faz a diferença. Sim, é legal pra caramba ver o Aranha junto dos Vingadores e o escambau, lutando contra seres que ameaçam todo o planeta, mas é combatendo o meliante do dia a dia, o sujeitinho que rouba a bolsa da velhinha, que ele faz a diferença. E Spidey #1 já deixa claro que a série não deve esquecer disso.

Tempos modernos e vilões conhecidos

Em dado momento da revista, Peter chega (atrasado) na escola. Lá, ele bomba numa prova de história e é obrigado a ter aulas com uma tutora, que, por sua vez, precisa de aulas de química: Gwen Stacy.

Enquanto na sua primeira aparição, Peter e Gwen só se conhecem na universidade, aqui, os dois já estudam na mesma escola desde cedo. É válido lembrar que Spidey se passa dentro da cronologia atual da revista The Amazing Spider-Man, o que deixa alguns elementos um pouquinho estranhos, como o fato de a galera estar usando Twitter e o escamabau.

Mesmo assim, é bem legal ver histórias diferentes sendo contadas dentro desse período da vida de Peter Parker. Só que não demora muito para que um dos vilões mais conhecidos do Aranha dê as caras.

Spidey (2015-) 001-009Doutor Octopus é o vilão da primeira edição, com um visual BEM maneiro. Ele não faz MUITO estrago e só está ali pra tomar um sacode mesmo, mas nunca é demais ver Homem-Aranha vs Doc Ock.

Em dado momento, outro personagem é mostrado na revista: Norman Osborn. Apesar de ser manjado que ele vira o Duende Verde, o que mais me impressionou é que os desenhos de Nick Bradshaw deixaram o sujeito BEM parecido com o Willem Dafoe (AHHHHHHHHHH SPIDER-MAN), ator que interpretou o personagem nos filmes do Sam Raimi.

Isso foi de caso pensado? Provavelmente, mas eu tive que rir quando ele apareceu com uma cara amassada no quadrinho.

A verdadeira necessidade de um Peter adolescente

Veja só, não faz muito tempo que tivemos um Peter Parker adolescente nos quadrinhos. Ultimate Spider-Man contou (muito bem até a edição 80 e poucos) a história de origem do Homem-Aranha de maneira atualizada, colocando o herói nos dias de hoje e até entregou OUTRO Homem-Aranha no processo. Então, por que mais uma revista com ele adolescente e dentro da cronologia do universo 616?

Primeiro, porque existem brechas para isso. Apesar de todo mundo saber o que acontece com o Homem-Aranha, Norman Osborn, Gwen Stacy e toda essa galera, muita gente não tem paciência para ler os quadrinhos atuais do Homem-Aranha.

Sim, apesar de ter algumas boas histórias (a última edição de TASM, com o Johnny Storm puto pelo Peter ter comprado o Baxter Bulding, é bem divertida), muita gente ainda vê o Homem-Aranha como aquele jovem falido, tentando salvar o dia, apaixonado pela namoradinha da vez (Gwen Stacy ou Mary Jane), enquanto precisa lidar com as pressões do dia a dia.

Spidey é feito exatamente para essa galera, que quer acompanhar histórias do personagem sem precisar de anos sabendo sobre guerras civis, revelações de identidade, pactos com o costa oca e o escambau.

Os desenhos de Nick Bradshaw deixam bem claro o tom mais leve e jovial da revista, algo que pode atrair um público que gostaria de acompanhar essas histórias do Homem-Aranha.

E, talvez, o maior motivo para que a Marvel tenha resolvido lançar essa revista com um Homem-Aranha adolescente e nos tempos atuais seja o fato de que, finalmente, o personagem fará parte do Universo Marvel nos cinemas.

Colocar um Peter adolescente nos filmes e manter uma revista que tenha ele só como um adulto que não tem mais nenhum relacionamento com Gwen ou Mary Jane, não é mais um falido, mas sim um empresário bem sucedido, talvez alienasse pessoas que se empolguem com a possível boa adaptação do personagem (POR FAVOR).

Criar uma revista que seja mais próxima da visão apresentada no cinema poderia ajudar a um público que resolva voltar aos quadrinhos semanais após ver o personagem sentar a porrada em alguém em Capitão América: Guerra Civil.

Go, Spidey, go!

Após as poucas páginas de Spidey #1 (eu sempre me esqueço que revista mensal é curtinha), é possível dizer que a nova revista do Homem-Aranha consegue capturar bem o espírito do personagem.

Sim, tem ali uma pontinha de todo o drama épico que ele provavelmente terá que enfrentar, mas também traz muito do que é o personagem: um moleque que sofreu (e ainda sofre) um baque na vida, mas não desiste e segue em frente tentando ser uma pessoa melhor, fazendo piadinhas cretinas como se não houvesse amanhã.

Spidey_1_Preview_1Se a publicação continuar no mesmo embalo dessa estreia, talvez essa seja a revista que me fará comprar quadrinhos mensalmente mais uma vez.

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