Review Survivor Series 2014: Não custa muito ser sempre assim, WWE

Caso você tenha acompanhado os resumos do NXT que começamos a publicar por aqui, deu pra perceber que eu estava um tanto quanto de saco cheio da parte “principal” da WWE. O Raw e Smackdown me pareciam mais chatos do que o normal, os últimos PPVs tinham sido qualquer coisa e a divisão de base da empresa realmente estava MUITO melhor. Foi com esse espírito que eu liguei a WWE Network e comecei a assistir Survivor Series 2014. No final do PPV, a única coisa que eu podia falar é “WWE, eu te amo. Seja sempre assim”.

Obviamente eu não vou falar sobre cada luta, dando um geral e MEU DEUS DO CÉU AQUELE MAIN EVENT. Mesmo assim, vamos pelo que realmente mexeu com a WWE no PPV de ontem: MUDANÇAS.

Um grande problema com a WWE nos últimos anos é o pavor de mudar. Por terem se acomodado como a principal empresa de wrestling do mundo, a WWE fazia só o feijão com arroz e dane-se o resto. Com isso, a sua audiência diminuiu, mas o fato de que alguém como o John Cena ainda vende muito bem camisetas e outros badulaques os fez acreditar que tava tudo bem. Durante um tempo, apenas uma pessoa se levantou contra tudo isso. CM Punk.

O Punk esculachou geral porque tava saindo, viu que tinha a oportunidade de mudar a empresa de dentro, continuou até onde deu, mas no dia em que percebeu que a empresa continuaria empurrando quem eles estavam afim, sem se importar com o povo, ele pulou fora. Nas palavras do próprio, no dia do Royal Rumble (último evento que ele participou na WWE):

A saída do Punk deu uma sacudida, a WWE se viu obrigada a colocar o Daniel Bryan, o favorito da galera e do próprio Punk para o Wrestlemania, no main event e se tornar campeão. Só que não demorou muito pra situação voltar ao status quo.

Novamente, lutadores esforçados e talentosos, como Dolph Ziggler, Damien Sandow, Cesaro, Dean Ambrose e Seth Rollins se viram presos dentro do “midcard”, sem poderem realmente brilhar, se tornando bucha de canhão pros Cena e Orton da vida. Os próprios Cena e Orton já parecem desgastados pela situação, mas “a visão nunca muda”. Até que a água começou a bater na bunda da WWE.

Com o lançamento da WWE Network, a empresa viu uma forma de fidelizar ainda mais o seu público, além de atrair de volta aqueles que deixaram de acompanhar seus programas, graças à disponibilidade de material antigo. Só que a Network está começando a ficar interessante somente agora, quase um ano após o seu lançamento, causando um certo rombo na WWE. Para consertar as coisas, a empresa realmente precisa mudar para ter mais fãs. E aí chegamos ao Survivor Series.

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Durante todo o mês de novembro, a WWE Network se tornou gratuita para o público. Bastava fazer uma continha e partir pro abraço, vendo o que a Network tem para oferecer e, quem sabe, continuar com a assinatura após o período. O Survivor Series entrava nesse pacote, logo, o PPV deveria ter algo que realmente chamasse a atenção de TODO MUNDO. E foi exatamente isso o que a WWE fez.

Desde a sua primeira luta (o pre-show não conta), o Survivor Series parecia um PPV que fazia sentido. Nem todas as lutas eram EXCELENTES, mas elas apresentavam algo que faria o público sair feliz do estádio ou desligar feliz a sua televisão após o evento.

A primeira luta, um fatal 4 way de tag teams foi divertida, tendo como o Stardust e o Damien Sandow (Mizdow) como suas estrelas. Todo mundo teve o seu momento, mas ao fazer com que o Miz e o Mizdow se tornassem campeões, a WWE permitiu o público festejar a vitória de um de seus preferidos. O Sandow é um cara que mostrou várias vezes que, mesmo tendo que trabalhar com lixo, ainda fazia aquilo virar ouro. Foi o caso dessa gimmick cretina dele de dublê do Miz, que abraçou a galhofa e está trabalhando de maneira incrível junto do novo companheiro.

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A luta com trocentas divas também foi interessante. Seja pelo fato que TODAS tiveram oportunidade de fazer alguma coisa (nem sempre com um resultado foda), valeu pra dar mais um empurrãozinho na construção de personagem da Paige (que mesmo sendo heel, teve todo mundo na torcida quando ficou sozinha) e mostrou que luta de divas está deixando de ser aquela pausa pro banheiro.

Also, Tyson Kidd acompanhando a Natalya e tirando foto durante a luta é pura vitória. FACT.

A luta da AJ contra a Nikki Bella valeu por dois grandes motivos:

1) Durante o Wrestlemania 28, a AJ, ainda como namoradinha do então campeão Daniel Bryan, deu um beijinho molhado no sujeito logo no começo da sua luta, fazendo com que ele tomasse um chute na cara e perdesse o cinturão em 28 segundos. Agora, Brie Bella, esposa do Daniel Bryan, retribui o gesto, metendo a língua na boca da AJ e fazendo com que ela perdesse o seu cinturão.

O fato de a luta ter terminado rápido é o ciclo se fechando. Fora que, aparentemente, a AJ pediu para acabar o seu contrato, então essa pode ter sido a sua despedida da WWE. Já tô chorando.

2) Olha isso, gente:

WWE, você tinha que ter feito isso quando tinha a Paige envolvida, mas tudo bem. Tá valendo.

O PPV ainda teve uma luta entre Dean Ambrose e Bray Wyatt que tinha tudo pra ser meia boca, graças à sua preparação nas coxas, mas os dois mostraram que realmente são o futuro dessa porra toda. Toda a história que foi contada de qualquer jeito durante vários Raw acabou sendo refinada na porrada em uma luta relativamente longa.

NOPE
NOPE

Parece que a WWE deixou os caras fazerem o que fazem de melhor e partiu pro abraço.

Só que aí, teve o main event. Ele tinha tudo pra dar errado. Patetices com o Cena e figuras de autoridade sempre terminam com todo mundo eliminado, menos o Cena, que consegue repelir qualquer ataque externo para gastar todos os finishers do mundo e sair vitorioso, overcoming all the odds. Só que esse main event foi diferente pelo simples fato de que ele entregou ao público praticamente tudo o que ele queria.

Primeiro porque, apesar de não ter sido um PPV ruim até aquele momento, ele não tinha mostrado na extraordinário. Poderia ser apenas um PPV regular com alguns bons momentos. Só que o main event deixou tudo tão épico que fez com que o Survivor Series 2014 se transformasse em um dos melhores PPVs dos últimos anos.

Desde o primeiro segundo, quando o Big Show nocauteou o Mark Henry e o eliminou sem nem esperar cair umas gotas de suor, o combate se mostrou especial. Lutadores como Ryback, Rusev e Kane mostraram um belo trabalho no ringue. O Big Show foi o Big Show, o Luke Harper foi foda e o Eric Rowan foi IMPRESSIONANTE (aquele spin kick MEU DEUS).

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Seth Rollins foi fantástico como sempre, mas as duas maiores surpresas de toda a luta foram Cena e Ziggler.

O Cena porque foi eliminado (na base da trairagem, mas foi) sem fazer nada de importante. O último sobrevivente, Dolph Ziggler, teria que derrotar quatro oponentes para não perder o emprego. Porque essa era a estipulação da luta: caso o Time Cena perdesse, todo mundo (menos o Cena) seria demitido. Caso o Time Autoridade perdesse, teria que deixar a WWE, sendo que a única pessoa que poderia trazê-los de volta seria o John Cena.

Todos os envolvidos na luta mostravam isso na maneira como agiam, como se tudo estivesse em jogo. E aí o Ziggler brilhou.

Durante anos, o público torce pelo Ziggler, um dos caras mais legais da WWE. Só que sempre acontece alguma coisa e ele se ferra. Vira campeão, toma um chute na cabeça e tem que ficar longe dos ringues pra se recuperar. Começa a se destacar novamente, comenta sobre o atual estado da WWE e recebe como punição meses perdendo pra bucha. Só que, durante todo esse período, quando ele aparecia para lutar, dava o seu melhor.

Poucos na WWE sabem vender golpes como o Ziggler. É praticamente o Bottini da WWE, vendendo tudo sem medo de ser feliz. E ali, sozinho contra quatro lutadores capazes, lutando contra o HHH, o chefe da porra toda, o Ziggler pegou a oportunidade dada pela WWE e fez o melhor proveito dela.

Durante alguns minutos, não existiam outros faces na empresa. Não existia John Cena, Dean Ambrose, Randy Orton, Roman Reins, Daniel Bryan ou CM Punk. Ali, todos eram Time Ziggler e nada mais importava. E o Ziggler foi perfeito.

Apanhou como deveria, mas mostrou que também conseguia fazer estrago. Quando ele derrotou todo mundo, HHH e seus comparsas tentaram azedar a porra toda, mas ele ainda lutava. Só que aí se tornaram demais para ele, como seriam com qualquer um. A derrota era certa. Então…

A WWE completou a sua agenda pokémon. Era a última estreia nos ringues da empresa que faltava. Agora, Sting é um lutador da WWE. Ziggler ganhou, se transformando no herói da WWE. Cena agradeceu e a Autoridade vai embora.

Em um PPV, a WWE entregou tudo o que o público queria, avançou com várias storylines, fez com que bons lutadores recebessem o devido respeito, além de plantar sementes que podem gerar gloriosos frutos (aquele lance de “só o Cena pode trazer a Autoridade de volta” poderia muito bem gerar heel turn e já tô emocionado).

Depois de muito tempo, a WWE conseguiu fazer com que todo mundo tivesse vontade de ver o Raw depois do PPV. Só entregando o que o público queria ver.

Agora começa a torcida para que eles não caguem tudo em duas semanas.

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