Luta livre. Telecatch. Ressling. Pro wresling. Não importa como você chama. A ideia é sempre a mesma: um mocinho e um vilão trocam insultos em entrevistas, chamadas de promos, o que gera uma luta, a qual o resultado resolve com a pendenga entre os envolvidos, que tratam de seguir com conflitos contra wrestlers diferentes.

Não é difícil de entender, não é algo que demanda muito da tua cabeça pra conseguir compreender. Mesmo assim, tenho percebido uma galera que parece que não consegue fazer isso. Dessa maneira, resolvem ir atrás daqueles que gostam do conteúdo pra dar de dedo na cara, falando que eles são burros por causa disso. Eu vou tentar explicar aqui o por que da importância de pro wrestling pros fãs, tentando buscar um equilíbrio que todo mundo consiga não só compreender, mas também aplicar para outras coisas.

The Art of Wrestling

Como eu falei no começo, a base de QUALQUER história no pro wrestling é um conflito entre dois ou mais lutadores. Esse conflito começa nas entrevistas, se desenvolve nos programas semanais e, geralmente, é resolvida em um pay-per-view mensal.

Todo fã de luta livre sabe que boa parte daquilo tudo é roteirizado. Existe uma equipe por trás de tudo, muitas vezes criando storylines de merda, mas de vez em quando acertando a mão GLORIOSAMENTE. Isso é passado para os lutadores envolvidos, que podem decorar um texto ou improvisar em cima de uma linha de raciocínio (como acontece com alguns wrestlers como CM Punk e Stone Cold).

Antes de entrar no ringue o vencedor já foi definido, levando em conta o desenvolvimento das histórias. Os lutadores e a equipe responsável por “montar” a luta decidem quais serão os “spots”, ou golpes que devem ser aplicados, assim como outras ações — tipo sair do ringue, colocar o oponente em cima da mesa de comentaristas e arrebentar com ela, enfim. É tudo esquematizado antes de tudo acontecer.

Cesaro vs Zayn

Cesaro vs Zayn

Então, você pergunta como se empolgar com esse tipo de coisa? Com dois marmanjos aplicando golpes de mentira que combinaram horas antes? A resposta é: da mesma maneira como você se empolga com uma série de TV.

Ou melhor, QUASE como você se empolga com uma série de TV — que é totalmente gravada, roteirizada, etc. Na luta livre, os envolvidos conseguem interagir com o outro, improvisando tudo o que acontece entre os spots combinados. Quando isso acontece como deve, é ABSURDAMENTE empolgante. A tal da “arte da luta livre” é exatamente isso. Essas improvisações e definições levam em consideração a reação do público e todo o envolvimento das pessoas. O último bom exemplo disso é essa luta entre John Cena e CM Punk. Se você ainda não viu, veja. Quantas vezes quiser e puder, porque merece.

PUNK_VS_CENA

Os dois lutaram para ver quem enfrentaria The Rock no maior evento da WWE, o WrestleMania. Todo mundo sabia que o Cena ganharia. Isso é carta marcada há meses. Ele terá uma revanche contra o Rocha, de quem ele perdeu no ano passado, e se tornará o campeão da WWE. O motivo da luta ter sido elogiada, porém, é o fato dos dois envolvidos terem conseguido passar a sensação de que qualquer um poderia vencer. Por mais que eu soubesse que o Cena ganharia, em alguns momentos cheguei a pensar se iriam deixar o Punk vencer. No final, seguiu aquilo que todo mundo já sabia, mas eles conseguiram vender tudo muito bem. E é isso o que importa.

Note que eu não falei que o Cena ganhou porque era melhor, ou que o CM Punk teria que ganhar porque é um lutador melhor (de fato é, treina com os Gracie e tudo). Existe uma história por trás, e eu torci para um dos envolvidos conseguir vencer. Da mesma maneira que muita gente torce para um personagem de QUALQUER série se dar bem. Ou se dar mal. Ou enfim.

Você torce pro Glenn ficar feliz com a Maggie em The Walking Dead? Você torcia para que o Jack, Hurley, Kate e toda aquela galera saísse da ilha em Lost, lá nas primeiras temporadas? Então, é a mesma coisa. Pro wrestling como ele é apresentado na TV é uma grande série. Com a diferença que é ao vivo e tem alguém sendo jogado DE VERDADE do alto de uma escada em cima de mesa.

Wrestling ≠ UFC

Sim, pro wrestling é tão importante quanto UFC. Mas, apesar de ter uns malucos fortes saindo na porrada (de verdade ou combinado), o objetivo de cada um é diferente.

Pro wrestling tem como objetivo entreter seus espectadores. Seja colocando umas gostosas pra lutar mal no ringue (ou colocar a Lita, que lutava melhor que muito marmanjo e era uma delícia), umas piadinhas sem graça e umas lutas maneiras. Não é por acaso que WWE é sigla para World Wrestling Entertaiment, e os lutadores são chamados de “Superstars” e wrestling seja chamado de “sports entertainment”. O negócio é um grande show.

UFC, por outro lado, apesar de todo o circo em volta, tem lutas com caras que treinam diversas técnicas (apesar de, na maioria das vezes, parecer que só sabem jiu-jitsu, cairem no chão e partirem praquela esfregação nada maneira) e têm como objetivo derrubar o oponente pra ganhar dinheiro. Não importa que ele ganhe bonito, seja com uma chave ou um nocaute FODA. O que importa é ganhar, não dar show. Se rolar, ótimo.

Isso significa que UFC é melhor que a WWE? Não, apenas que são diferentes. Os caras dos dois lados treinam pesado pra se manter em forma. Se você acha que somente no UFC alguém pode se machucar, é só ver um vídeo como esse aqui. Dá aflição…

No pro wrestling, apesar das coisas serem roteirizadas, a merda ainda pode acontecer. Os caras ainda estão colocando os corpos em risco, seja dando cadeiradas na fuça do oponente, seja saltando de uma escada em cima de alguém, enfim. No UFC isso acontece com menos frequência adivinha por qual razão? :D

"Oi? Nenhum lutador da WWE se daria bem no UFC? Não teria coragem? É muita porrada, sério demais?! Uéééé... ¯\\_(ツ)_/¯"

“Oi? Nenhum lutador da WWE se daria bem no UFC? Não teria coragem? É muita porrada, sério demais?! Uéééé… ¯\\_(ツ)_/¯”

O povo pé no saco

Deu pra entender, então, as razões pelas quais nós gostamos da WWE e de Pro Wrestling no geral? As histórias, as lutas cheias de coisas completamente inverossímeis, os personagens — exatamente como qualquer outra coisa que vemos na TV.

Eu também gosto de coisas que você não gosta. Mas respeito. Faço piadas, brinco com você. Mas jamais vou até a sua casa, enquanto você estiver fazendo / vendo / ouvindo algo que EU não goste e começar a te xingar por isso. E eu espero que você seja civilizado o suficiente pra respeitar de volta.

Esse tipo de atitude do “só o que eu gosto presta, logo o resto deve ser esculachado PORQUE SIM” é uma das grandes cretinices da internet. Algo que se perdeu com o passar dos anos nessa grande rede de porcarias é que nego não sabe mais pra que serve a área de comentários.

Qual é a necessidade de entrar no texto e deixar um comentário pra falar mal de algo apenas porque VOCÊ não gosta? Pra que ter essa NECESSIDADE de cortar o barato dos outros?

Você pode, sei lá, não clickar e só acompanhar o que você gosta. Então, você entra no link sobre um assunto que interessa e pronto. Você não precisa só amar nos comentários, mas se for criticar, faça com argumentos que acrescentem ao conteúdo. Não só pra falar “Eu não gosto disso e vocês não deveriam mais postar coisas assim”. Não seja um babaca. Viva e deixe viver.

WWE_ALL_STARS

Texto publicado originalmente no Judão

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