All Elite Wrestling

All Elite Wrestling: o que esperar da nova empresa de pro wrestling

No dia 26 de março de 2001, a World Wrestling Entertainment, após ter vencido a batalha da audiência contra a WCW e ter comprado sua rival, acabou de vez com a empresa, exibindo o último episódio do Monday Night Nitro. Naquele momento, a WWE se tornou a líder do setor de pro Wrestling no mundo todo.

Outras empresas tentaram bater de frente, sendo a que quase começou a fazer barulho de verdade, a Total Nonstop Action (ou TNA), acabou se destruindo por diversas decisões cagadas e que fizeram a companhia quase sumir e, hoje em dia, sobrevive sei lá como com o nome Impact Wrestling.

Desde aquele março de 2001, praticamente nenhuma empresa conseguiu fazer com que a WWE se movimentasse, fazendo com que a companhia, mesmo com diversos talentos incríveis, meio que se acomodou e continuou faturando apesar de suas decisões cretinas.

Volta e meia, surgia alguma possível oponente para a WWE, mais recentemente a NJPW, mas a empresa de Vince McMahon parecia seguir mais alguns anos sem ninguém para tentar peitá-la. Isso pode mudar com o surgimento da All Elite Wrestling.

O que diabos é a AEW?

Pra falar da All Elite Wrestling, é necessário falar de como tudo nasceu. Durante anos, Cody Rhodes, o filho de Dusty Rhodes, ficou no midcard da WWE, conseguindo alguns títulos, mas nunca passando para aquele grupo de main eventers da empresa.

Após uma breve storyline em que ele lutou ao lado do irmão, Goldust, storyline essa que teve envolvimento do seu pai, pouco antes de ele falecer. Dali, surgiu uma ideia do Cody se vestir como o irmão e nasceu Stardust.

Durante quase dois anos, ele ficou ali, fazendo o que podia com a gimmick. Lá pelas tantas, ele afirmou ter sentido que não poderia desenvolver todo o seu potencial e pediu sua liberação para a WWE, algo que aconteceu em maio de 2016.

Em vez de desistir de pro wrestling, principalmente pela perda do seu pai em 2015, resolveu que era hora de mostrar o seu valor e partiu para o circuito independente. Mesmo tendo a fama que a WWE lhe deu, ele se entregou e lutou onde dava, até mesmo para provar para outros lutadores que tava levando tudo a sério e queria crescer dentro da indústria.

Foto: Oli Sandler/ The Ringside Perspective

Isso acabou chamando atenção de Matt e Nick Jackson, os Young Bucks. Os irmãos são uma das tag teams mais conhecidas de todo o planeta, conseguindo criar em torno de si uma verdadeira máquina de dinheiro na forma da venda de mercadoria, como camisetas e afins.

Eles acabaram se envolvendo, o que eventualmente levou o Cody Rhodes a integrar o Bullet Club, já na NJPW, graças aos Bucks. Ao que tudo indica, o trio realmente se deu bem, já que logo começaram a trabalhar na web-série Be The Elite.

Nessa série, produzida pelos Young Bucks, praticamente todos os integrantes do Bullet Club e mais uma galera de wrestlers independentes desenvolviam suas próprias histórias, que acabavam respingando nos ringues.

O sucesso dos vídeos parece ter dado a ideia para os três de que existia um público sedento por conteúdo fora da WWE, a ponto de um evento poder ser produzido de maneira completamente independente. Após um comentário do jornalista Dave Meltzer de que seria muito difícil um evento assim encher uma arena com 10 mil pessoas, o desafio parecia ter sido feito.

Como uma aposta enorme por parte de Cody e os Young Bucks, surgiu All In, um mega evento que uniria lutadores de diversas empresas, como Ring of Honor e New Japan Pro Wrestling, além de free agents.  

Em 30 minutos, mais de 10 mil ingressos foram vendidos, fazendo com que All In se tornasse o primeiro evento independente de Wrestling nos EUA a ultrapassar a marca. Era hora de mostrar a que vieram.

E o All In entregou. Com transmissão para a internet, apesar de poucos tropeços, muito relacionados ao tempo de algumas lutas, o evento conseguiu atrair fãs hardcore, se tornando na primeira grande alternativa para um PPV da WWE, tirando aqueles produzidos pela NJPW.

Todo o All In tinha um clima de “nós contra o sistema”, mostrando que existe um público pronto para consumir uma alternativa para a WWE. No final do evento, os responsáveis por ele deram a entender que seu sucesso já era garantia de um próximo, que depois de terem ido All In, era hora de irem Double or Nothing.

Esse seria o nome do segundo PPV, algo que todos já meio que esperavam. Só que dois meses passaram e coisas mais interessantes começaram a acontecer. No dia 18 de novembro, foi descoberto que Tony Khan, da bilionária família dona do Jacksonville Jaguars, em associação a Cody Rhodes e os Young Bucks, teria registrado algumas marcas, sendo elas AEW Double or Nothing, Tuesday Night Dynamite para um nome de programa de TV e o nome de uma nova empresa, chamada All Elite Wrestling.

Rumores de que esta seria uma nova empresa, tocada pelo bilionário, que é fã de longa data de pro Wrestling, e pelo trio de lutadores. Nas semanas seguintes, notícias de que os contratos de Cody Rhodes e dos Young Bucks com o Ring of Honor não seriam renovados e uma contagem regressiva para o dia 1 de janeiro apenas deixaram muita gente na expectativa.

Dia 1 chegou e com ele o anúncio oficial.

All Elite Wrestling é uma realidade e terá Cody Rhodes, o neto de um encanador, seguindo os passos do seu pai e ajudando na criação de uma nova empresa de Wrestling, atuando como vice-presidente executivo, com sua esposa, Brandi Rhodes como diretora de marca da empresa.

Logo em seguida, foi confirmado os contratos de Nick Jackson, Matt Jackson (os Young Bucks), Dana Massie, esposa de Matt e responsável pelo lucrativo setor de merchandise da dupla, assim como Hangman Adam Page. Em seguida, a lutadora Britt Baker foi confirmada como nova contratada pela empresa.

Agora, mais informações e surpresas devem ser divulgadas no dia 8 de janeiro, na mesma cidade onde acontecerá a transmissão do Smackdown Live.

Tá e agora?

Pois bem, as informações mais recentes apontam que as histórias que o especial All In chamou atenção de vários executivos de TV parece verídica. Isso porque, de acordo com algumas publicações, o presidente da AEW, Tony Khan, estaria conversando com os executivos da Warner Media, antiga Time Warner, sobre a chance de um programa semanal da empresa em um dos canais deles, sendo a TBS e a TNT os preferidos no momento.

Isso é interessante e mostra que o tempo é uma ilusão, já que décadas atrás, o pai de Cody Rhodes, Dusty Rhodes, fez o mesmo com a WCW, que era comandada por um bilionário (no caso, o dono da TNT, Ted Turner), que tinha programas da TBS e TNT.

O jornalista Ryan Satin também comentou que várias fontes lhe contaram que os contratos oferecidos pela AEW são na mesma faixa de preço dos oferecidos pela WWE, o que indica que a empresa tá pensando em investir pesado já no começo para criar o seu futuro.

E o que isso significa? Sinceramente, nesse momento nada. Mas o que pode se tornar é que deixa tudo isso aqui interessante.

Como eu disse lá no começo, a WWE não tem competição direta há, pelo menos, 18 anos. Por causa disso, toda e qualquer escolha feita pela empresa é total no esquema “FODA-SE EU SOU A LEI”, o que tornava todas as suas decisões um tanto desconexas do que o público queria.

Wrestling, apesar de ser fechado no que os bookers querem, escolhendo quem ganha e quem perde, tem seus melhores momentos quando as histórias acabam sendo influenciadas pelo público. Exemplos recentes são a ascensão de CM Punk e Daniel Bryan, lutadores que nem ferrando teriam o destaque que tiveram se dependesse do alto escalão da WWE, mas que a pressão externa fez com que recebessem a atenção devida.

O momento em que a WWE teve uma competição, na forma da WCW, o negócio ficou doido o suficiente que tivemos a Attitude Era. A All Elite Wrestling, no momento, não tá nem perto do que foi a WCW, mas tem todas as armas para se tornar próximo daquilo ao longo dos anos.

Ainda é cedo para falar “FODEU PRA WWE”, mas o fato de rumores sobre lutadores da empresa que estariam observando com atenção para o desenrolar da AEW, a possibilidade de conseguirem um programa semanal e tudo mais, faz da companhia a primeira a ter um olhar voltado para o que o público quer e reagir de acordo em sei lá quanto tempo.

Pode muito acontecer de, em um ano, a AEW nem existir mais e a WWE continuar firme e forte. A chance de isso acontecer isso e, que no momento não é pequena, existe, mas e se esse for o momento da virada? O momento em que uma competição a altura que fará as coisas melhorarem?

WWE, com um roster cheio de talento precisando trabalhar melhor com seus lutadores pois eles podem muito bem irem para outra empresa e brilhar lá. Porque faz tempo que quem segura a popularidade da WWE não são suas histórias, mas sim o talento mal aproveitado do seu roster. E NXT. NXT ainda é foda.

Escrevi pra cacete pra falar “AEW é uma empresa criada pelo Cody Rhodes e os Young Bucks, visando peitar a WWE um dia”, mas já entrei no modo empolgou e, depois de um 2018 nojento na WWE, qualquer coisa que possa bagunçar tudo e tornar tudo mais interessante é muito bem-vinda. Agora é esperar pra ver o que vai acontecer.

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