Diferente daquela review do Blind Guardian, pra Tarja a expectativa era zero ou menos. Era uma pauta, nada mais. E uma pauta meio que chorada, porque foi no esquema “precisa mesmo ir?”. Pois bem criaturinhas evoluídas de minúsculos coacervados, ainda bem que precisou!

A única coisa que eu sabia é que a Tarja (que pronuncia Tária, mas que um telejornal local chamou de Narja e um jornal impresso chamou de Tanja) era ex-vocalista do Nightwish, aquela banda finlandesa de metal sinfônico que muita gente adora e que tocou aqui pros nossos lados um dia desses também. Sabia que ela tinha uma voz sensacional, porque já tinha ouvido alguma coisa da banda, dessa alguma coisa só recordava de Wishmaster e The Phantom of the Opera. Descobri recentemente, graças ao Facebook, que ela é uma das técnicas do The Voice finlandês, o que só deixa a gente ainda mais envergonhado por ter o Michel Teló aqui…

Pois bem, chegando ao lugar do show do Michel Teló da Finlândia (que sacanagem com a moça), já tive um déjà vu terrível: faltava uns 40 minutos pro evento começar e a fila ainda dobrava a esquina. Tinha como não lembrar do trauma recente? Mas aqui havia uma diferença crucial, enquanto que no Blind Guardian era cada um por si, na show da Tarja, pessoas da organização andavam por fora pra ver como o ritmo de entrada estava.

22h em ponto todos estavam dentro do local do show, 22:05 a banda soltava seu primeiro acorde. Tava começando!

Foto: Yago Resende

Foto: Yago Resende

KATY PERRY DO METAL

A primeira música já foi direto no coração: o fantasma da ópera tava ali na minha mente, digo, na minha frente! E quando ela entrou no palco, praticamente flutuando, o público foi ao delírio de um jeito que você se sentia num show de alguma pop star hypada. E ela abriu a boca, soltou o vozeirão e nada mais importava, só aquela voz, aquele momento, aquela emoção.

Impressionante como aquela mulher magrinha, baixinha, pequenininha, vira uma gigante de mais de 2 metros de altura no palco. A potência da voz, o carisma, o domínio do palco e a empatia com o público, tudo de arrepiar. Nessa hora você entende os fãs.

O agudo final da música se misturava com os berros da galera, eram menos de 2 mil pessoas ali, mas a emoção era unânime, deixando a sensação de que era um público de festival. Depois de The Phantom of the Opera, a única esperança era de que rolasse Wishmaster, mas, pelo setlist de Recife e antipatia que a maioria dos artistas em carreira solo têm em relação a sua vida artística pregressa, já estava certo de que nem adiantava esperar por isso. E falando em antipatia, essa característica não encaixa com Tarja, ao menos não com sua persona do palco.

Ela é toda sorrisos, amor e simpatia. Lá pela terceira música, jogaram uma bandeira com uma frase tipo “pelo fim do machismo no metal”, ela abriu a bandeira e soltou um “sim” entre sorrisos. Havia uma química ali entre artista e plateia, e essa química já era suficiente pra contagiar os não-fãs que ali estavam.

A cada nova música, mais aplausos e mais emoção de todos os presentes. O setlist foi exatamente o mesmo da apresentação anterior. Depois de muita emoção, duas trocas de roupa, simpatia transbordante e momentos inusitados, como o do velhinho finlandês saindo do meio da galera com uma bandeirinha da Finlândia em punho, o show chegava ao fim com Until My Last Breath.

A galera pedia a plenos pulmões por Over the Hills and Far Away, outro cover clássico do Nightwish, ela sorriu sem graça, assentiu com a cabeça e deu a impressão de que foi por pouco, mas não foi dessa vez… Tarja sai do palco ao som de “Tarja eu te amo” do público. As pessoas vão saindo do local, mas ficou aquela sensação de que se tivessem pedido mais um pouco, se tivessem pedido na hora certa, mas não importa mais. Foi bom, foi ótimo e acabou bem.

Foto: Yago Resende

Foto: Yago Resende

SEM FINAL AMARGO

A verdade por trás da fila que se encerrou no último minuto é que, segundo organizadores do evento, foram muitos problemas técnicos acontecendo no dia, o que atrasou a abertura dos portões e levou ao cancelamento da apresentação da banda Triarchy, que abriria o show. Apesar disso, a grande preocupação era fazer a fila andar para que todos estivessem dentro quando o show se iniciasse, o que foi feito com sucesso.

Além disso, o local contava com seguranças uniformizados, banners imensos sinalizando a entrada do front stage, um painel iluminado para as pessoas tirarem fotos no local e um staff atento e presente. A realização do show ficou por conta da Phoenix Produções e da 4U Produções, a mesma parceria que trouxe Sonata Arctica no começo do ano e Nightwish no último mês, e que mostra que o profissionalismo rende bons resultados, mesmo diante das piores intempéries.

Setlist

1. The Phantom of the Opera
2. 500 Letters
3. Little Lies
4. Falling Awake
5. I Walk Alone
6. Anteroom of Death
7. Never Enough
8. Dark Star
9. Neverlight
10. Until Silence
11. No Bitter End
12. Goldfinger
13. Deliverance
14. Victim of Ritual
15. Slaying the Dreamer
16. Die Alive
17. Until My Last Breath

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