Review: Michael Jackson – Xscape

Álbuns póstumos são, no mínimo, complicados. Quando o toque de um artista se limita ao bruto de uma composição e, por um infeliz evento do destino, ele não participa da maneira como ela é entregue aos seus fãs, todo tipo de problema pode acabar sendo encontrado.

E aí a discussão que segue pode acabar tendo culpa sobrando pra todos os responsáveis: É a gravadora que foi mesquinha demais ao querer investir na imagem ainda viva da estrela; são os produtores que fizeram um mau trabalho na hora de finalizar o material que tinham. De todo jeito, no caso de Xscape, existe ao menos uma certeza: Michael Jackson se foi cedo demais.

Cinco anos depois da morte do Rei do Pop, o segundo álbum póstumo de Jackson é quase simples. Oito músicas tentam recapturar a magia que esteve presente nos longos anos de sua carreira.

O material foi selecionado e produzido por um time liderado por L.A. Reid e é composto por gravações feitas entre 1983 e 1999. E por mais que o resultado não seja a reinvenção da roda, é no mínimo interessante de ser analisado.

Inegavelmente, todas as faixas são trazidas para o cenário musical que se tem hoje: o ritmo rápido do R&B dos anos 10, com um toque de modernização em seus arranjos que, ouso dizer, é quase semelhante à influência que o Daft Punk teve ao criarem Random Access Memories – evidentemente em menor escala, no entanto. Mas não se engane: Xscape é um álbum que quer ser o mais recente possível: praticamente Michael Jackson em um novo mundo.

A música “Slave to the Rhythm” é o maior exemplo desse ponto. Apesar de não ser nada além de uma clara mixagem que poderia ser feita com qualquer composição de Jackson, inédita ou não (o que, aliás, define todas as músicas do álbum), a canção exala essa vontade de se encaixar numa época na qual ela simplesmente não pertence.

“A Place With No Name” também padece desse mal, o que é mais compreensível: a música é um sample de “A Horse With No Name” do America, que é de 1972. Essa crise de identidade temporal, no entanto, não tira a qualidade do conteúdo apresentado aqui. Pelo contrário: todas as faixas são dignas do legado que Michael deixou. E a maior prova disso se apresenta quando a primeira música toca.

“Love Never Felt So Good”, discutivelmente a melhor música do álbum, tem a assinatura de Jackson impressa em todos os seus cantos. É a voz icônica, os trejeitos ímpares. E é o golpe que te atenta ao fato que o Rei do Pop faz falta.

Como um tributo ou homenagem, Xscape cumpre seu papel fielmente. Mas o que se tem aqui é um trabalho novo, um álbum que quer mostrar que Jackson ainda tem seu impacto. E nesse aspecto, apesar de ter sucesso, o que sobra é algo que parece incompleto. Digno de ser ouvido e respeitado, mas ainda incompleto.

Dizer, no entanto, que um álbum lançado hoje com a presença de Michael seria algo bem diferente é como dizer que o iPhone estaria num caminho muito diferente se Steve Jobs estivesse vivo: é um argumento que não merece ser utilizado. No fim, Xscape é mais Michael Jackson. E só isso já o torna relevante.

Tracklist:

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