Cannibal Corpse e Testament em Fortaleza

Tem gente dizendo por aí que Fortaleza é a nova capital do metal e essa afirmativa só tomou mais corpo quando o Iron Maiden anunciou a cidade como a única do Nordeste a receber a banda em 2016. Claro é cedo demais pra dizermos isso e há muitas outras cidades pelo país que recebem muito mais shows do gênero, mas que 2015 foi realmente um ano recheado pros metaleiros da Terra do Sol, isso não pode ser negado.

O fechamento do calendário não podia ser mais brilhante e os fãs de música extrema estavam ávidos pelo dia 15 de novembro e não tinha qualquer relação com a Proclamação da República, mas sim com a presença de duas grandes bandas de metal pesado: Cannibal Corpse e Testament.

Sujo e Agressivo

Com abertura dos portões prevista para as 18h, mais uma vez nos deparamos com atrasos e problemas. O aspecto positivo é ver que a produção do evento estava preocupada em tornar o processo o mais simples possível para o público, desde trocas de vouchers até a entrada no local.

Com 2 horas de atraso, o show, quase um mini-festival, começou com sua primeira banda de abertura: Encéfalo. A banda de thrash/death metal cearense fez uma apresentação um pouco mais curta que o previsto, com pouco mais de 20 minutos (o planejado eram 30 min).

Isso poderia significar se apresentar para uma casa ainda vazia, mas com a agilidade na entrada do público, ao fim do show o lugar já estava cheio. Com uma apresentação rápida, porém competente, era o momento de dar lugar à próxima banda de abertura.

Facada começou já quebrando tudo. A banda de grindcore também teve que diminuir seu tempo de palco, mas isso não significa que o espetáculo tenha sido menor. A banda, que já arrancou elogios de João Gordo, mostrou que sua fama não é a toa. Com letras em português, num peso violento e pura agressividade, é sem dúvida uma das melhores coisas do cenário cearense e nacional, merecendo alçar voos cada vez mais altos. Terminaram a curta performance com seu maior hit O Cobrador e abriram espaço pro grande nome da noite.

Defunto Comedor de Gente

Alguns minutos de preparação do palco e o público já gritava a plenos pulmões “CANNIBAL, CANNIBAL”. A antecipação era grande, o lugar estava lotado e o público já se movimentava como uma horda de zumbis. Aliás, vale ressaltar que todos os locais estavam liberados, nada de frontstage ou camarote separados, o que num show do gênero faz muito mais sentido. Pra quem não queria estar no meio do apocalipse zumbi que havia se tornado a pista, a solução era subir pra área do camarote, também lotada.

For the horde!!!
For the horde!!!

A banda entra no palco, o público vai ao delírio. George “Corpsegrinder” Fisher berra as primeiras estrofes de Scourge of Iron e começa a girar a cabeça numa velocidade aluscinante. E aí todo mundo entendeu o motivo daquele pescocinho de búfalo que o cidadão ostenta.

LOL
LOL

A multidão queria sangue, a multidão queria mais e foi assim ao longo dos 90 minutos de show. A banda tocou músicas de toda sua carreira, desde A Skull Full of Maggots, do primeiro disco, até algumas faixas de A Skeletal Domain, disco mais recente deles, lançado no segundo semestre de 2014. Um dos pontos altos da apresentação, sem dúvida, foi quando George disse que agora eles tocariam uma canção de amor e dedicou a uma das pessoas que estava pertinho do palco: I Cum Blood! LOL.

Outro grande momento foi quando o sr. Pescoço de Nós Todos anunciou a última música, Devoured by Vermin, e o público começou a gritar por Hammer Smashed Face, clássico do disco Tomb of the Mutilated. George soltou um “ok” e confirmou “Hammer Smashed Face”.

Terminada a apresentação, começa a preparação do palco para o segundo grande nome da noite. E as pessoas que estavam ali em massa pelos zumbis do death metal não fizeram feio e aguardaram pacientemente pelos detentores do legado do thrash!

O Legado da Porrada

Chega a hora e, no escuro, só se vê a bituca de cigarro acesa do batera Gene Hoglan. Iniciados os trabalhos na cozinha, os outros membros do Testament vão entrando no palco e, por último, Chuck Billy, com seu pedestal iluminado parecendo um sabre de luz. Começaram com a pedrada Over The Wall, primeira faixa do primeiro disco, mostrando que ia ser uma noite pra agradar fãs da banda de todas as épocas.

testament

Chuck mostrou que os 30 anos de estrada à frente da banda não foram a toa, porque o cara é um frontman fabuloso. A cada música ele se dirigia pra um lado do palco, chegando a cantar colado na grade, olho no olho dos fãs. Só pecou ao pronunciar o nome da cidade e todas as vezes que ele soltava um “Fortalisa” confesso que dava um risinho idiota. Mas a noite foi impecável e quem acompanha Testament desde os anos 80 não ficou decepcionado, porque o repertório contemplou todos os anos e álbuns da banda. Aliás, a sonoridade dos caras é digna de nota, porque eles conseguem manter o mesmo nível desde o começo, mostrando que realmente entendem do riscado.

No fim das contas, é bem difícil elencar os pontos altos do show, porque foram muitos. Talvez o momento mais sensacional tenha sido quando Chuck Billy mandou a galera abrir espaço, como se fosse Moisés abrindo o Mar Vermelho, o público foi dividido em dois e estava formada a tão famosa Wall of Death.

Se você é leigo no assunto e ainda assim está lendo uma review sobre um show de thrash metal, primeiro eu não sei se tenho pena ou medo de você, segundo, o Wall of Death é a evolução do mosh pit/roda punk. Simplesmente fica metade da galera de cada lado e, na hora que começa a quebradeira sonora, as duas metades correm de encontro e se chocam no meio, numa porradaria violenta, mas super família. E, amiguinhos, foi lindo!

Então...

Acaba música, público vibra e grita o nome da banda, os caras agradecem de forma muito cortês, fim do show. As luzes apagam, o público começa a sair do local, mas com a certeza de que aquela foi uma noite memorável e ímpar. Valeu Produções 4U, que 2016 seja ainda mais movimentado. E em 22 de janeiro já começa a porrada com Exodus, Krisiun e Vulcano! \m/

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