SOMA é um jogo de survival horror sci-fi trazido pela Frictional Games (a mesma produtora de Amnesia) para PS4 e PC. Porém, classificá-lo apenas como um game de sobrevivência é muito raso para o que ele oferece. A experiência de SOMA é muito mais que um simples gameplay de sobrevivência, as mecânicas do jogo servem muito mais para conduzir uma narração densa e um tanto filosófica no fim das contas.

O jogo começa com Simon Jarret, o protagonista, acordando de um pesadelo ao receber a ligação do Dr. Munshin, confirmando uma consulta para um exame de tomografia de seu cérebro – logo nos primeiros minutos de jogo você descobre que Jarret sofreu um terrível acidente de carro e está passando por um tratamento para se recuperar.

Ao chegar no consultório, Munshin pede para que Jarret sente em uma cadeira chamada Pilot Chair para realizar o scan. Depois de alguns flashes produzidos pelo exame, o protagonista acorda em um local completamente diferente de onde ele, supostamente, estava. Vasculhando os logs dos computadores espalhados pelas primeiras salas encontradas, você descobre rapidamente que está em 2104 – o jogo começa em 2015 – e, dai sim, a história começa pra valer.

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O local em que você acorda está quase que completamente abandonado e algo de estranho aconteceu. Depois de mais alguns minutos vasculhando, você encontra uma Omnitool e consegue, através da ferramenta, contatar Catherine Chun – uma “inteligência artificial” – que explica que você está em Pathos-2, uma base sub-marítima de lançamento de foguetes e que ela faz parte de um projeto chamado Ark.

Para descobrir como Simon chegou até ali e como vai se salvar dessa situação, você precisa percorrer os labirintos do local, resolver quebra-cabeças e procurar logs e áudios que estão salvos nos computadores.

SOMA não joga qual é o objetivo na sua cara, tudo o que você deve fazer durante o jogo é dito no diálogo entre Jarret e Catherine. Também não existe um botão de mapa pra saber onde ir, tem que andar e procurar mesmo. Mas nada muito complicado, os quebra-cabeças são bem simples e os caminhos são bem fáceis de serem decorados – o que contribui para que o gameplay sirva mais como apoio à narrativa.

Fora os quebra-cabeças e os labirintos, em SOMA também há inimigos: monstros, robôs e animais das profundezas marítimas. Como a maioria dos jogos desse gênero, o esquema para “enfrentar” os inimigos é o velho esconde-esconde. Se o adversário te ver, corra e se esconda. Mas os monstros desse jogo têm um padrão (que a Catherine te ensina): se você não fizer barulho, não olhar para eles e não chegar perto, eles não te atacam. Então, quando se encontrar com um, basta se esconder e dar a volta por ele.

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Para avisar que o inimigo está por perto, o jogo dá duas dicas. A primeira, e mais óbvia, é o som – por isso recomendo que jogue com fones de ouvido. A segunda é que, ao se aproximar de um inimigo, a tela do jogo começa a sofrer pequenos “flickerings” – uma pequena interferência que distorce a tela. Quanto mais perto, mais a tela distorce.

Durante o jogo, você será obrigado combater apenas um inimigo. Todos os outros é na base do esconde-esconde ou “pernas pra que te quero”. Porém, se você for pego por um deles, você não morre automaticamente, já que ganha uma segunda chance que pode ser regenerada ao encontrar algumas construções na parede parecidos com casulos. Para saber se você está precisando usar ou não os casulos, o jogo também dá uma dica: as imagens começam sofrer um pouco de aberração cromática.

É importante ficar esperto nisso porque o game não apresenta um HUD ou uma barra de vida. Mesmo assim, você pode ficar tranquilo, já que não são muitos inimigos que aparecem durante o jogo – eu devo ter encontrado, no máximo, 20 deles durante toda a história.

SOMA é um game muito mais de exploração e interação com os “objetos” que você encontra do que outra coisa. Objeto entre aspas porque, além dos computadores, ao longo do jogo, você também encontra pessoas e robôs presos em tentáculos.

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Ao encontrar esses personagens vivos, eles sempre estão a beira da morte e estão sendo mantido vivos apenas pelos tentáculos. Conversando com eles – e com os outros achados do jogo – você começa a se perguntar: será que vale a pena mantê-los vivos  (apesar de alguns estarem felizes mesmo naquela situação), ou devo matá-los e acabar com esse sofrimento? O motivo de alguns estarem felizes são um dos mistérios que você acaba descobrindo durante o jogo.

Conforme o enredo vai se desenrolando, fica cada vez mais difícil tomar uma decisão dessas, até onde podemos considerar o que é vida? Até que ponto aquilo é um ser humano, até que ponto uma inteligência artificial pode ser considerada viva? Uma inteligência artificial, em um corpo humano, pode ser considerada um humano? Será que vale a pena fazer a mesma escolha que esses personagens fizeram?

Esses são os tipos de questões que são levantadas durante todo o jogo através dos diálogos entre Simon e Catherine. As ideias dos dois protagonistas sobre o que é ser uma inteligência artificial e o que é um ser vivo são bastante questionadas entre eles. E isso é muito bem construído através do texto e do enredo.

SOMA tem uma duração de 8-10 horas de jogo, o que faz com que ele não fique cansativo como Alien: Isolation, por exemplo. Os quebra-cabeças foram bem simples, nada muito desafiador – apenas quando havia inimigos atrapalhando. O gameplay e o fato do jogo não apresentar um HUD durante toda a partida, fez com que eu ficasse bem tenso em alguns momentos.

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O enredo e os cenários também ajudam criar esse clima de suspense, mas sempre querendo jogar um pouco mais para saber o que está acontecendo. Se você quer algo que misture O Segredo do Abismo, Matrix e Alien, SOMA lhe dá tudo isso e talvez mais um pouco.

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