Eu sempre gostei da idéia e do conceito de Monster Hunter, mas, por uma série de motivos, eu nunca consegui me acostumar com a série e jogar de forma adequada.

Eu nunca vi muita razão para utilizar o Nintendo 3DS, uma plataforma que sempre me acompanhou em rápidas jogatinas no banheiro, em um jogo demorado, exaustivo e que eu precisava passar mais de 5 minutos por sessão. A iniciativa de cross-play/cross-save com o WiiU foi legal no papel, mas era uma pataquada sem tamanho passar o save de um para o outro sem utilizar a nuvem (que, inclusive, a Nintendo ainda desconhece aqui em 2018) que eu desisti depois de duas tentativas.

Ai chegou Monster Hunter World.

Bem feito, bonito, caprichado, com um sistema de controle claw-free, com MP integrado de fácil acesso, complexo, profundo e bem azeitadinho para os novados. Era tudo o que eu esperava!

A história do jogo, como de costume, é recheio na borda da pizza. Se tiver, daora, se não tiver não estraga a diversão.

O seu objetivo é estudar os monstros e descobrir o motivo de uma tal “travessia”. Sabe quando os pombos mudam de continente para se adaptar melhor ao clima do outro lugar (e cagar na cabeça de estrangeiros)? É tipo isso, mas com uns bichos maiores.

Trocando em miúdos, o objetivo real do jogo é “Matar monstrinho, dar carve nele e construir roupinha com restos mortais do bicho. Matar monstro, dar carve no monstro e construir roupa com restos mortais do bicho. Matar monstrão, dar carve no monstrão e construir roupona de lorde com restos mortais do bicho. Matar….”. Você entendeu.

É puro grind.

Mas é um grind gostoso, recompensador e desafiador. Tem RNG envolvido, mas não é um RNG estúpido em que um engrama Azul vira arminha Verde. Poucas vezes eu não consegui o pedaço de monstro que eu precisava, e quando isso aconteceu foi porque eu não fiz o que deveria ter sido feito de forma adequada.

Voltando à vaca fria da história.

Você começa a jornada sofrendo para matar uma lagartixa radioativa e enorme (enorme do tamanho daquelas perua Towner ilegal que levava criançada para escola sem autorização do governo), e no final você meio que desce o cacete em um pequeno continente. Tudo isso, é claro, com armas e roupas que você foi criando ao longo da sua jornada.

A variedade de armas é pornográfica, e por vezes, curiosa.

O look and feel do jogo (publicitarês para dizer…”a vibe do jogo”) te faz crer que o mundo de Monster Hunter se passa no passado. Meio que remete àquelas viagens no tempo em que o criador inculto do desenho colocou homem – e mulher – da caverna fugindo do glorioso Tiranossauro Rex. Saca, é impossível isso, mas com certeza isso foi no passado.

Enfim, o ambiente todo é meio rústico e não tecnológico, remetendo ao passado, mas uma das armas que você pode utilizar, ao lado da sua katana enorme, pesada e estilosa pra cacete, é uma metralhadora! Pois é.

Só que a história toda, de sair por aí com uma faca de manteiga procurando briga com monstro do tamanho de um prédio de 4 andares com uma lojinha de conveniência no térreo, é tão absurda que a metralhadora se encaixa perfeitamente ao lado da dual-blade feita de pedaços de osso de um monstro.

O curioso da grande quantidade de armas é o capricho empregado nisso tudo. Cada arma se comporta de uma maneira e seus pontos fracos e fortes mudam a maneira que você encara a experiência inteira.

Um jogador de dual-blade pode amar o jogo pois ele permite ser agressivo tipo Jackie Chan, enquanto um outro jogador ama a calma e tranquilidade de se jogar como um Bardo e, literalmente, tocar musiquinhas para buffar seus colegas. É, inclusive, difícil que o jogo clique do tipo “eu amo essa porcaria” sem você ter encontrado a sua arma/playstyle preferidos.

As roupas, também em quantidade abusiva, tem uma atuação mais simples. Elas tem stats óbvios (mais defesa disso, menos defesa daquilo), porém o bem bolado que realmente diferencia uma da outra é o Perk. Cada roupa acompanha um perk específico.

Algumas te permitem dar mais dano explosivo, outras fazem você pegar plantinhas em maior quantidade, mas eu assumo que uso mesmo para ficar fistáile e matar os monstros cheio de pompa e garbo.

Monster Hunter World é grandioso, porém acessível para os novatos na franquia. É um jogo muito acertado nessa vibe nova do mercado de “games as services” (jogos que meio que não tem fim, e sempre recebem conteúdo novo de x em x tempo para te fazer ficar preso nele) e uma adição muito bem vinda para a série como um todo.

Monster Hunter Worlds apresentou a série para muita gente que não tinha nintendinho antes e, ao meu ver, fez isso de forma fenomenal!

FROIÃO INDICA!

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