Review: Mafia 3

Quando Mafia 2 foi lançado para PS3, Xbox 360 e PCs, a ideia de uma alternativa da 2K Games para a série GTA me parecia muito interessante. O fato de eu ter gostado mais do que deveria do jogo baseado em O Poderoso Chefão também ajudou na empolgação. Aí parei pra jogar e…achei só legal. Ele tinha muita coisa boa, mas o fato de ser tão linear matava boa parte da graça de um jogo de mundo aberto.

Com Mafia 3, a ideia é fazer uma sequência direta, se passando décadas depois, um novo protagonista, uma nova cidade e uma vontade de finalmente fazer um jogo sobre mafiosos, organizações criminosas e uma trilha tão cheia de Creedence Clearwater Revival que chega a dar gosto.

A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena

Mafia 3 começa como um GTA-lite, com um sujeito voltando da Guerra do Vietnã e se envolvendo no mundo do crime. Como se fosse um documentário, você apenas fica sabendo que algo muito absurdo aconteceu envolvendo Lincoln Clay, o personagem principal do jogo, a ponto de ele entrar em guerra contra a mafia local.

Esse esquema de documentário faz com que você, desde o início se interesse pela história, exatamente para saber o que diabos aconteceu na cidade de New Bordeaux, a versão de Nova Orleans do universo de Mafia.

mafia tiro

A trama do jogo é bem cinematográfica e você conseguiria ver claramente tudo ali como um filme, com as mesmas reviravoltas e até o mesmo nível de atuação, e uma galera bater palmas pra produção. Esse é talvez um dos pontos altos do jogo e que faz com que ele seja bem mais do que realmente é.

Uma cidade mais viva do que o esperado

Isso porque Mafia 3 não traz nada de realmente inovador para o gênero de ação em mundo aberto. Tudo o que você vê nele é encontrado em outros jogos, mas a maneira como tudo é feito funciona tão bem que me deixou impressionado. Um exemplo: odeio ficar caçando colecionáveis em um mapa enorme. Fiz isso pouquíssimas vezes e porque eu adorei o jogo. Isso aconteceu com Assassin’s Creed 2, Batman: Arkham Knight e Mafia 3.

Eu poderia ter terminado o jogo em umas 25~30 horas, mas demorei bem mais porque fiquei caçando revistas Playboy (que inclusive trazem fotos dos ensaios da época), capas de discos e outros colecionáveis pelo mapa. Eu não ganhei troféu por fazer 100% de tudo isso e nem fiquei puto. Eu só gostei de ficar rodando por New Bordeaux, caçando esses itens.

A cidade é mais viva do que você imagina, até mais que em GTA 5. Você vê a galera conversando, correndo até o orelhão mais próximo pra chamar a polícia quando você faz merda, papeando em lanchonetes e afins. Inclusive, um elemento bem interessante é a época em que o jogo se passa.

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Por estarmos no sul dos EUA no final da década de 60, a segregação e preconceito contra negros é visto de maneira bem explícita no jogo. O que poderia ser um prato cheio pra galera que curte reclamar por qualquer coisa acaba sendo tratado de um jeito bem sóbrio, já explicado nos primeiros segundos de jogo. Não incluir o preconceito, atitudes e linguajar da época seria um desserviço a todos que viveram naquela época e lutaram por mudanças.

Por isso, é interessante que o personagem principal seja negro e como algumas pessoas reagem à simples presença dele em alguns lugares. Muitas vezes você entrará em uma lanchonete ou estabelecimento comercial e um aviso de “Vadiagem” já aparece na tela, com a polícia sendo chamada. Basta ir na porta para ver que é proibida a entrada de “pessoas de cor” no recinto e ficar puto no processo.

E é interessante o fato de que basicamente não existem mocinhos no jogo. Todos são pessoas ruins, criminosos, marrentos, mas você acaba se afeiçoando a Lincoln e seus motivos por tentar se colocar no seu lugar. Ele não é um sujeito que, do mais absoluto nada, pega uma arma e sai brincando de Charles Bronson em Desejo de Matar. Acontecimentos na sua vida e no ambiente em que vive o levam por esse caminho de destruição, que você se sente compelido a ir junto, dando tiro em todo vagabundo que aparecer na sua frente.

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MESMO ASSIM, Mafia 3 me deixou com menos vontade de sair dando murro em inocentes do que GTA 5. Apesar de vez ou outra isso se fazer necessário, eu não tinha aquela sensação de “VOU FAZER TOMBAR SÓ PORQUE EU POSSO” que eu tinha jogando GTA.

Mate geral, destrua coisas, roube carros, repita

Mafia 3 tem poucas variações em suas missões. Se sua história consegue embalar boa parte da empolgação do jogo, suas missões são um tanto repetitivas. O seu objetivo principal no jogo é desmantelar operações da máfia, repassá-las para parceiros (um deles sendo uma ligação direta com Mafia 2), e partir para a próxima missão.

Essas missões consistem em eliminar todo mundo em uma área, destruir propriedades ou roubar veículos. Como o jogo não é particularmente culto, chega em certo momento que você quer que a história avance de uma vez. A vantagem de Mafia 3 é que isso acontece com certa rapidez, dando a impressão que aquele esforço repetitivo realmente está te levando para algum lugar.

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Uma imensa vantagem de Mafia 3 em relação ao seu antecessor é o fato de que o jogo não parece mais ser uma linha reta. Enquanto na aventura em Empire City você tinha uma cidade imensas mal aproveitada em missões extremamente lineares, Mafia 3 usa bem o seu mapa imenso e variado, espalhando missões secundárias para que você fique horas jogando sem sentir que está sendo levado pela mão.

Trilha sonora dourada! Eu disse “DOURADA”!

A trilha sonora de Mafia 3 é também uma das melhores coisas do jogo. Recheada de músicas da época, as melodias também são usadas muito bem durante alguns momentos chave da história. Sim, algumas delas são bem manjadas (Paint It Black e Fortunate Son estão sempre perigando caírem naquele fosso de músicas que ninguém aguenta mais ouvir, mas são tão fodas que dane-se, bota pra tocar), mas a boa variedade de estilos faz com que seja agradável dirigir pelas ruas e pântanos de New Bordeaux ao som das rádios do jogo.

Inclusive, você pode ouvir a trilha inteira no Spotify:

Conclusão

Mafia 3 não deveria ser tão legal quanto é. Ele apresenta alguns defeitos bobos e, apesar de se mostrar claramente pronto, talvez mais um tempo para aparar algumas pontas o deixaria melhor. Mesmo assim, com uma história que realmente prende a atenção do jogador, um gameplay consideravelmente agradável e um cenário agitado, Mafia 3 mostra mais “alma” que muito jogo grande de mundo aberto por aí.

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