Review: Call of Duty: Advanced Warfare

Call of Duty. Todos os anos a Activision lança um novo capítulo da sua série, meio mundo reclama sem ter sequer testado o negócio, o jogo chega às lojas e rende um rio de dinheiro pra publisher.

Só que, algumas vezes, a Activision acerta a mão e um Call of Duty consegue ser algo além de um bando de moleque brincando de sniper e xingando a sua mãe em partidas online. Com Call of Duty: Advanced Warfare, a série olha para o futuro e mostra como não se tornou apenas reedições do mesmo jogo, mas com uns gráficos um pouco diferentes.

Also, Kevin Spacey.

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Uma campanha single player razoável. E Kevin Spacey

A Activision, desde o anúncio de Advanced Warfare, mostrava que o jogo teria elementos futuristas, como um exoesqueleto que mudaria a jogabilidade do game (já falamos sobre isso). Só que AW só capturou a atenção da galera que nunca se importa com Call of Duty quando foi mostrado que o ganhador do Oscar Kevin Spacey estaria no jogo.

Por causa disso, o modo história de Call of Duty, um dos elementos que a maioria vê como “tutorial para o multiplayer”, se tornou um dos pontos principais para se gastar tostões no título.

Contando uma história em, aproximadamente, sete horas, Advanced Warfare é exatamente aquilo que você espera de um Call of Duty: militares salvando o mundo, America FUCK YEAH, explosões e momentos que só fariam sentido em filmes do Michael Bay.

AMERICA! FUCK YEAH!
AMERICA! FUCK YEAH!

Note que, em momento algum, eu disse que isso é ruim. O negócio funciona dentro da proposta e até consegue fazer sentido quando coloca empresas entrando no “jogo da guerra” de maneira mais explícita.

É nesse esquema que conhecemos um soldado que, após ser ferido em combate e perder seu melhor amigo no embalo, acaba recebendo uma proposta do pai do sujeito, dono de uma imensa empresa especializada em “exércitos privados”. Algum país está com problemas? Eles vão lá e resolvem a treta.

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Basicamente, mercenários contratados por governos.

Com isso em mente, a história se desenrola de forma que você mata centenas de soldados no período de, aproximadamente, cinco anos, controlando drones, tanques especiais, e armaduras que tornam o seu personagem em um monstro de guerra.

Só que, ao terminar a campanha, fica a impressão de que ela poderia ser melhor, exatamente pelos nomes envolvidos nela.

Além do Kevin Spacey, que é sensacional nas cutscenes mais elaboradas (e muito bem feitas), seu personagem tem a voz e aparência do Troy Baker, responsável por praticamente todas as vozes de personagens maneiros nos videogames nos últimos 3 anos.

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É possível notar que, com esse talento disponível, o pessoal da Sledghammer Games e da Activision poderiam ter apostado em uma história um pouco mais intrigante e adulta, em vez de somente mais um blockbuster com uns atores maneiros.

Um modo multiplayer que chega a ser errado de tão divertido

Se o modo single player de Call of Duty: Advanced Warfare é apenas competente, o multiplayer, modo que a molecada AMA, faz realmente a diferença no título.

Com a inclusão do exoesqueleto ao seu personagem, a jogabilidade mudou, ajudando bastante no dinamismo das partidas. Se antes você era apenas um soldado ficando puto por bastadinhos que curtem ficar camperando de sniper, agora, você pode utilizar de saltos duplos, maior velocidade, e até camuflagem para se tornar invisível, tornando as batalhas muito mais divertidas de se participar.

Outro elemento do multiplayer que também chama atenção são os mapas disponibilizados. Apesar de existirem uns dois que me deram ódio profundo, a maioria dos campos de batalha permitem diversas táticas de combate, além de obrigarem mais os jogadores a “partir pra luta”, em vez de ignorar toda a inovação do gameplay para ficar agachado feito um idiota, esperando pra matar alguém à distância.

Sim, eu odeio snipers e campers. Putos.

Algo que também faz do modo multiplayer algo divertido é a fácil personalização de equipamentos, fazendo com que cada jogador possa participar de cada partida de maneira diferente da anterior.

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Apesar de isso já fazer parte da série, parece que em Advanced Warfare as coisas funcionam melhor e de maneira mais intuitiva para aqueles que não estão acostumados com a franquia Call of Duty.

Considerações finais (ou como eu me diverti jogando esse negócio)

Eu não gosto muito de FPS. Eu geralmente não tenho paciência pra ficar horas e horas matando inimigos, somente pra entrar em uma partida multiplayer e ser massacrado por jogadores que SÓ. JOGAM. ISSO.

O último Call of Duty que eu gostei mesmo foi o primeiro Modern Warfare. Depois, parecia mais do mesmo (apesar de ter ouvido coisas boas sobre o Black Ops).

A Activision anunciou Advanced Warfare quase como um recomeço da série. Após jogá-lo bastante, eu posso dizer que ele ainda traz muito das coisas boas e ruins da franquia, mas realmente cria um ambiente acolhedor para todos os tipos de jogadores.

Advanced Warfare não reinventa a roda. Ele apresenta bons gráficos, uma jogabilidade que responde bem aos seus comandos, uma campanha single player razoável e um modo multiplayer realmente divertido, não importa a sua experiência no gênero.

Kevin Spacey Call of Duty

Provavelmente, o próximo Call of Duty será meia boca, só pra manter a tradição, mas é impossível dizer que AW é ruim. O fato de eu continuar jogando FACEIRO depois de uma semana explorando tudo só mostra que, dessa vez, a Activision e o Sledgehammer Games acertaram a mão.

Se Advanced Warfare é realmente um recomeço e os próximos títulos continuarem subindo o nível de qualidade, talvez toda aquela galera que reclama do lançamento do novos Call of Duty suma e todo mundo pode ser feliz.

Um homem pode sonhar…

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