Resident Evil 7 ou “Como a Capcom conseguiu me puxar de volta”
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Eu adorava Resident Evil. Tinha algo nos jogos que me atraía de um jeito que outros não conseguiam. Quando meio mundo tinha um PlayStation, eu tinha um Nintendo 64. O dia em que eu li numa Nintendo World que Resident Evil 2 seria lançado pro meu videogame, VIBREI. Eu tinha jogado o 1 e o 2, bem de leve, na casa de amigo, mas, agora, eu poderia aproveitar o game em casa.

E nossa, como eu joguei aquilo. Resident Evil 2 foi o primeiro jogo que quase me fez quebrar um controle, totalmente sem querer e no susto. Eu adorava aquele jogo. Um tempo depois, tive a oportunidade de comprar um PS1 e consegui jogar Resident Evil 1, joguei o 2 novamente, e o 3. Eu ainda devo ter os discos guardados em algum lugar em casa. Quando Code Veronica foi lançado pro Dreamcast, eu quis ter um Dreamcast (maior frustração da minha vida).

O tempo passou e, já jogando no PC, pude jogar Resident Evil 4. Eu sabia que não era mais aquele Resident Evil que eu gostava, mas ainda consegui me divertir. Parecia mais um spin off do que qualquer coisa, mas eu aceitei. Aí o tempo passou e Resident Evil 5 foi lançado. Eu acho que o melhor jeito de definir o que sinto por ele é NOJO. Eu odeio Resident Evil 5. Muita gente fala que tudo mudou no 4, mas eu sinto que foi no 5 que tudo foi pra valeta.

Muita gente ainda tinha esperança pro 6, mas eu já não acreditei na demo, quando o Leon destruía zumbis na bicuda, fazendo eles explodir como se fossem piñatas. Eu sei que meio mundo gostou do Revelations, mas eu já tinha largado mão da série. Não tinha como me empolgar de novo com Resident Evil depois de ter virado só mais um jogo de maluco bombado dando tirinho.

Aí rolou esse anúncio na E3 2016.

A simples ideia de um novo Resident Evil no vácuo do cancelamento de Silent Hills, usando o mesmo estilo, parecia meio oportunista, mas, depois de anos, a série me parecia interessante. Algumas versões da mesma demo e eu ainda não sabia se aquela nova visão seria a melhor, mas eu com certeza estava interessado.

Então, com o jogo em mãos, comecei a jogar. E gente…

Bem vindo à família, filho!

A primeira grande sacada de Resident Evil 7 é retirar a história de perto da zona de Umbrella, Redfields, Leon e o escambau. Apenas aquilo que fez o primeiro Resident Evil funcionar: uma casa grande e alguém que não sabe o que vai encontrar na próxima sala.

A série Resident Evil começou a perder a sua essência no exato momento em que o jogador encarava tudo como um jogo de ação. Na minha cabeça, os primeiros jogos tinham momentos de ação, mas era algo bem mais tenso. Aí tem os títulos que caboco sai atirando feito louco e estourando bicho no murro e na bicuda.

A demo de Resident Evil 7 já mostrou que seria tudo diferente quando enfiou que tudo seria em primeira pessoa. Por um lado, fica meio evidente que a Capcom aproveitou o espaço deixado por Silent Hills (fuck Konami), já que a demo lembrava bastante aquilo, mas também outros títulos do gênero, como Outlast e Amnesia. A impressão que eu tive é que a Capcom olhou pra tudo isso, para a própria série Resident Evil (que tinha virado piada com o RE6) e mandou um imenso “Parou de palhaçadinha”.

A trama de Resident Evil 7 se mantém sem qualquer ligação a outro título da série, mas não tem medo de mostrar que existe dentro daquele mesmo universo. Seja ao colocar os Bakers, uma família de canibais no meio de pântanos de Nova Orleans, ou com os monstros que habitam o local, a Capcom conseguiu novamente introduzir tensão e peso para suas ações dentro do jogo.

Acabou a folia de sair dando tiro feito louco, com monstro derrubando munição e itens pelo caminho. Está de volta aquele cagaço ao enfrentar mais de um bicho e ver que se você não acertar no ponto correto, vai acabar ficando sem munição, precisando se defender com um canivetinho sem vergonha (que finalmente serve pra alguma coisa por aqui).

Uma volta às origens, mas com uma nova cara

A ideia de colocar o jogo em primeira pessoa funciona pelo simples fato que o estilo do primeiros títulos ficou tão gravado na nossa mente que seria quase impossível replicar a mesma sensação com ar de novidade. Resident Evil precisava se revitalizar e ao mostrar o mundo pelos olhos de Ethan, o herói do novo jogo, a Capcom conseguiu gerar aquele pânico e muitas vezes falta de esperança de sobreviver ao ataque de um louco ou monstro.

E é exatamente isso que me trouxe de volta para a série. Li muita gente (tonta) dando chilique, que o jogo não deveria fazer parte da série, no máximo um spin off. Interessantemente, é o mesmo povo que começou a jogar a partir do 4.

Durante muito tempo, Resident Evil não era zumbi, não era Umbrella ou aquela palhaçada que virou depois. Resident Evil que eu gostava era um jogo que me despertava uma sensação de tensão, de medo, de urgência. Eu acho que gosto mais do segundo jogo do que do primeiro pelo simples fato de que tanto a Claire quanto o Leon, eram pessoas comuns em situações absurdas, mais ou menos como acontece com Ethan em Resident Evil 7. Depois virou aquela putaria de “segurança de presidente” e o cacete a quatro.

Resident Evil 7 constroi tudo de um jeito que me fez querer jogar os games anteriores (o 5 e o 6 não porque não tô louco), mas é como se ele conseguisse realmente criar um novo começo para tudo e alguma coisa do que já foi mostrado vai acabar vazando nessa nova linha.

Resident Evil precisou chegar no fundo do poço, virar piada, pra Capcom parar e arrumar a casa de volta. Se Resident Evil 7 marca uma nova direção pra série, assim como o 4 foi, pelo menos, é uma direção fiel às origens de tudo. Só esperar pra não virar só mais um FPS safado com o passar do tempo.

Terror em realidade virtual

Resident Evil 7 é um excelente jogo de terror, sobrevivência e cagaço, com belos gráficos, violência e o escambau. Foi anunciado, lá na E3 2016, que o game teria suporte ao PlayStation VR. Vou ser sincero que, sem o aparelho, o jogo já te dá uns cagaços aleatórios.

Como o Froio é um dos tontos que gastou uma bala pra comprar um PSVR, nada mais justo que ele testasse RE7 no aparelho e nos desse um parecer. Essas são as palavras dele sobre o jogo:

“JOGUEI ATÉ ENTRAR NA CASA. A TENSÃO QUE O JOGO PASSA É TÃO GRANDE QUE EU NÃO ENTENDI SE O CHEIRO DE MERDA VINHA DA CASA HORROROSA DO JOGO, OU DAS FEZES ESCORRENDO PELA MINHA NÁDEGAS.

É BOM.

É TENSO.

JOGUE DE FRALDA”

O Froio é um tanga frouxa, tô vendo que eu mesmo vou ter que jogar mais esse negócio no VR e Resident Evil 7 é sensacional!

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