Normalmente, quando rola um festival de música, ele é marcado para o fim de semana. Mas dessa vez, não sei se quiseram inovar ou as datas de turnês das bandas não batiam, porque rolou na primeira quinta-feira de setembro, em São Paulo, o festival Rock Station, que reuniu alguns dos maiores nomes da atualidade e da origem do punk rock internacional: Offspring, Dead Kennedys, Anti-Flag e a nacional, Dona Cislene.

Sem muita enrolação, vamos para o que interessa, como foi esse show que fez com que muitos tivessem uma sexta-feira dolorida e “ressaquenta”.

Só um disclaimer antes de começar: devido a outros compromissos, não foi possível assistir o show da banda nacional Dona Cislene.

Fotos do site Besouros.net

Anti-Flag

O primeiro show internacional da noite foi do Anti-Flag, que começou muito bem, tocando suas músicas com uma velocidade mais alta do que gravadas nos CDs. Logo de cara, já tocaram The Press Corpse e Fuck Police Brutality. Duas músicas agitadas que fez com que já aparecessem algumas rodas no meio do público.

Até a metade, estava sendo um baita show, com a banda sempre interagindo com a galera entre as músicas, principalmente o baixista Chris #2. Porém, da metade do show para a frente, TODAS as músicas davam uma parada no meio para uma interação com o público. Ok… fazer isso em uma ou duas músicas é aceitável e traz realmente o público para o show. Mas fazer isso em todas só deixou o show cansativo. Ainda mais em momentos em que as músicas estavam no momento de “estourar”.

Anti-Flag (Foto: Reprodução/Fabio Besouro)

Anti-Flag (Foto: Reprodução/Fabio Besouro)

Com essas paradas para interação com o público, o show pareceu mais longo do que foi e deixou o público meio cansado, que desistiu de prestar atenção na banda, preferindo ir buscar uma cerveja gelada no bar. Nem o cover de Should I Stay or Should I Go numa velocidade absurda foi o suficiente para cativar o público que ainda estava chegando.

No meio da penúltima música do set (Die For Your Government, uma das mais famosas da banda), o baterista (que não era o original, apenas um substituto) desmontou sua bateria, levou a caixa e o bumbo para o meio do público da área VIP e terminou a música tocando no meio da galera.

O show ainda teve Power To The Peaceful para encerrar, com o baterista ainda tocando apenas sua caixa e bumbo, mas dessa vez em cima do palco. Foi quase uma hora de show, mas que pareceu muito mais devido à grande quantidade de paradas feitas para tentar uma interação maior com o público.

Dead Kennedys

Depois de uma troca relativamente rápida de equipamentos e com tempo suficiente para buscar mais uma cerveja (ainda gelada), entram no palco os pioneiros do punk rock americano, Dead Kennedys.

O show mais esperado da noite para os mais velhos começou com Forward To Death com um som um pouco abafado. Isso se concluiu em uma parada de quase 10 minutos entre a primeira a segunda música devido a alguns problemas técnicos.

Após a pausa veio Police Truck, Jock-O-Rama, Kill The Poor e MTV Get Off The Air, que o vocalista trocou a letra para MP3 Get Off The Web.

Dead Kennedys (Foto: Reprodução/Fabio Besouro)

Dead Kennedys (Foto: Reprodução/Fabio Besouro)

É bom destacar que o novo “velho” vocalista dos DKs, Ron Greer, até tenta ser tão sarcástico quanto Jello Biafra, mas não rola…. Biafra sempre foi conhecido por fazer discursos durante os shows, criticando desde o sistema penitenciário até o governo propriamente dito, e o que o Ron faz? Crítica o futebol!!! Dizendo que os brasileiros não sabem o que é futebol, que “Soccer” é para criancinhas. Ninguém deu bola para as provocações do vocalista.

Continuando o show, rolou Too Drunk To Fuck, Moon Over Marin, Nazi Punks Fuck Off (com o baterista, D. H. Peligro, chamando o público para gritar bem alto o refrão) e finalizando com a clássica California Über Alles. Essa sim fazendo algumas rodas maiores aparecerem.

Na volta para o bis, rolou o já manjado cover de Viva Las Vegas e a famosa Holiday In Camboja.

Tirando o vocalista que não tem o mesmo sarcasmo de Jello, os DKs conseguiram mostrar porque são uma autêntica banda punk em cima do palco. Apesar da “ótima” atuação do guitarrista, East Bay Ray, que errava direto as músicas e o som meio precário do começo do show. Mesmo assim vale a pena ver esses caras ao-vivo, seja por causa da quantidade de clássicos ou por causa de sua história com o punk.

The Offspring

Mais uma troca de palco e tempo para mais uma cerveja (dessa vez quente porque acabaram as brejas geladas em todos os bares da pista comum), é hora da principal atração da noite entrar no palco.

A música que abre o show da banda californiana é You’re Gonna Go Far, Kid. O suficiente para fazer o público começar a agitar e abrir as maiores rodas até então. Em seguida, The Noose do álbum Splinter, e então a primeira clássica da noite: Come Out And Play.

Nem termina direito a terceira música do show, o vocalista Dexter Holland deixa a guitarra de lado, chega no microfone e diz: “OK! YA YA YA YA YA!!!” Pronto!!! Foi o suficiente para transformar o local numa imensa roda, agitando todo mundo. (Se você ainda não percebeu, essas são as primeiras palavras de All I Want). Nessa hora, a cerveja (quente) saiu voando e o espírito de 15 anos deste que vos escreve desceu no corpo (depois de um minuto de música, o espírito saiu e as dores dos depois dos 30 apareceram instantaneamente).

O show continou ainda com Coming For You, Original Prankster, What Happened To You, Staring At The Sun e, para a surpresa de muitos, The Meaning of Life – a faixa que abre o Ixnay On The Hombre. De acordo com o guitarrista Noodles, essa foi uma das mais pedidas pelos fãs.

The Offspring (Foto: Reprodução/Fabio Besouro)

The Offspring (Foto: Reprodução/Fabio Besouro)

Finalizada a música, as primeiras notas do baixo de Bad Habit começam e mais rodas imensas se abrem no meio do público. Hit That é a próxima e, então, o show entra na parte “enrolação”, na qual Dexter troca a guitarra pelo violão para tocar Kristy, Are You Doing Okay e o plágio de Ob-La-Di Ob-La-Da Why Don’t You Get A Job?

As quatro últimas músicas do show são: Want You Bad, (Can’t Get My) Head Around You, Pretty Fly (For A White Guy) e The Kids Aren’t Alright.

Pausa para o famigerado bis, voltam com Americana e terminam com a clássica Self Esteem.

Podemos dizer que esse show do Offspring foi padrão, misturando músicas clássicas – dos álbuns Smash e Ixnay On The Hombre – com a fase “mais pop” e deixando de lado muitas das músicas mais recentes. Não que isso seja ruim, os caras têm bastante músicas conhecidas, tocam bem e o show é animado, principalmente pelo guitarrista Noodles que interage bastante com o público (em certo momento, ele chegou a dizer que teve três ereções durante o show). Mas, na quase uma hora e vinte de show, faltaram clássicos como: Gotta Get Away, Genocide, Mota e Gone Away.

Enfim, foi divertido e ao mesmo tempo cansativo, principalmente por ter sido numa quinta-feira. Tomara que as próximas edições do festival sejam de fim de semana e que tenha cerveja gelada até o final!!!

The Offspring Setlist Rock Station 2016 2016

Dead Kennedys Setlist Rock Station 2016 2016

Anti‐Flag Setlist Rock Station 2016 2016

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