Review: Marvel’s Daredevil

Quando a Marvel conseguiu os direitos de Demolidor de volta da Fox, muita gente se empolgou com a possibilidade de um filme bem feito do herói. Com o anúncio de que Matt Murdock estrelaria uma série exclusiva do Netflix, muita gente ficou um pouco cabreira, mas ainda esperançosa com o potencial. Agora, com a primeira temporada completa disponível no serviço, é possível dizer com todas as letras: MARVEL’S DAREDEVIL É FODA!

Resolvi ser um ridículo e assim que os episódios foram disponibilizados (4 da manhã do dia 10 de abril), comecei a assistir tudo, um atrás do outro. 12 horas depois, com um pouco de alimento no corpo e sem dormir, chegou a hora de falar mais sobre a primeira série realmente decente com um super-herói da Marvel (ainda não consigo gostar de Agents of S.H.I.E.L.D.).

Como criar um universo coeso e diversificado

Logo nos minutos iniciais do primeiro episódio de Demolidor, somos lembrados da batalha de Nova York, o climax de Os Vingadores, e como ela afetou as pessoas da cidade. Em vez de ser um momento “OLHA LÁ ELES JUNTANDO TUDO”, a maneira como isso acontece e é desenvolvido na trama mostra como a Marvel pegou o jeito desse negócio de Universo compartilhado.

A Batalha de Nova York acaba servindo como mote de um grupo de alguns empresários que querem tomar conta da Cozinha do Inferno. Parece bobo, mas com poucas frases, Demolidor consegue se situar de maneira muito mais natural do que, por exemplo, Agents of S.H.I.E.L.D., que demorou muito para começar a andar com as próprias pernas.

Demolidor se mostra presente entre Homem de Ferro, Thor e Capitão América, mas é como se a série perdesse as rodinhas de apoio logo no começo e saísse dando pulo e seguindo em frente cheio de segurança.

demolidor roupa preta

A série é diferente de tudo o que a Marvel fez até agora, mas ela ainda parece parte de tudo aquilo que já vimos nos cinemas. É impressionante como todo aquele clima heróico dos Vingadores é mostrado de um jeito mais cru aqui.

É como se a Marvel tivesse deixado para os cinemas e para sua série na TV aberta uma apresentação mais branda e digna das maquinações dos heróis, enquanto reservou para as séries do Netflix o lado sujo e mais realista do “povo da rua”.

Como construir seus personagens

Demolidor apresenta para o mundo o advogado Matt Murdock no seu início de carreira como o vigilante mascarado, enquanto está abrindo o seu escritório de advocacia com o amigo Foggy Nelson. A série consegue equilibrar muito o drama com o Murdock e os momentos que vemos um vigilante arrebentando os outros na porrada.

Wilson FiskTalvez por ter mais tempo para contar melhor suas história, praticamente todos os personagens principais têm suas personalidades desenvolvidas de maneira incrível, fazendo com que você compreenda os motivos por trás de suas ações, por mais que você não concorde.

O Matthew Murdock interpretado por Charlie Cox é um homem atormentado pelas suas escolhas, seja por não saber se está no caminho correto, mas, ao mesmo tempo, sentindo que essa é a sua missão na vida. Como nos quadrinhos, a religiosidade do personagem é bem explorada, mostrando um conflito interno causado pela sua fé o seu senso de certo e errado.

Quando eu comecei a ver algumas imagens e vídeos da série, estava realmente ressabiado com o Cox como o Murdock, mas basta um episódio para ver que a Marvel acertou em cheio com o ator. O mesmo vale para Vincent D’Onofrio como Wilson Fisk.

O vilão é mostrado como uma pessoa frágil, tímida e que parece não notar o seu corpanzil imponente. Por alguns momentos, você até pensa que como esse cara vai se transformar no Rei do Crime, mas isso muda em uma das cenas mais inesperadas da série e do Universo Marvel nos cinemas e TV.

Quando você assistir, vai entender, mas o choque da violência extrema no mesmo universo que nos deu Homem de Ferro, Os Vingadores e Guardiões da Galáxia é fantástico para mostrar que existem tantas possibilidades de novas histórias que fica impossível não se empolgar.

Algo bem interessante sobre o Fisk é que, em dado momento, é mostrado a sua juventude e, em pouquíssimas cenas, o ator que o interpreta jovem conseguiu mudar a minha opinião sobre o personagem, fazendo com que eu me importasse muito mais do que poderia imaginar.

O resto do elenco está muito bem, fazendo um belíssimo trabalho nos seus papeis, como Elden Henson, que está perfeito como Foggy Nelson. E só pra constar, a Deborah Ann Woll aparece “pelada” mais rápido em Demolidor do que em True Blood. Pois é. <3

Quando os socos não fazem os inimigos atravessar paredes

Uma das graças do Demolidor é o fato de ele ser apenas um cara com os sentidos aguçados, mas ainda um homem “comum”. Quando ele soca alguém, não é um deus, um supersoldado ou um monstro. É só um cara.

E isso é usado de maneira fantástica nas cenas de ação da série. Todo mundo vai falar do final do segundo episódio, numa sequência que consegue rivalizar com a tensão da cena do corredor em Oldboy (sério), mas todas as cenas de ação do seriado são sensacionais por mostrar que ele não é extremamente forte.

Ele soca, chuta, quebra ossos, mas, mais de uma vez, os inimigos voltam e sentam a porrada nele também. Isso mostra uma vulnerabilidade que acaba criando uma empatia automática entre o espectador e o herói, fazendo com que você torça ainda mais pra vê-lo arrebentar todo mundo.

Uma coisa que é válido mencionar é que Marvel’s Demolidor não é uma série para crianças. Apesar de o próprio personagem já apresentar um clima bem mais sério e sombrio, a série é divertida, mas quem acha que é a mesma coisa que assistir a um dos filmes já lançados da Marvel, vai se impressionar.

É possível dizer que Capitão América 2 é o filme que mais se assemelha a Demolidor, mostrando as coisas com uma perspectiva mais adulta e menos “pra família”. O fato de rolar decapitações, fraturas expostas, tiros, facadas e MUITA PORRADA FEIA só vira a cereja do bolo e me deixa assustado com a possibilidade de uma série do Justiceiro.

O uniforme

Ok, todo mundo já viu o uniforme novo do Demolidor, que realmente só aparece no último episódio. Como ele chega até esse visual é interessante, mas vou ser sincero ao falar que, mesmo achando estranho (existem algumas mudanças que eu ainda não consegui me acostumar), a primeira vez que vemos o Charlie Cox com a roupa vermelha é aquele momento “FUCK YEAH” que todo super-herói merece.

Mas sim, Ben Affleck continua com o melhor uniforme do Demolidor e um dos melhores do Batman. Que mundo esse em que vivemos.

Marvel, você tinha a minha curiosidade, mas agora tem minha atenção

Quando a Marvel anunciou as séries junto com o Netflix, eu fiquei intrigado. “Isso vai dar muito certo ou muito errado”, eu pensei. Após 12 horas seguidas e nenhum momento de sono, porque realmente o negócio é tão foda que eu simplesmente fui assistindo os episódios sem parar, posso dizer que a Marvel acertou bonito a mão com a sua primeira série adulta.

Jessica Jones é a próxima, seguida de Luke Cage e Punho de Ferro, todas com potencial para continuar nesse embalo fantástico iniciado por Demolidor.

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Talvez, vejamos mais sobre o esquema de identidades secretas (o Demolidor deve ser o primeiro herói a realmente esconder sua identidade do público, algo que deveria ser abordado em Capitão América: Guerra Civil), ou só teremos histórias mais adultas no Universo Marvel nos cinemas e TV. Depois da primeira temporada do Atrevido, eu só posso falar “MARVEL, ME DÁ UM ABRAÇO”.

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