Review: Life is Strange — Episode 1: Chrysalis

O que você faria se pudesse voltar no tempo? Esqueça viagem no tempo do tipo “Vou voltar pra matar o Hitler”. Você pode voltar (e avançar) apenas em momentos próximos que você viveu. É mais ou menos isso o que Life is Strange tenta apresentar, mas, em apenas um episódio, mostra que existe muito mais para mostrar do que você pode imaginar.

Escolhas, escolhas e mais escolhas

Life is Strange conta a história de Max, uma jovem que, depois de alguns anos morando em Seattle, volta para a sua cidade natal para estudar em uma prestigiosa escola de fotografia. Um dia, sem querer, ela descobre que possui o poder de voltar no tempo, podendo consertar pequenos erros e seguir adiante.

Uma das coisas que mais me impressionou no jogo foi o fato de que a sensação de que suas escolhas realmente têm peso é real e absurda.

Ao contrário de alguns jogos da Telltale, em que existe a ilusão da escolha (nada realmente drástico é alterado na trama conforme o caminho que você toma), em apenas um episódio, Life is Strange consegue fazer com que você fique tenso a cada momento, não pelo que acontece, mas sim pelo que você acredita que virá a acontecer. E essa tensão existe pela maneira como os personagens e a história é apresentada para você.

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Os produtores de Life is Strange (os mesmos de Remember Me) conseguem fazer com que cada ação tenha peso. Isso provavelmente aconteça porque o tema de viagem no tempo permite toda uma gama de acontecimentos proporcionados pelo “Efeito Borboleta”, em que uma pequena mudança pode causar problemas imensos no futuro.

Um reencontro e novas possibilidades

No primeiro episódio de Life is Strange, ficamos sabendo um pouco de como é a vida na Blackwell Academy, a escola de fotografia, além de conhecermos mais sobre Max, a personagem principal. A opção de ler o diário da personagem, suas mensagens de texto e e-mails ajuda horrores a você saber como ela pensa, seus medos e aspirações.

Por causa dessa construção, que o jogo até estimula a explorar, você acaba se importando com ela e criando uma conexão. Isso é interessante porque, apesar de ela parecer frágil, conta com o poder de controlar o tempo, o que a torna absurdamente poderosa.

Isso é mostrado em interações com outros estudantes da escola, assim como algumas ações que trazem consequências reais e quase instantâneas. Só que é no reencontro de Max com sua antiga melhor amiga, Chloe, que o jogo mostra exatamente para onde quer ir.

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Não, ao contrário do que muita gente achava, só porque são duas personagens femininas e tudo mais, não rola nenhum clima, mas o fato de serem duas mulheres ajuda bastante na dinâmica do relacionamento, além de mostrar a amizade de uma maneira um pouco diferente da que eu estou naturalmente acostumado. Em resumo, funciona dentro da história e não está ali só pra agradar um grupo ou pra “ser diferente”.

Ao encontrar Chloe, a história de Life is Strange ganha novas dimensões, caminhos que poderá seguir, desde resolver problemas comuns que jovens podem enfrentar, até passando pela investigação do sumiço de uma estudante e quem sabe a obliteração completa da cidadezinha em alguns dias. Isso faz com que, ao terminar o primeiro episódio, você fique ansioso pela chegada do próximo (isso acontecerá em março).

Hipsteragem forte que funciona bem

Life is Strange pode ser considerado por alguns um jogo “hipster” demais, seja pelo local escolhido para a história (região próxima de Seattle), o estilo dos personagens, a trilha sonora (que você pode ouvir ali embaixo e é realmente boa no game), o esquema “vamos todos ser fotógrafos e tirar fotos de borboletas” e coisas do tipo. Porém, tudo é apresentado de uma maneira tão “Ok, as coisas são assim por aqui” que você acaba não se importando.


São apenas pessoas vivendo suas vidas e uma jovem passando por uma situação fantástica. Assim como vários filmes e livros que você encontra por aí, Life is Strange não tenta se encaixar dentro daquilo que todos esperam de um videogame. O jogo apenas utiliza das ferramentas de interação e escolha do jogador para contar uma história, que pode seguir o caminho que você quiser.

No final das contas, Life is Strange consegue, com apenas com um episódio lançado, ser um dos melhores adventures dos últimos tempos. Sim, isso pode parecer exagerado, mas ele consegue envolver o jogador de uma maneira que poucos títulos conseguiram nos últimos anos. Se o pessoal da Dontnod Entertainment conseguir manter o nível (ou quem sabe até subir) nos próximos episódios, ainda lembraremos com carinho desse jogo nos anos que virão.

Veredito

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