Quando Dead Island foi anunciado, através de um trailer sensacional, o mundo entrou em polvorosa, já que a ideia de um jogo de zumbis com uma pegada mais emocional tinha potencial. Era uma época sem adventure do The Walking Dead, então geral se apegava no que tinha. O jogo saiu e era um FPS maroto, em que você corria feito um idiota por uma ilha, dando porrada nuns zumbis bestas. Não era um jogo BOM, mas era divertido demais sair dando porrada e criar umas armas absurdas pra trucidar mortos vivos. O tempo passo e então veio Dying Light.

Produzido pela mesma galera da Techland, Dying Light parecia, à primeira vista, um Dead Island um pouco melhorado, com cenários maiores e uma ênfase em free running, o parkour moleque e que salvaria a sua vida no jogo. Os produtores falaram que não seria assim e que Dying Light conseguiria ser superior ao jogo da ilha. Será que conseguiu?

CORRE, DESGRAÇA!

Dying Light tem como sua maior novidade o esquema de free running. Agora, você pode sair correndo feito louco pelo cenário, se agarrando em pequenas beiradas para conseguir se livrar da horda de zumbis que estão espalhados pelo cenário.

Inicialmente, esse esquema é um lixo. Ele não funciona tão bem como deveria e você parece ser uma lesma. Só que, com o avanço do game, é possível notar uma melhoria no seu personagem, graças ao sistema de níveis do jogo, permitindo que você se movimente com mais facilidade pelo cenário.

Dying Light

Esse sistema de níveis, baseado em três árvores (Sobrevivência, Agilidade e Força) é interessante, mas não chega a ser particularmente inovador, além de ser um tanto limitado. No final das contas, você acaba nem se importando tanto com ele, apenas avançando de uma missão para outra, sem pensar muito e só reagindo.

Uma história bem sem vergonha

A trama principal de Dying Light começa mostrando algum potencial. Uma cidade, aparentemente no Oriente Médio, é vítima de uma epidemia que toma conta de grande parte de sua população. Os infectados logo se tornam zumbis violentos e que correm, também conhecidos como O PIOR TIPO DE ZUMBI. Você controla um agente de uma organização governamental que deve se infiltrar nos sobreviventes, já que um vilãozinho sem vergonha pode ter informações sobre uma cura. Logo que chega, o sujeito é mordido e a busca de uma cura se torna mais pessoal.

Ele conhece o pessoal, entende as suas aflições e você já pode ter uma noção do que acontece daí pra frente. Só que tudo o que acontece ao longo da trama é absurdamente previsível, o que mata qualquer envolvimento que você possa ter com a história. Gente morre e você fica só “Ok, o que eu tenho que fazer agora?”.

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As missões do jogo também não ajudam nem um pouco, já que são basicamente “Saia de ponto A, vá para ponto B, pegue item, volte para ponto A”. Só isso. Todo o lance de “À noite as coisas ficam mais perigosas” existe, só que é tão tranquilo simplesmente deixar quieto e não sofrer, apenas dormindo mais em esconderijos que esse elemento do jogo acaba se tornando apenas um extra, não afetando de verdade o seu gameplay.

Uma experiência vazia

Por causa desses problemas citados acima, Dying Light acaba se tornando uma experiência em que você realmente não se importa com nada o que está acontecendo na tela. Ele traz alguns cenários interessantes, graficamente o jogo não é horrível (mas também não é o primor da nova geração), mas sabe quando você acaba jogando por jogar? Nada realmente te prende como deveria. Por exemplo, com todos os defeitos que tinha, Dead Island ainda tinha um contexto interessante, por mais que fosse repetitivo e absurdamente chato de se jogar sozinho.

Dying Light acaba se tornando uma lista de locais para ir, pegar algo e voltar, tornando tudo tão automático na mente do jogador que perde a graça. Nem a possibilidade de criar armas absurdas (algo que funcionou bem melhor em Dead Island) consegue deixar as coisas mais legais. É tudo tão meh que não tem como evitar o pensamento que o jogo foi um grande desperdício. Ele conta com alguns elementos que o tornariam em algo muito mais legal, mas ele não tem um momento em que você fala “Ok, agora vai”.

E nem adianta falar “Mas jogando com amigos funciona”, porque qualquer jogo, até sendo uma bosta, fica divertido jogando com os outros. Se o único jeito que um jogo pode ser legal é sendo jogado em multiplayer, tem algo errado se ele tem um modo principal single player.

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No fim, Dying Light acaba sendo aquele tipo de jogo que não impressiona. Ele simplesmente existe e você pode passar a sua vida sem jogá-lo e nada vai mudar. Acho que esse é o grande problema do game. Ele não é bom o suficiente para você jogar faceiro, nem ruim o suficiente para você não chegar perto.

Ele fica num meio termo insosso. E isso é a pior coisa que ele poderia fazer.

Veredito

Vaultinho ficou triste com o potencial desperdiçado
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Dying Light foi analisado no PlayStation 4, em cópia cedida pela Warner.

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