Pit-Fighter: 25 anos depois

Uma madrugada dessas, conversando bobagem no Whatsapp, que o Oda mandou: faz um review de Pit-Fighter. Voltei uns 25 anos no tempo! Cara, que jogo horrivelmente bom. Então, com isso em mente, achei de meter as caras e fazer a parada. Mas não queria estragar minha memória afetiva dessa bela porcaria de jogo, então decidi não jogar mesmo, vai ser direto dos tempos que eu era um moleque que juntava trocados pra jogar videogame em locadora.

Sim, ignorei completamente o “faz um review” e só foquei no “Pit-Fighter” mesmo.

pit-fighter 1

Pit-Fighter de cabo a rabo

Talvez muita gente nem tenha ideia do que eu tô falando, mas pensa um pouquinho no nome… O que raios é um pit-fighter? Sabe rinha de galo? É isso, mas com gente. Pois é, lembre que essa era uma época em que uma criança podia ir pro cinema e ver peitinhos em filmes censura livre, imagina se não ia ser de boas jogar um troço com essa premissa! Fora a violência desmedida, o que chamava realmente atenção no jogo era o fato de usar atores reais, isso uns bons dois anos antes de Mortal Kombat! Não era nem de longe perfeito e falhava até em ser bem feito, a movimentação era meio dura, a resolução era meh, mas aquilo, pra época, era absurdamente incrível.

A história do jogo… Que história? Não tinha história, cara! Você escolhia um lutador das três opções disponíveis e sentava a mão em vagabundo, simples assim. As opções eram Ty, um kickboxer baixinho, Buzz, um wrestler marombado, e Kato, um mestre de kung fu. Naquela época, a molecada pirava em filme do Van Damme, então nem precisa ser gênio pra entender o motivo do favorito ser o Ty, ainda mais que o golpe especial do sujeito era uma voadora giratória tipo a do final de O Grande Dragão Branco. O outro motivo era que o Ty conseguia ser o mais rápido de todos. Os outros dois animais ficavam comemorando tempo suficiente pra tomar um contragolpe.

pit-fighter 3

O jogo era no esquema versus, cada fase contra um oponente. Basicamente, cada personagem tinha soco, chute, pulo e se apertasse tudo junto saia o especial, ou seja, era só ficar martelando os 3 botões ao mesmo tempo ALL THE FREAKING TIME!

Os cenários eram galpões, garagens, bares, estações de metrô e, em todos, rolava uma galera torcendo loucamente nos 4 cantos da tela, inclusive você podia ir pra galera e ser empurrado de volta. Algumas vezes saía até um mais animado com uma faca na mão pra cima dos lutadores. Era porradaria franca.

E em algumas fases haviam uns itens como latões, facas, shurikens  e até motos, que podiam ser arremessados contra os oponentes. Alguns latões quando quebravam, deixavam uma bolinha com a letra P, a power pill, e quem pegasse ficava piscando virado no Jiraya e dificilmente era derrubado com algum golpe enquanto estivesse sob efeito das dorgas.

Uma coisa muito doida é que não tinha essa de recuperar vida entre um combate e outro, então pra chegar no fim sem usar Continue, você tinha que ralar mesmo. A cada oponente derrotado, uma animação do seu personagem numa empilhadeira e uma pilha de dinheiro se formando embaixo dele, porque o dinheiro movimenta o mundo.

A cada tantas fases (3, se não me falha a memória), rolava uma fase bônus chamada Grudge Match, onde você enfrentava um clone de si mesmo ou, se estivesse jogando com um amigo, um contra o outro. Perdia quem beijasse o chão três vezes. E justamente depois disso rolava uma foto do chefão final do jogo falando alguma coisa que o áudio da época tornava impossível de entender, mas era alguma ameaça, certeza! Acho.

Aliás, o chefe, que se chamava Warrior, parecia ter saído diretamente de um filme do Mad Max. Era um maluco musculoso com uma meia calça na cara e uma roupa de couro.

No final, chuva de dinheiro, duas gostosas apareciam de lugar nenhum andando em câmera lenta na sua direção e uma ajoelhava na sua frente parecendo que ia… Vocês entenderam! Fim, créditos, cabô joguinho. Se durava meia hora era muito, mas tá aqui 25 anos depois vivo na minha mente.

( ͡° ͜ʖ ͡°)
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As versões

Esse era o bom!
Esse era o bom!

O jogo saiu pra fliperama em 1990 e foi portado para um monte de consoles domésticos apenas um ano mais tarde, incluindo aí até o Game Boy e o Master System. Eu joguei muito no Mega Drive, na minha cabeça o port do Super NES saiu bem depois, mas na Wikipedia diz que foi no mesmo ano. Veja que surpresa pra mim! Vai ver só demorou pra chegar aqui, sei lá.

Fato é que havia uma lenda de que o do Mega Drive é que era o melhor, mas, na real, eu acho que era só porque ficava mais fácil de apertar os 3 botões ao mesmo tempo pra ficar na mamata do especial.

Nunca tive a honra de jogar o original de arcade, por isso tive a curiosidade de ver ao menos um vídeo e que diferença brutal! Começa que, enquanto nos consoles a câmera era bem aberta mostrando, praticamente, o cenário inteiro, no fliperama a câmera fica quase em close nos lutadores, deixando os bonecos grandões. E a definição, tem nem o que dizer: dá pra ver até os mamilos dos caras! Em termos de jogabilidade, ele parece bem menos duro na movimentação, mas não parece ser tão melhor assim. Na época ia explodir minha cabeça, certeza, porque os tempos eram mais simples mesmo.

Na balança (ou na empilhadeira, RÁ!)

O jogo realmente nunca foi bom. Era um jogo de luta simples, meio que um sidescroller beat’em’up como tantos outros. Foi revolucionário por utilizar atores reais e já merece destaque pela vanguarda, mas a jogabilidade era ruim. Os botões não respondiam tão bem, a movimentação era lerda e não tinha história, logo nada de se envolver com um ou outro personagem.

Era porradaria sem muito compromisso, simples, mal feito, porém divertido o suficiente pra perder algumas horas com os amigos. Nisso ele tinha uma vantagem sobre os demais, porque você jogava cooperativamente. Era como poder jogar Street Fighter II com uma pessoa de Ryu, a outra de Ken e eles sendo amigues. E isso são minhas impressões baseadas nas minhas memórias de moleque, jogando hoje em dia talvez não aguente 5 minutos e, se aguentar, vai ser por puro saudosismo ou masoquismo.

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