O que Demolidor tem a nos dizer sobre as futuras séries da Netflix e sua segunda temporada?

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Depois de muito espera, a série do Demolidor chegou à Netflix superando todas as expectativas. Foi a redenção do personagem e, se você ainda não terminou de assistir aos 13 episódios, pare tudo o que está fazendo e vá agora fazer isso. É sério.

Só que, ao mesmo tempo em que acompanhamos a origem do herói cego, a ascensão do Rei do Crime e a luta para proteger a Cozinha do Inferno, o seriado acabou com várias questões não sendo respondidas. São pontos que, a princípio, parecem servir de gancho para uma eventual segunda temporada, mas que podem revelar muito mais dos planos da Marvel para suas demais séries.

A gente já sabe que o estúdio tem, pelo menos, mais quatro seriados engatilhados. AKA Jessica Jones chega ainda neste ano, sendo seguida de Luke Cage e Punho de Ferro em 2016. E, assim como aconteceu nos cinemas, todas essas histórias vão convergir na criação de um novo grupo, os Defensores.

Só que, o que pouca gente percebeu, é que Demolidor já introduz alguns elementos que só vão ser mais desenvolvidos, explicados ou gerar consequências nessas outras produções – e é um pouco sobre esse futuro do universo Marvel na Netflix que a gente quer destrinchar.

A guerra invisível

O sétimo episódio é a peça-chave para entender o que está por vir. Não é à toa que “Bastão” ficou exatamente no meio da temporada, servindo de divisória do que era o herói e daquilo que ele precisa se tornar.

Demolidor

Esse capítulo introduz muita coisa e levanta tantas questões que não foi difícil encontrar gente dizendo que ele era o mais estranho de toda a série, principalmente por parecer estar deslocado de toda a trama que foi construída até ali. E eles não estão errados.

Enquanto todos os demais episódios são inteiramente baseados na relação do Demolidor, de Wilson Fisk e dos demais personagens com a Cozinha do Inferno, Bastão vai além. Ele traz cenas no Japão, introduz uma espécie de intriga muito maior e apresenta um personagem importante no passado de Matt que, como todo bom mentor, é velho e parece não falar coisa com coisa.

Só que, mais do que isso, ele faz várias referências a algo que é claramente muito importante, mas que ninguém se dá ao trabalho de explicar o que é: a tal guerra. Em vários momentos do episódio, Stick comenta que eles estão em meio a uma batalha e que o próprio treinamento do jovem Murdock foi feito já pensando nesse conflito e não em transformá-lo em um vigilante.

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Tanto que o velho diz que nem mesmo o encontro dos dois foi ao acaso. No flashback em que mestre e pupilo estão no parque tomando sorvete, Stick fala claramente que ele não foi até lá porque a freira o chamou, mas porque ele sabia que Matt era especial. E essa relação só acaba quando o garoto mostra um pouco de sentimentalismo e seu tutor vê nisso um fracasso, o que o velho reforça anos mais tarde no apartamento do Demolidor.

Mas o que isso realmente significa?

O episódio explica que a razão dai ida de Stick a Nova York é para impedir que Nobu receba um carregamento nas docas – o tal Céu Negro. Nesse ponto, o velho explica que eles fazem parte de organizações rivais e que essas duas partes são as grandes protagonistas dessa guerra que, segundo ele, e bem maior do que toda a zona que a Cozinha do Inferno virou.

Demolidor

É aqui que entram dois nomes que são bem importantes dentro da história do Demolidor e que certamente vão ganhar importância nas próximas séries.

Nos quadrinhos, Stick faz parte de uma ordem milenar conhecida como Virtuosos. Em resumo, trata-se de uma variação da filosofia samurai que persiste até hoje e trava uma guerra nas sombras com outro grupo tão antigo quanto: o Tentáculo, formado por ninjas místicos e que tiveram um papel bem significativo dentro das histórias do Demolidor nas últimas décadas — principalmente por recrutarem Elektra, a ex-namorada grega de Matt que é citada no episódio 10, Nelson X Murdock.

Mais do que isso, o Tentáculo é referenciado várias vezes em outros capítulos como uma organização a ser temida. O próprio Wilson Fisk tem medo dela, como na cena em que Owlsley questiona sobre o papel de Nobu dentro do esquema e o Rei do Crime diz para deixar isso quieto. Então, o episódio 9 já começa nos mostrando o porquê disso quando o japonês aparece vestindo como um ninja em uma batalha contra o Homem Sem Medo.

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Esse papo pode até soar bem absurdo dentro do tom realista e urbano da série, mas toda essa história de samurais, artes místicas e o diabo a quatro aparece em vários momentos da trama — alguns bem sutis e outros mais explícitos. Afinal, como um velho cego ia ser tão bolado daquele jeito? Murdock tinha uma pré-disposição por conta do acidente, mas as habilidades de seu mestre tinham outra origem.

Ainda em Bastão, Stick explica para Matt como ele devia “ler” o mundo à sua volta a partir dos outros sentidos, quase como se sentisse a vida das coisas. Mais para frente, na cena em que o garoto entrega a pulseira ao professor, ele comenta sobre o poder da meditação e diz que isso pode até mesmo “fazer com que suas feridas curem mais rápido” — algo que dá a entender o Demolidor realmente já é capaz.

E, embora não seja dito abertamente, tudo leva a crer que tanto a habilidade de Stick quanto a tal força que permite essa recuperação acelerada são oriundas do chi, a energia vital de tudo. Sim, aquela mesma existente em muitas religiões orientais e que, no Universo Marvel, está diretamente relacionada aos misticismo envolvendo o Punho de Ferro.

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Isso significa que Matt não foi treinado apenas por ser um garoto cego, mas por ser alguém que já tinha uma disposição maior de usar o chi — o que foi potencializado quando ele perdeu a visão após o acidente do primeiro episódio. É por isso que ele era visto como um guerreiro em potencial na luta dos Virtuosos contra o Tentáculo. O próprio velho diz que ele nasceu “ganhando na loteria”.

É aí que entra a cena final de Bastão, quando Stick aparece conversando com uma figura misteriosa cheia de cicatrizes nas costas que pergunta se Murdock estará pronto “quando as portas se abrirem”. Não há nenhuma explicação na série para aquilo, mas a cena é diretamente retirada da HQ O Homem Sem Medo, de Frank Miller, que revela que o cego estava se reportando a Rocha, outro membro dos Virtuosos.

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Quem é a velha?

Outra pergunta que permanece sem resposta em Demolidor envolve a Madame Gao. A velha não existe nos quadrinhos e ela dá vários indícios de que é muito mais do que aparenta ser. Não apenas por dar um golpe de kung fu no herói que o joga longe no episódio 11, mas porque ele tem falas bem enigmáticas que certamente escondem coisas que não somos capazes de sacar em um primeiro momento.

Pouco antes de acertar o Demolidor, Gao explica o porquê de os chineses serem cegos em sua fábrica de heroína. Ela explica que eles fizeram isso neles mesmos por fé em algo que ia “além das distrações” do nosso mundo. Repare como ela fala “your world“, deixando bem claro que ela não se inclui nisso.

Demolidor

Um pouco depois, quando se encontra com Owsley, a velha diz que a heroína nunca foi seu interesse em Nova York e que vai voltar para sua terra natal, a qual fica consideravelmente mais longe que a China.

É aí que surgem as hipóteses. Muita gente acredita que a Madame Gao é, na verdade, Crane Mother, uma das vilãs do Punho de Ferro e que a tal terra muito distante seria a mística Ku’n-Zi, uma das Cidades Celestiais. Isso explicaria porque ela diz saber todas as línguas para Fisk.

Demolidor

Pode parecer distante falar sobre isso agora, faltando mais de um ano para a estreia da série do Punho, mas Demolidor já traz várias referências ao outro herói. A mais clara dela é a embalagem da droga feita por Gao: trata-se do mesmo símbolo estampado no peito do vilão Serpente de Aço — coincidentemente o mesmo nome da droga, como revela Ben Urich ainda no episódio 11.

Demolidor

O que isso tudo quer dizer?

Com todas essas cartas na mesa, já é possível tentar traçar uma linha do que as demais séries podem tratar. Enquanto AKA Jessica Jones e Luke Cage seguem como as maiores incógnitas em termos de trama, tudo parece desembocar em Punho de Ferro, que não foi escolhida como a última antes dos Defensores por acaso.

2015-04-13_23-34-31Só que é aqui que nascem algumas teorias.

Parece claro que a tal guerra vai levar as tretas místicas para Nova York por alguma razão. Já vimos o Tentáculo fazendo seus primeiros movimentos — principalmente com o misterioso Céu Negro que ninguém tem a mínima ideia do que pode ser — e isso forçou os Virtuosos a atuarem também na cidade.

Além disso, o diálogo entre Stick e Rocha no episódio 7 revela que algo está para acontecer. A série do Demolidor não explica o que são as tais portas que são mencionadas, mas é possível que estejam relacionadas ou a K’un-L’un (cidade mística relacionada à origem do Punho de Ferro), uma das Cidades Celestiais da qual Madame Gao faz parte ou algo envolvendo algum tipo de demônio ligado às artes escuras do Tentáculo.

É claro que esses tópicos parecem bem absurdos e distantes de tudo o que vimos no Universo Cinematográfico da Marvel até então, mas lembre-se de que o filme do Doutor Estranho deve se aprofundar nesses mundos mágicos e ele estreia exatamente entre as séries do Punho de Ferro e dos Defensores, em novembro de 2016.

Estou cagando regra? Mas é claro! Só que, ao mesmo tempo, tudo parece se encaixar muito bem para ser apenas uma obra do acaso. A chegada de Doutor Destino e a apresentação dos conceitos místicos nas telonas pode ser a explicação definitiva de conceitos que estão sendo introduzidos desde já dentro do universo do estúdio.

Assim, quando Benedict Cumberbatch colocar aquele bigode ridículo para nos explicar sobre planos e entidades místicas, todas as tretas vindas de outros mundos vão poder cair sobre os Defensores sem o estranhamento do público.

E a segunda temporada de Demolidor?

Ok, deixando toda essa questão de lado, fica a dúvida: e a segunda temporada de Demolidor? A verdade é que, até o momento, a Netflix não comentou nada sobre a possibilidade de mais episódios estrelados pelo Homem Sem Medo. Tudo o que sabemos é que a ideia era juntar tudo até os Defensores e ninguém sabe o que vem depois.

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É claro que, com o sucesso do seriado as coisas podem mudar de figura. Tanto que a primeira temporada já faz algumas sugestões que podem indicar um possível caminho. A chegada de Elektra é a mais plausível delas, principalmente após apresentarem o Tentáculo como uma ameaça real. O ponto é que aí teríamos ela e Karen Page disputando a atenção de Matt Murdock, o que nunca aconteceu nos quadrinhos.

Falando na secretária, a série pode ainda explorar o tal passado sombrio que foi mencionado várias vezes na primeira temporada — o que poderia resultar em uma adaptação de A Queda de Murdock. Para isso, já teríamos um Rei do Crime fora da cadeia e, desta vez, tão insano quanto no último episódio.

Outra possibilidade é o Mercenário, o icônico vilão que até chegou a ser referenciado muito que discretamente no episódio 6 como o atirador que acerta o detetive.

De qualquer forma, ainda há muita água pra rolar até lá. O certo é que a Marvel certamente vai se empolgar com o sucesso de Demolidor para apostar em projetos mais ousados e sombrios do que seus filmes — o que é sempre muito bom para os fãs. Enquanto isso, a gente espera e continua traçando teorias.

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