Extreme Rules 2016: WELCOME BACK, CROSSFIT JESUS!

Nos primórdios, eu fazia resumões sobre Raw e PPVs no Judão. O tempo passou, estou aqui e ensaiei um retorno algumas vezes, mas não passou disso. Chegou a hora de parar de palhaçada e retomar os resumos de PPVs da WWE e Raws. Porque não Smackdowns? Quando Smackdown tiver algum peso em storylines, talvez eu faça isso. E só farei do NXT semanal quando voltar o Hideo Itami. Ele nem é o meu preferido lá, mas UM ANO FORA, GENTE!

Enfim, eu poderia ter começado isso com o Wrestlemania, eu poderia ter feito com o Payback, mas vamos mesmo é com Extreme Rules: A Ressurreição de Crossfit Jesus!

The Usos vs The Club (Luke Gallows e Karl Anderson)

Eu queria começar isso falando que odeio os Usos. Eles podem até serem legais fora da WWE, mas eu odeio eles, cara. Eles são genéricos, não tem nada de interessante além de “samoanos que pulam”. Sério, eu odeio os Usos.

Então, a luta deles contra o The Club, versão “lite” do Bullet Club, formado pelo Luke Gallows e Doc Anderson era uma das que eu estava realmente cagando e andando. A única coisa que tornaria isso interessante é o fato de ser uma Tornado Tag Team, o que permite TODO MUNDO sair na porrada. É uma grande folia e, por isso, tinha potencial.

Vou ser sincero ao falar que, ao vivo, eu prestei quase nada de atenção nela cause F*ck the Usos, man. Só que vendo depois, ela teve alguns momentos. O problema realmente continua sendo os Usos porque o moveset deles se resume a pular, tapa e superkick. Parece um personagem que você começou a fazer nos jogos da WWE, mas ficou com preguiça de continuar e deixou do jeito que tava.

A melhor parte da luta foi quando o The Club trucidou os Usos e ganharam. Só que isso levanta uma lebre sobre os dois. Quando chegaram na WWE, o Gallows e o Anderson trouxeram junto o “buzz” do Bullet Club, mas caíram num círculo sem fim de lutas contra os Usos. Apesar de mostrarem seu valor, os dois agora são apenas “mais uma tag team”. Se os acontecimentos do main event significam algo, eles ficaram ainda mais como mais uma galera no meio do roster.

Parece que o único jeito deles terem o destaque que podem ter dentro da WWE é um antigo líder do Bullet Club largar mão de ficar na Flórida e começar a viajar com o main roster. AÍ O BICHO PEGA!

Kalisto vs Rusev (US Title)

E o Kalisto, né gente? Ele é bom, único luchador que não se quebra por bobice (oi Sin Cara), mas tem algo nele que acaba tornando uma versão mais nova do Rey Mysterio, mas sem o talento que o outro tinha na idade (sério, Rey Mysterio na WCW era UM ABSURDO). Aí foi pro main roster EM CHAMAS, ganhou esse cinturão dos Estados Unidos, defendeu na frente de pouca gente no Wrestlemania (pre-show) e agora tá aí, meio esquecido.

Talvez por isso, a luta dele contra o Rusev não foi tão legal quando poderia, apesar de ter sido bacaninha. O Rusev voltou a ser o monstro que era, algo realmente legal. Como esperado, o Rusev levou o cinturão após dar uma sova e aplicar um Accolade VENENOSO. Yay para Rusev como US Champion. É o melhor Rusev, cara! E agora ele vai poder brilhar! Agora ele vai ter espaç…

É…ferrou.

New Day vs Vaudevillians (Tag Team Titles)

Depois de Enzo Amore quase virar uma batata metendo a cabeça na segunda corda e conseguir uma concussão, os Vaudevillians viraram os desafiantes pelo cinturão de Tag Teams. Só que não tem como ser mais legal que o New Day. É quase impossível e algo que deveria servir de exemplo dentro da WWE. Deixaram os caras fazer o que bem entendem e só sai OURO. OURO, eu disse.

Quando a dupla ativa do New Day era Big E e Xavier Woods, vou ser sincero ao pensar que talvez esse fosse o momento em que a WWE tiraria os cinturões do New Day. O Xavier Woods sempre foi o lutador com menos experiência do grupo e, várias vezes, o alvo de pins. Não aqui.

A luta foi responsável por começar a realmente animar o público. E sobre o Xavier Woods, o maluco deu um hadouken. Tem que respeitar.

Dois grandes momentos: o spear do Big E pelas cordas é impressionante e, ao mesmo tempo, amedrontador, vide que é uma jamanta daquela se jogando, mas ele sempre cai “errado” e dá impressão de que deu ruim. Felizmente, nunca dá.

O segundo momento é o Xavier Woods dando um Shinning Wizard (aquele finisher quebra dente da AJ) pra ganhar, só que ele acerta de um jeito que não venha me falar que o Gotch “vendeu bem”. Aquela porra acertou.

E o New Day prossegue campeão e tudo está bem no mundo.

The Miz vs Cesaro vs Kevin Owens vs Sami Zayn (IC Belt)

ESSA LUTA, CARAS! ESSA LUTA! Certamente a melhor luta do main roster em 2016 (até o momento), a WWE conseguiu transformar o Intercontinental Title no segundo mais importante da companhia sem querer.

Na teoria, o das mulheres deveria ser o segundo (já falamos sobre isso), mas você vê o talento dos caras atrás do IC e as histórias que estão sendo criadas e COMO NÃO SE EMPOLGAR?

Ter o Miz como o heel oportunista, Kevin Owens como o heel foda, porém irritante, Cesaro como o Superman e Sami Zayn como underdog criou uma dinâmica sensacional para a luta, que lembrou, em alguns momentos, aquele Fatal 4 Way pelo cinturão da NXT (Bons tempos de Kidd vs Breeze vs Neville vs Zayn).

Inclusive, vou falar do Sami Zayn (porque claro que vou falar). Meu maior receio com o Zayn indo pro main roster era ele se perder no meio da galera. O Zayn é o babyface com maior potencial dentro da WWE pra ser o substituto do Cena no quesito “tá aí alguém pra ser o nice guy da firma”. Não dá pra torcer contra ele, mas é o tipo de cara ali que PRECISA perder bastante (por pouco) e aí, quando rola a vitória, ela vale pra alguma coisa. O Zayn tem o potencial pra ser a mistura do Cena e do Bryan. É só não estragar tudo.

E isso já tá começando a aparecer. Ele tá no main roster há pouco tempo (dois meses e meio), mas repare na entrada dele na luta. Todos recebem aquele pop, mas a arena inteira se anima e canta junta o tema dele (Melhor tema). Quando ele tá lutando, a galera grita OLÉ sem medo. Quando ele tá pra ganhar, o lugar fica louco. O povo inteiro já tá do lado dele. Não é só a galera mais hardcore. Todo mundo tá “entrando na banda” (ENTENDEDORES ENTENDERÃO).

Aí ele vai e começa a luta do mesmo jeito que se você estivesse no Easy no WWE 2K16, com um finisher acumulado e nocauteando o Owens logo nos primeiros segundos. Dali pra frente, os quatro lutadores mostraram o seu valor. Sim, até o Miz, que vem evoluindo bastante nos últimos anos e não parece tão estranho no mesmo ringue que os outros caras.

Sério, essa é uma luta pra ser assistida, porque até mesmo o resultado dela, que poderia ser ruim, faz sentido e ainda avança storylines e ajuda no desenvolvimento no personagem de todos ali.

Que luta!

Dean Ambrose vs Chris Jericho (Asylum Match)


Dean Ambrose parece que está sempre prestes a explodir como main eventer, mas algo acontece e ele volta a upper-midcard. Ele tem o potencial pra ser campeão foda (bem mais que o Reigns), mas ele parece ser o membro da SHIELD que vai sempre ficar como “third wheel” (isso se não rolar o fantasy booking da triple threat no Mania com ele faturando).

Essa feud dele com o Chris Jericho mostra um pouco os dois lados da moeda. Em alguns momentos, ele se mostra legal, destemido. Em outros, um paspalhão com jeito de louco. A luta toda aconteceu por causa do cancelamento de um talk show e a destruição de um vaso com uma planta chamada Mitch. Sim, é cretino e faz você ter um pouco de vergonha da WWE, mas acabou gerando a primeira Asylum Match, que nada mais é do que uma cage match com um monte de bugigangas pra se quebrarem.

A luta em si não foi RUIM, mas ela sofreu de um mal que algumas lutas do Ambrose sofrem: ela foi longa demais pro estilo dele. Isso acabou tirando um pouco da animação do público. O final dela foi maneiro, com a WWE finalmente deixando os caras usarem tachinhas. Como o Jericho que tava sem camisa, virou almofadinha de alfaiate e o Ambrose levou essa. Tá na hora de darem uma direção mais séria pra ele, até porque as coisas começaram a se movimentar com a cena do main event.

Charlotte vs Natalya (Submission Match pelo Women’s Championship)

Já deu da Charlotte como campeã ganhando por causa do pai. No NXT, ela começou nessa vibe, mas começou a criar sua personalidade. Ainda era meio arrogante, mas conseguia se manter sozinha. No main roster, como ela deu uma patinada como face, enfiaram o Ric Flair na jogada e, apesar de algumas participações engraçadas, acabou virando muleta. Tudo se resolve com o esquema “Ela é uma Flair”.

O problema é que a divisão, que deveria evoluir, fica patinando com ela. A luta dela com a Natalya, além de ser uma submission match, ainda impedia a participação do Ric Flair, algo que poderia tornar tudo mais interessante. Só que no final das contas deu na mesma, porque Dana Brooke, que tá com maquiagem parecendo menos a Miss Piggy do que na época da NXT, vestida do véio, pra distrair.

No papel, isso até poderia funcionar, mas pareceu só mais um “E a Charlotte ganhou na malandragem de novo”. Ok que é total pra deixar geral odiando pra Sasha Banks faturar mais pra frente, mas já começo a pensar que o bonde da Sasha Banks pode estar começando a passar no main roster. Até pouco tempo, a galera surtava FODA com ela, mas ela ficou meio apagada pós-Wrestlemania (onde deveria ter faturado o cinturão). Sei lá, já tô começando a torcer pra subiram a Asuka até o final do ano e ela matar todo mundo da divisão.

Roman Reigns vs AJ Styles (WWE World Heavyweight Championship)

Uma verdade deve ser dita: o Roman Reigns não é um wrestler ruim. Ele é um wrestler que às vezes fica muito só no “feijão com arroz”, não tem personalidade decente e can’t talk for sh*t. Porém, mais vezes do que o esperado, ele tá no meio de umas lutas BOAS de verdade.

Essa luta dele com o AJ Styles foi assim. O argumento “Ah, mas tem o AJ Styles”, o que é verdade, mas o Reigns merece crédito por umas coisas assim:

Sério, ele deveria começar a usar esse negócio como finisher (pelo menos contra caras menores) em vez do Spear. Olha que golpe maneiro. E faz ele parecer forte!

No final das contas, a luta teve uma resolução bem previsível, com o The Club interferindo na luta, que era NO DQ. Obviamente, os Usos entraram na dança e eu já falei que odeio os Usos? Porque eu odeio os Usos, cara.

Mesmo levando dois Styles Clash, o Reigns conseguiu se defender de um Flying Crossarm dando um spear que, devo confessar, pareceu legal pra cacete. Roman Reigns ganhou e fez exatamente aquilo que todos esperavam. Ele é o cara, mas aí…

A ressurreição de Crossfit JesusCrossfit Jesus

Seth Rollins, sem aquela mecha RIDÍCULA que fazia parecer uma cópia do visual (cagado) da Kaitlyn, vem do meio da galera, ataca o Reigns, arrepia com um Pedigree e volta pra recuperar o cinturão que ele nunca perdeu.

Sério, veja o PPV e ouça a entrada do Reigns e todos os seus “grandes momentos” da luta. Agora só ouça a reação da galera quando o Rollins levanta o cinturão. Ele pode aparecer no Raw e xingar pessoalmente a mãe de todo mundo ali e geral ainda vai fazer festa. Se a WWE precisava de alguém pra ser babyface o suficiente pra fazer o Reigns virar heel (e provavelmente brilhar desse jeito), tá aí a saída mais fácil.

Agora falta eles ficarem tretando e trocando o cinturão até o Rumble, o Ambrose faturar a maleta do Money in the Bank mês que vem, o Rollins ganhar o Rumble e Triple Threat da SHIELD no main event do Wrestlemania. Depois, dá até pra juntar os caras de volta. Vai WWE! Não são previsíveis pra cacete? Façam isso e deixem todos felizes (porque isso seria foda!). I WANT TO BELIEVE THAT!

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