Super Mario Bros: O Filme (Review)

Adaptar jogos de videogame para o cinema ou TV é uma tarefa meio ingrata. Se você tenta inventar demais, corre o risco de perder a essência do jogo, mesmo que tenha feito isso pra adaptação fazer sentido. Se você é fiel demais, também corre o risco de não aproveitar a diferença entre os dois meios e acabar com um filme sem graça. Super Mario Bros: O Filme consegue se dar bem ao não inventar muito, mas ainda entender que está em outro meio e entrega uma aventura divertida, ainda que bastante simples, que agrada quem jogou e quem nunca encostou num controle de videogame.

A ideia de um filme do Super Mario é algo que pode dar muito certo ou muito errado. Isso porque é impossível pensar em um jogo do Mario e pensar “A história desse jogo é incrível”. Tudo é muito simples para ter a atenção crianças e adultos, enquanto o gameplay é o que realmente pega todo mundo de verdade. Depois de uma adaptação live action em que certamente drogas foram consumidas na hora de escrever o roteiro, Super Mario Bros: O Filme tem uma trama bastante infantil, mas que funciona para o público adulto.

Super Mario Bros

A história é simples, colocando os irmãos Mario e Luigi se complicando na sua carreira como encanadores até acabarem no Reino dos Cogumelos. Lá, acabam separados e se veem no meio de um conflito entre a Princesa Peach e Bowser. Então a busca pelo irmão acaba tornando Mario no herói que pode fazer a diferença.

O filme não fica tentando explicar muito quem é quem ou colocando muito peso nos motivos pelos quais eles fazem o que fazem. Tudo o que está na tela é o que você precisa para seguir faceiro com a história. O filme é claramente feito desse jeito para crianças entenderem e o estúdio Illumination, responsável pela desgraça dos Minions, coloca aqui seu estilo que pode desagradar algumas pessoas, mas que incrivelmente funciona.

E isso acontece porque o Super Mario Bros: O Filme é consideravelmente sincero. Ele não tem vergonha de ser um filme baseado em jogo de videogame, abraçando a parte ridícula e fazendo com que ela faça sentido dentro do contexto em que está.

A versão dublada em português é realmente boa e me surpreendeu bastante o Mario soar como o Mario (algo que eu ainda preciso saber como ficou no filme como um todo com o Chris Pratt no original), e tem até o Toad histérico, algo que pra mim já valeu bastante.

O filme é SOCADO de easter eggs, mas não de uma forma que você deixe de prestar atenção no que está acontecendo pra ficar caçando. Talvez assistindo mais vezes sim, mas na primeira vez, são só surpresas.

E agora falando de uma forma que vai além da análise fria do filme. Quando eu era criança, minhas irmã tinham um Atari e aquele foi o meu primeiro contato com videogames. Só que fui realmente jogar algo meu quando ganhei um NES, que vinha com uma fita junto. Sim, FITA. E era Super Mario Bros 3. Aquilo ali bagunçou legal a minha mente de 8 anos. Eu perdi as contas de quantas vezes eu joguei esse jogo.

O tempo passou, eu trabalho escrevendo sobre videogame há anos, eu eventualmente comecei a gostar mais de jogos da Sega porque Mega Drive é uma coisa de maluco, mas Super Mario Bros 3 sempre foi uma parada que quando eu colocava pra jogar, me trazia um sorriso no rosto.

Super Mario Bros: O Filme me deixou com um sorriso no rosto da primeira cena até a ceninha pós-créditos. Tudo ali funcionou pra mim. É nostalgia? Sim, mas o filme fez com que aquela sensação que eu tive há 29 anos atrás ressurgisse. O filme é PERFEITO? Acredito que não, ele tem alguns momentos em que a trilha sonora poderia ser melhor, apesar de utilizar muito bem o arranjo dos temas dos jogos, e alguns trechos parecem um pouco corridos, mas no fim, eu tava contente com ele. Eu tava realmente contente com o filme.

Super Mario Bros

Eu acho que Super Mario Bros: O Filme não tenta revolucionar o cinema ou apresentar uma animação que mude a forma como o meio é visto, como aconteceu no lançamento de Homem-Aranha no Aranhaverso. Mas é loucura se eu não falar que um filme de videogame que entende de onde veio e quer fazer exatamente o que os jogos vem conseguindo fazer há tantos anos: divertir pra caramba quem tá ali. Felizmente, eles conseguiram mais uma vez.