Sonic – O Filme é muito mais divertido do que se esperava

Desde que anunciaram o filme do Sonic, eu sabia que ia gostar dessa desgraça. Sei que esse é o jeito mais esquisito de começar uma crítica de um filme, num embalo de “JÁ GANHOU”, mas é a verdade. Eu cresci jogando Mega Drive, enquanto todo mundo tinha um Super Nintendo, e até hoje tenho um carinho absurdo com as coisas da SEGA.

Talvez por isso, quando o primeiro trailer do filme, ainda com aquela versão esquisita do Sonic, eu já sabia que veria esse negócio umas duas vezes no cinema, mesmo se fosse horrível. Só que a Paramount mudou o visual do personagem depois de todo mundo esculachar o negócio, adiou o lançamento para o começo de 2020 e entregou um filme infantil, mas bonitinho.

Sonic é uma criança

A melhor forma de encarar o filme do Sonic e não esperar um filme adulto como alguns dos jogos tentaram vender. Nos videogames, a SEGA passou um bom tempo tentando emplacar o Sonic como um personagem radical, que poderia agradar ao público mais velho. Isso funcionou um pouco por um tempo, mas depois descambou.

Sonic

A Paramount acertou ao colocar o Sonic como basicamente uma criança que deveria ter ali uns 12 anos. Esse é o melhor jeito de encarar o personagem e próprio filme, que apesar de uma ou outra piadinha que funciona melhor com o público mais velho, é basicamente feito para crianças. E no final das contas, essa foi a melhor saída.

O humor do filme, a mensagem que ele tenta passar, até mesmo o Jim Carrey como o Dr Robotinik, tudo parece feito para o público acostumado com as séries do Disney Channel e Nickelodeon, sem tentar demais agradar ao pessoal mais velho. Se no começo isso parece meio esquisito, lá pelo meio você já abraçou a ideia e tá no embalo até o final.

A história é bastante previsível e a escolha de colocar o Sonic feito em computação gráfica com atores de verdade acaba sendo acertada. Isso porque, apesar de claramente ele se destacar frente aos atores, com o filme abandonando aquele realismo BIZARRO do primeiro design do personagem, você logo aceita ele como algo diferente o suficiente, mas que ainda faz sentido ser daquele jeito.

É esquisito, mas funciona.

Jim Carrey abraçando a galhofa

Desde a primeira em que aparece até a última, o Jim Carrey parece estar se divertindo bastante no papel do Dr. Robotinik, algo que acaba fazendo com você ignore o fato de boa parte das piadas que ele faz não terem muita graça. Como eu disse anteriormente, o filme é total feito para crianças, então deve ter mais graça para elas, mas o cara tá TOTALMENTE LÁ PRA ELAS.

Conforme o filme avança, alguns pontos sobre a personalidade do Robotinik vão sendo revelados e, até a batalha final, você já aceitou o personagem por completo e tá com ele pra tudo. Sério, eu quero ver mais desse Robotinik cretino, que não tem uma barriga imensa, mas tem um bigode de respeito.

Tá, mas e pros fãs do jogo, não tem nada?

E aí entra a parte que realmente me deixou feliz com o filme do Sonic. Ele tem uma historinha manjada, feita para crianças e, com algumas mudanças, poderia ser QUALQUER personagem hiperativo no lugar dele. O Sonic em si nunca teve muita personalidade, tirando algumas animações como Sonic Boom (que é mais divertida do que tinha direito de ser).

Só que Sonic – O Filme bateu direto NOS FEELS de alguém que cresceu jogando Mega Drive. Seja nos primeiros segundos de exibições, com as argolas douradas no lugar das estrelas da logo da Paramount, ou até mesmo na montagem com vários jogos da SEGA para mostrar o seu logo, eu já tava 100% entregue.

Só que Sonic – O Filme consegue usar muito bem o que veio dos jogos no filme, de maneira que não fica forçado. Desde o nome de lugares, algumas surpresas, música de fase, o lance do Sonic perder os aneis dourados quando toma dano, até mesmo a maneira de derrotar chefes, tá tudo ali e funcionando de um jeito que faz sentido.

A impressão que fica é que o diretor Jeff Fowler quis pegar o que pode dos jogos e enfiou em uma história genérica, fazendo o negócio se tornar algo realmente especial. Fora que ele conseguiu enfiar uma zoeira muitas vezes não velada ao Super Mario durante o filme inteiro, então não tem como achar ruim.

Gotta go fast!

Sonic – O Filme não é perfeito. Ele dá umas tropeçadas, em alguns momentos parece uma Sessão da Tarde sem vergonha, com alguns merchans descarados no meio, mas a adaptação do personagem para o cinema funcionou. A versão legendada, com a voz do ator Ben Schwartz, é muito boa e o eterno Jean-Ralphio de Parks & Recreations fez um trabalho legal como o ouriço.

Sonic

No geral, Sonic  – O Filme é honesto e divertido, se tornando uma bela aventura pra família e que abre caminho para ainda mais longas do personagem, que eu realmente espero que rolem, considerando as duas cenas pós-créditos. Sério, as duas cenas me fizeram falar “AGORA VAI!”. Se isso não é a prova de um filme divertido e com potencial pra ficar ainda mais, eu não sei o que poderia ser.

 

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