Em 1983 a cultura mundial mudou pela terceira vez, agora envolvendo um certo retorno. Como você muito bem deve estar imaginando, estamos falando sobre o assassinato do líder da oposição nas Filipinas, Benigno Aquino, Jr., quando ele retornava de seu exílio em 21 de agosto.

Além disso, Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi chegava aos cinemas no dia 25 de maio para encerrar a trilogia clássica e marcar o início de um período de 16 anos sem um novo Guerra nas Estrelas.

Será que assim como Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca, e diferentemente de A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, o sexto filme da saga é mesmo tão bom quanto a gente se lembra?

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É Tigre?

Luke Skywalker retorna ao seu planeta natal, Tatooine, para pegar seu PS3 que havia ficado em casa e aproveitar para resgatar Han Solo das garras de Jabba, o Hutt. Mas mal sabe o garoto que o Império – teimoso como quem diz que Her e 500 Dias Com Ela não são o mesmo filme (Nota do editor: o Esperon é um trouxa)- iniciou secretamente a construção da segunda e mais poderosa Estrela da Morte.

Como ela pode ser mais poderosa que a primeira Estrela da Morte? Ela agora consegue destruir dois planetas numa tacada só? Vamos conferir.

O filme começa mostrando essa nova (e idêntica) estação bélica ainda em construção, o que a faz parecer com uma maçã mordida. Vemos então um Star Destroyer surgir no topo da tela, numa referência clara à abertura de Uma Nova Esperança, e uma pequena nave sair de dentro dele rumo à Estrela da Morte.

Vader adentra as instalações sendo recebido por um comandante que lhe oferece bolo e café, falando que é um honra tê-lo ali. O figura de capa diz que dispensa suas gentilezas porque está de dieta e informa que chegou de surpresa mesmo porque a obra está atrasada.

O mestre de obras imperial garante que a estação estará operacional como planejado, ao que Vader responde que o Imperador não compartilha da sua visão otimista. O militar então diz que o velhote pede o impossível e que precisa de mais homens. Peraí, se o cara tava falando que tudo segue conforme os planos, como ele agora contesta o prazo do outro sith falando que é não é possível atendê-lo? O senhor veio trabalhar bêbado de novo, Giovanni?

Darth então diz que ele pode dizer isso pessoalmente para o Imperador, que está para chegar na Estrela da Morte II. O comandante, todo cagado, afirma que os esforços serão dobrados.

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Majin Boo dos infernos

Em Tatooine, R2-D2 e C-3PO se dirigem totalmente sozinhos rumo ao palácio de Jabba – o que não parece ser uma boa ideia lembrando que ambos rodaram na mão dos jawas da última vez que andaram solitários pelo planeta, mas beleza. O filósofo maluco diz estar preocupado porque Lando e Chewie nunca retornaram do local.

A dupla chega até um portão gigantesco (sério, é enorme) e C-3PO bate nele falando “abre a porta, Mariquinha!”. Um vibrador espacial sai de um glory hole fazendo a função de porteiro e levantando a porta colossal para que os robôs entrem.

Após serem recebidos por dois javalis humanoides e um Majin Boo dos infernos (que fica passando a mão em R2 sem seu consentimento), os droides são levados até Jabba, que mora num apartamento de 300m² onde todo dia é dia de festa. Vários aliens diferentes e bizarros, uns narguilês, dançarinas… o Hutt é basicamente um playboy do Leblon.

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O jedi de 40 anos

R2 dá play no snap e vemos Luke Skywalker, todo trabalhado no pretinho básico e aparentando ter 40 anos de idade (sério, o rosto do maluco tá muito envelhecido no holograma), se apresentar como cavaleiro jedi e amigo do capitão Solo, e pedir uma audiência para negociar pela vida de Han a fim de evitar qualquer confronto desagradável.

E como prova de boa vontade, numa atuação terrível, Luke lhe dá sais de banho dos pântanos de Dagobah e os dois robôs, o que faz com que a pequena mistura de rato com morcego e chiclete mascado que parece ser o mascote de Jabba dê uma risada de maníaco.

O Majin Boo do Capeta, na inveja pura, diz que o cara não é um jedi e Jabba diz que não haverá negociação porque Han Solo, assim como Michel Temer, se tornou uma peça de decoração – vemos a placa de carbonita do último filme em uma parede na sala.

A dupla mecânica é levada até um depósito onde C-3PO é designado como o novo intérprete do Hutt, enquanto R2 é alocado para a quitanda de lembrancinhas do palácio.

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Lá vêm as edições do George Lucas…

De volta à sala de audiências do lagartão, um show de jazz com uma dançarina twi’lek está rolando. O ritmo se anima quando Jabba pede um bis e entram em cena dois aliens num CG totalmente terrível graças às edições de 1997. A sequência musical é ridícula, desnecessária e te faz pensar que se trata de um dos filmes da nova trilogia (sinta o nível).

Ao fim da vergonha alheia, o Hutt tenta puxar a acorrentada twi’lek para perto no intuito de lhe beijar, ao que a moça resiste. Vendo que não vai conseguir o que quer, Jabba ativa um alçapão e a dançarina cai num porão embaixo da sala. Vemos apenas um portão ser erguido, rugidos e o grito da mulher, enquanto os convidados observam com animação.

A celebração é interrompida por barulhos de tiro e um caçador de recompensas chega com Chewbacca acorrentado para receber a grana pelo wookie. Jabba chama C-3PO para traduzir a negociação, que se encerra com Chewie sendo levado para sua cela enquanto um Lando Calrissian, disfarçado como o guarda mais sensual da galáxia, observa a situação.

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Todo mundo tem delírios de grandeza agora

À noite, enquanto todos dormem ali mesmo jogados pela sala de audiências (o Jabba é realmente um playboy carioca que gosta de dar festas em casa), o caçador de recompensas que trouxe Chewie anda silenciosamente até o corbonitado Han e o descongela, fazendo com que o cara caia como um presunto molhado no chão.

Solo começa a ter uns tremeliques como se fosse um viciado em crack sofrendo de abstinência e o caçador vai explicando os sintomas do descongelamento – dentre eles, cegueira temporária -, esquecendo apenas que eles devem fazer silêncio. O mercenário tira o capacete revelando que ele na verdade era Leia o tempo inteiro.

Quando a dupla está para usar o pó de sumiço, ouve-se a risada de Jabba e uma cortina é aberta atrás dos heróis, mostrando o Hutt (todo babado, aposto que acordou ali na hora) e mais uma galera rindo porque era uma armadilha (e qual era o plano? Simplesmente sair de fininho? O palácio não tem turno da noite?).

Leia é forçada a se aproximar do monstrengo – que lambe os beiços como o belo estuprador que ele é – e Han é levado por uns guardas para a mesma cela de Chewie (por que juntar os dois?). O wookie, enquanto não larga o amigo, o inteira da situação, falando que Luke se tornou um cavaleiro jedi – ao que Han responde “é só sumir por um tempo e todo mundo tem delírios de grandeza”.

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Um plano sem sentido

Vemos então a colossal porta externa se abrir e o encapuzado Luke entrar no palácio. O rapaz usa force choke nos guardas javalis (eu nem sabia que jedis “podiam” fazer isso, no sentido de lado luminoso e tal) e o truque mental no Majin Boo para seguir até Jabba.

O Hutt está com Leia na clássica roupa de escrava quando Skywalker – ameaçador e maneiro – diz que quer resgatar Han e Chewie, sendo escolha de Jabba lucrar ou ser destruído. O bicho diz que não haverá negociações, ao que Luke responde puxando a arma do disfarçado Lando com a Força e tentando atirar nele, sendo impedido em cima do laço por um dos guardas javali.

Pera. O que? Por que Luke está sem seu sabre de luz? Mais pra frente descobrimos que a arma está escondida dentro de R2 mas… Por que o cara não chegou logo com o sabre?

Se houvesse algum tipo de revista na entrada que pudesse pegar o objeto antes de Skywalker entrar no palácio, beleza. Mas ele saiu entrando super de boa. Não tem motivo pro garoto estar desarmado. Era só estar com o sabre pra sair picotando todo mundo e salvar seus amigos ali na hora.

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Tosqueira pura

Jabba ativa o alçapão novamente fazendo com que Skywalker e o guarda javali (este de forma completamente tosca e evitável) caiam no porão. O portão é erguido e dessa vez vemos um rancor, que parece… sei lá, um bicho muito feio. Dá uma olhada na imagem aí em cima.

O javali logo é devorado e o monstro parte pra cima de Skywalker, que consegue driblá-lo e correr pro outro canto da área, de onde o rancor veio. O bicho o segue e quando está passando por baixo do portão dentado, Luke pega um crânio, grita “verde 32! Verde 32! HUT!” e o atira no controle da porta, fazendo com que ela esmague a criatura. Tudo seria mais fácil com um sabre de luz.

A galera lá em cima, que estava observando o confronto, fica totalmente surpresa. A porta do porão (que antes estava trancada) se abre e alguns guardas entram para levar Luke. E é aí que algo bizarro acontece. Um gordão sem camisa entra preocupadíssimo empurrando todo mundo e começa a chorar quando vê que o rancor morreu. E pra completar sai abraçado com outro guarda alien que também está chorando.

Meu amigo, que diabos? É tosqueira pura. E não daquelas boas.

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Han desinformado

Luke, Han e Chewie, rendidos, são levados até Jabba, que decreta que o trio deve ser imediatamente exterminado. Eles serão levados para o Mar das Dunas (perto dos Lençóis Maranhenses), onde serão atirados ao Sarlacc e digeridos lentamente por mil anos. Duas coisas. Primeiro, perceba que o Hutt não sabe qual a definição de “imediatamente”.

Segundo, ser digerido por mil anos ou uma semanas, qual a diferença? “Uau, mil anos! Sofrimento eterno!”, a galera lá dentro vai morrer em o que, uma semana sem água e comida? Grande coisa ter o corpo sem vida digerido por mil anos.

Luke mantém a pose e, confiante, diz que Jabba deveria ter negociado, enquanto os heróis são levados pelos guardas.

Vemos um veículo grande, com os VIPs, e outros dois pequenos, com os prisioneiros e guardas, sobrevoando o deserto rumo ao local da execução. Está rolando uma puta festa na nave principal, com R2 trabalhando como garçom após bater todas as metas como vendedor da quitanda.

Skywalker, sereno como uma pilha de batatas, diz para Han – ainda cego – ficar perto de Chewie e Lando pois cuidará de tudo, recebendo respostas irônicas de Solo. Vale lembrar que o contrabandista foi congelado antes mesmo da luta entre Vader e Luke, sem nem saber que o moleque tinha ido treinar com Yoda. Aos olhos do cara, o garoto ainda é um Zé Ninguém despreparado que agora tá se achando o pica das galáxias do nada.

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Outro plano sem sentido

A festa chega até o poço do Sarlacc e Jabba manda C-3PO dizer que ele irá ouvir as súplicas dos prisioneiros. Han o xinga como um marujo escocês e Luke diz que é a última chance do Hutt os libertar.

Com “Tesouro do Pirata” do Tchakabum tocando no volume máximo, Skywalker é forçado a andar na prancha. O garoto lança olhares 42 para Lando e R2, posicionado no topo da nave principal, enquanto confirma com a cabeça, mostrando ter um plano.

Assim que Luke é empurrado, ele dá um giro de 180° antes de cair, se segurando na prancha e tomando impulso para dar um duplo twist carpado para voltar pro veículo, enquanto R2 joga seu sabre de luz (agora verde!) pro céu. O jedi segura sua arma e parte pra cima de todo mundo.

A execução desse plano é bem legal mas então quer dizer que Luke sabia que tudo isso ia acontecer antes mesmo de entrar no palácio do Jabba? Afinal, seu sabre estava com o robôzinho desde antes disso. Fazia então parte do plano enfrentar um rancor desarmado? Como ele sabia que o Hutt ordenaria suas mortes por Sarlacc? Tenho tantas perguntas. Mas a cena é maneira mesmo.

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O pior caçador de recompensas da galáxia

Luke vai fatiando todo mundo e vários capangas viram comida de Sarlacc. É aí que Boba Fett entra em ação. O caçador de recompensas voa até ficar cara a cara com o jedi para… aí sim… tentar atirar nele? Por que o cara não atirou de longe? Ele esqueceu que armas não são facas?

O garoto corta a arma do mandaloriano, que o laça com um cabo (tipo aquele que Jango Fett usou contra Obi-Wan no Episódio III), restringindo seus movimentos. Luke ainda assim consegue desviar um tiro vindo da nave principal para trás de Fett, causando uma pequena explosão que o faz cair no chão como um pudim derrubado no almoço de família.

Skywalker pula para a outra nave que chega com uma cacetada de gente atirando. Enquanto ele está ocupado, Boba levanta e se prepara para dar um tiro nas costas do moleque. O vilão obviamente demora uma vida mirando, dá um disparo que passa MUITO longe do alvo (sem ninguém atrapalhá-lo) e quando finalmente vai dar o tiro fatal, Han – após ser avisado por Chewie que Fett está na área – sem querer dá um cutucão no seu jetpack com o bastão que estava segurando, fazendo o negócio explodir e lançar o caçador para longe.

Boba, gritando de forma até cômica, passa voando ao fundo da luta de Luke, bate com tudo na lateral da nave principal e cai no poço do Sarlacc, sendo engolido pelo bicho.

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Sério, qual é a da fixação da galera com o Boba Fett? Ok, ele tem uma armadura maneiríssima e soa super ameaçador no Episódio V. Mas o cara em ação aqui no Episódio VI é um negócio totalmente ridículo.

Ele esquece como armas funcionam e voa pra perto de Luke para tirar nele, erra um tiro ridiculamente fácil sem ninguém interferir e é derrotado por acidente, voando como um beija-flor que bebeu açúcar demais e batendo na nave como se estivesse num desenho animado.

Como esse cara é dito como um dos maiores caçadores de recompensa da galáxia? Por que todo mundo o idolatra? E essa última é uma pergunta honesta mesmo (não vale citar universo expandido porque tem muita gente que o ama só dos filmes mesmo).

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Han, sensitivo à Força?

Na nave VIP, Leia transforma a festa num filme de terror fechando todas as janelas e escurecendo o local. Enquanto todos entram em pânico, a mulher usa a própria corrente que a mantinha presa para estrangular Jabba até a morte. Toma essa, sua lagartixa tarada!

Do lado de fora, Han tenta resgatar Lando que está pendurado por uma corda acima do poço do Sarlacc. Uma arma montada na nave principal dá um tiro na de Solo, fazendo com que Calrissian vá para a areia, escorregando rumo ao monstro, e o contrabandista fique pendurado de ponta cabeça, sendo segurado por Chewie.

Quando o mito de bigode está quase alcançando o bastão de Han, o Sarlacc pega a perna do cara com a língua e começa a puxá-lo. Solo pega uma arma com o wookie e se prepara para atirar no monstro, ao que Lando, desesperado, grita “peraí, achei que você tava cego!”. O Mr. Magoo espacial fala “deixa vomigo” e acerta a língua de primeira, resgatando seu amigo.

Há uma teoria de que Han é levemente sensitivo à Força. Esse tiro certeiro e totalmente cego com certeza é um dos maiores pilares dessa tese, que faz um bom sentido até (lembram das chances de navegar um campo de asteroides com sucesso no último filme?).

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Esse era o plano?

Na maior nave, R2 liberta Leia e a dupla se junta a C-3PO rumo ao topo do veículo. Lá em cima, Luke diz para a moça para apontar a arma principal para o próprio deck e os dróides se jogam na areia.

Com um chute estiloso, o jedi ativa a arma, explodindo tudo enquanto ele e Leia escapam numa corda, numa clara referência à cena parecida que rola dentro da Estrela da Morte em Uma Nova Esperança.

A dupla aterrissa na nave de Han, Chewie e Lando. O grupo resgata os robôs no caminho e parte rumo ao horizonte com o tema de Esquadrão Classe A tocando no rádio do veículo.

Pena que ninguém pergunta pro Luke se as coisas correram conforme seu plano. Han, Chewie, Lando e ele mesmo quase morreram. Tudo teria sido muito mais simples se o jedi tivesse chegado no palácio do Jabba já com seu sabre de luz…

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Um Imperador muito melhor maquiado

O filme já corta pra órbita de Tatooine, onde vemos a Millenium Falcon e a X-Wing de Luke seguirem caminhos diferentes. Han, Leia e os outros estão indo se encontrar com a frota da Aliança, enquanto Skywalker vai para Dagobah cumprir uma promessa feita a um velho amigo.

Em outro canto do espaço, o Imperador acaba de chegar na Estrela da Morte, sendo recebido por basicamente todo o plantel militar da base (é muita gente). Vader o informa que a Estrela da Morte Mark II ficará pronta dentro do prazo, sendo parabenizado pelo velhote, que diz sentir que o armadurado sith quer continuar a busca pelo jovem Skywalker.

O figura de capacete confirma e Palpatine lhe diz para ter paciência porque o garoto virá até ele. E quando isso acontecer, Vader deve levar Luke até ele no dia do “traga seu filho pro trabalho”. Segundo o Imperador, o moleque ficou forte (muito whey) e apenas juntos poderão trazê-lo para o lado negro da Força.

Por mais que o sith mestre esteja encapuzado, já dá pra notar que a maquiagem dele – em 1983 – é infinitamente melhor, mais natural e assustadora do que a utilizada no mesmo ator no Episódio III.

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Luke humildão

Em Dagobah, Luke leva aveia e cálcio (coisas que idosos adoram) para Yoda na sua casinha. O garoto faz uma cara de “esse aí morreu e esqueceram de enterrar” pro baixinho, que, após perguntar se ele parece assim tão velho, revela que está doente e fraco. “Quero ver tu chegar aos 900 anos com esse corpicho”, diz o verdinho.

O ancião se deita em sua caminha e diz que já já vai dormir aquele sono eterno. Luke diz que ele não pode morrer ao que Yoda responde “não sou o highlander não, moleque”. O garoto argumenta que veio completar seu treinamento mas o mini mestre lhe diz que não é necessário porque o ele já sabe tudo que precisa. “Então eu sou um jedi…” solta Skywalker olhando pro nada.

Pera. A última vez que vemos Luke em Dagobah é quando ele está partindo para Bespin no Episódio V e promete retornar para completar seu treinamento. Coisas acontecem, Luke toma uma coça de Vader, perde a mão, o filme acaba. Então vemos Skywalker aqui no começo do Episódio VI muito mais confiante, sereno e com um sabre novo. Dá a entender que entre os filmes ele voltou ao planeta pantanoso para concluir seu aprendizado.

Mas essa fala “voltei para completar meu treinamento” deixa tudo confuso porque fica parecendo que Luke só estava voltando agora para prosseguir sua preparação com Yoda, o que não faz sentido ao vermos o quanto o personagem evoluiu desde o último filme. Acho que ele realmente voltou entre os filmes, só essa parte que foi mal escrita mesmo.

E outra coisa: “então sou um jedi…”, lol, quando você chegou no palácio do Jabba tu já tava o bambambam, falando que era jedi pra todo mundo. Na frente do mestre você se faz de humildão, né?

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Adeus, Yoda

Yoda, já vendo a luz branca, diz que ainda falta uma coisa pro moleque se tornar um jedi: confrontar Vader. Luke pergunta se Darth Vader realmente é seu pai, e o baixinho na maior cara de pau diz que precisa descansar e vira de costas pro jovem. Skywalker insiste e o moribundo confirma, dizendo ser inesperado e lamentável que o sith tenha lhe contado.

Quando Luke pergunta por que, Yoda diz que é um fardo muito grande enfrentá-lo sabendo isso e com seu treinamento incompleto. Mas seu gnomo maluco, você acabou de dizer que o treinamento do garoto tava completo!

O doidinho fala algumas coisas sobre a relação entre os sentimentos e o lado negro, lhe avisa para nunca subestimar os poderes do Imperador, e, sentindo que a morte tá vindo a galope, solta que existe outro Skywalker. Antes que Luke possa falar qualquer coisa, Yoda morre e seu corpo desaparece, dando uma boa dor de cabeça pro garoto quando a polícia chegar.

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A irmã gêmea

O jovem Skywalker volta para a nave mais confuso do que eu quando vejo o Chris Evans nos filmes da Marvel e diz que não pode continuar sozinho. A voz de Obi-Wan surge e lhe diz que Yoda sempre estará com ele. Luke o contesta sobre ter escondido que Vader é seu pai, ao que Ben responde metaforicamente dizendo que Anakin foi traído por Vader (como justificamos a “mentira” do jedi no texto do Episódio IV).

O fantasma começa a falar sobre Anakin, dizendo que o cara era mesmo um ótimo piloto e que a Força era fortíssima nele. Luke então inventa (sério, não tem motivo pra ele pensar isso) que ainda há bondade no sith, ao que Ben responde que o vilão é mais máquina que homem, ofendendo R2-D2 que lhe manda um xingamento rasteiro.

O jedi diz que não pode matar o próprio pai (pelo amor de Deus, ele cortou sua mão fora e é tipo o Hitler espacial) e Kenobi diz que o Imperador então já venceu porque Skywalker era a única esperança, abrindo brecha para Luke perguntar sobre o que Yoda lhe informou. Ben já solta que o verdinho estava falando sobre sua irmã gêmea e explica que eles foram separados e escondidos porque o Imperador sabia que os filhos de Vader seriam uma ameaça.

O falecido conclui dizendo que é por isso que sua irmã permanece anônima, recebendo “pffff, é a Leia!” de Luke. “Tu tá virando um malandro mesmo”, responde o orgulhoso Obi-Wan.

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Um bom plano

Na frota rebelde, descobrimos que Lando se tornou general – o general Sensual. Mon Mothma, uma das fundadoras da Aliança, surge para informar aos militares e pilotos que o Imperador cometeu um erro crítico e chegou a hora de atacar. Espiões mato grossenses descobriram a localização da nova Estrela da Morte e que seu sistema de armas ainda não está operacional.

Pra completar, a frota imperial está espalhada pela galáxia tentando combatê-los, ou seja, a estação bélica está relativamente desprotegida. E o mais importante: o próprio Palpatine está na Estrela supervisionando sua construção.

O Almirante Ackbar, uma mistura de peixe dourado e carpa com a voz do Sean Connery, surge para informar que é preciso desativar o escudo da estação, gerado na lua florestal de Endor, para qualquer ataque ser possível. Feito isso, os caças podem entrar no satélite metálico para tentar destruir o reator principal (como o Império ainda não demitiu esse arquiteto?).

Os rebeldes roubaram uma pequena nave imperial e, usando um código imperial secreto, uma equipe pousará na lua para desativar a proteção da Estrela da Morte.

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Luke deveria ter ficado em casa

Quando a galera se surpreende com o perigo da estratégia, descobrimos que Han já havia se voluntariado, sendo acompanhado ali na hora por Chewie, Leia e… Luke, que chega falando “conte comigo!”. A ex-princesa o abraça e, percebendo algo estranho, lhe pergunta o que houve e o jedi a pede para fazer essa pergunta novamente mais tarde.

Han se despede de Lando – que vai levar a Millenium Falcon na ofensiva contra a Estrela da Morte -, entra na nave imperial junto com Leia, Chewie, Luke, R2 e C-3PO (por que tão levando um droide protocolar?) e parte com a galera.

Enquanto isso, na estação bélica, o Imperador diz para Vader mover a frota imperial para o lado mais distante de Endor, onde deve ficar até ser chamada, dando a entender que nossos heróis cairão numa armadilha.

O grupo chega na órbita de Endor e vai conseguindo enganar os imperiais com o código obtido pelos rebeldes, até que Vader sente a presença de Luke na nave mas diz para liberarem a passagem assim mesmo porque ele mesmo lidará com a situação.

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Velozes e Furiosos: Desafio em Endor

O quarteto e os dróides, acompanhados por uns vinte soldados rebeldes, aterrissam na lua. Todos estão camuflados e a missão estaria super stealth se não fosse o maldito robô protocolar dourado e brilhante que foi levado por motivos de roteiro.

Luke, Han e Leia avistam uma dupla de motoqueiros imperiais que pararam pra dar aquele mijão. O contrabandista diz que ele e Chewie cuidarão dos caras de forma silenciosa.

Acontece que Solo é semi analfabeto e achou que “silenciosa” quer dizer “fazendo barulho pra cacete”. Rola uma confusão e outros dois motoqueiros que estavam ali perto conseguem fugir, forçando Luke e Leia a persegui-los num dos speeders da primeira dupla.

A perseguição, numa tela verde infelizmente super datada pros dias de hoje (mas a técnica utilizada nas cenas em primeira pessoa pra mostrar a floresta passando em alta velocidade continua ótima), dura cerca de três minutos, culminando em Leia caindo de seu speeder e Luke fatiando um dos veículos imperiais com seu sabre.

O negócio dessa cena é que as coisas começam a perder qualquer sentido rápido se você começar a se perguntar como a galera consegue manobrar pelo meio de uma floresta densa em altíssima velocidade. Então vamos seguir em frente.

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Olá, ewokzzZZzzZZzz…

Luke retorna para o grupo e, após saber que Leia ainda não voltou, parte com Han, Chewie e os droides para procurar a moça.

Acontece que a outra Skywalker (shhh!) é encontrada primeiro por um ursinho carinhoso e o filme dá uma freada FORTE, parecendo um especial do Discovery Kids, com Leia tentando mostrar para o ewok que é amigável e lhe mostrando seu chapéuzzzZZzzZZzz…

A mulher subitamente é rendida por um scout trooper (aqueles que pilotam os speeders), coisas irrelevantes acontecem e ela vai embora de mãos dadas com o bichinho.

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Enquanto isso, na Estrela da Morte Mark II, Vader avisa ao Imperador que uma pequena nave imperial comandada por rebeldes pousou na lua e que seu filho está entre eles.

Palpatine, após revelar não ter sentido a presença de Luke, questiona os sentimentos de Vader e o manda ir esperá-lo na lua Santuário pois previu que o garoto irá até o sith.

Em Endor, Chewie, Han, Luke e os robôs são surpreendidos e cercados por vários ewoks, que tomam C-3PO como um deus. Solo diz para o androide usar sua nova influência para libertá-los, ao que o filósofo maluco responde que é contra seu programa personificar uma divindade (wtf, quem criou essa diretriz super específica?).

O grupo é amarrado – com exceção do robô dourado, claro – e levado até a vila dos ursinhos onde Han é colocado sobre uma fogueira para se tornar o prato principal do banquete. Eis que Leia aparece de dentro de uma cabana – com um cabelo super transado – e diz para C-3PO ordenar a libertação dos outros, o que o droide faz, passando por cima do que ele havia acabado de dizer sobre não poder se aproveitar de sua influência divina.

Os ewoks ignoram sua demanda e Luke diz para o robô falar que se eles não os libertarem, ele ficará bravo e usará sua mágica. Um dos ursinhos pega um tocha para acender a fogueira e C-3PO diz que não acreditaram nele (por que não acreditam no que seu deus está dizendo? Nada nessa sequência faz sentido).

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Minha irmã tem a Força

O jedi então usa a Força para levitar a cadeira onde o droide está sentado, fazendo com que os ewoks libertem todo mundo graças à força do cagaço.

Mais tarde, todos os ewoks se reúnem para ouvir C-3PO basicamente contar toda a história de Star Wars até então (com direito a diversos efeitos sonoros, incluindo a respiração de Vader que ele tem gravada por motivos de ???). O grupo se torna parte da tribo e enquanto rola uma comemoração, Luke faz o que todos nós gostaríamos de fazer e sai de fininho da cena, sendo seguido por Leia.

A moça perguntava o que tá pegando e Skywalker responde que Vader está na lua, pois ele e o sith conseguem sentir as presenças um do outro. É por isso que ele precisa meter o pé para não estragar a missão, revelando que precisa enfrentá-lo porque ele é seu pai.

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Han desinformado de novo

Além disso, o cara solta as falas que escutamos no primeiro trailer de O Despertar da Força, que a Força é forte na sua família, blábláblá, e que sua irmã a tem, levantando as sobrancelhas para Leia. A mulher responde que de alguma forma sempre soube que eles eram irmãos, o que torna o fato dela ter beijado o cara no Episódio IV ainda mais bizarro.

Luke novamente solta o fato inventado de que sente bondade em seu pai (sério, é muito doido isso, em momento nenhum há uma cena que mostre o jedi se questionando quanto a isso, ele começa a achar 100% do nada que é possível resgatar Vader do lado negro) e precisa tentar ajudá-lo.

Han aparece assim que Skywalker vai embora e, ao perguntar o que tá rolando, Leia diz que não pode lhe contar (por que?). A cena termina com Solo, completamente perdido, abraçando sua… namorada? Ficante? Crush?

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Um vilão melancólico

O filme corta para a nave de Vader pousando na lua (ou seja, Luke pressentiu errado porque o cara ainda não tinha chegado). Skywalker, algemado e acompanhado por alguns stormtroopers, é levado até o sith, que é informado que o rebelde se rendeu. A dupla segue sozinha, com Luke falando que quer ir tomar sorvete e Darth dizendo que eles precisam fazer um negócio primeiro.

Skywalker Jr. diz que ainda sente bondade no vilão, que o Imperador não tirou Anakin totalmente de dentro dele e blá blá blá. Vader desconversa e elogia o sabre do garoto, falando que suas habilidades estão completas.

Luke, o chamando de pai, diz sentir o conflito dentro dele e o pede para abandonar o ódio. Vader, num momento triste e melancólico, chama o garoto de filho ao dizer que é tarde demais para ele. Darth manda stormtroopers o levarem e diz que o Imperador agora é o seu mestre. Assim que fica sozinho, vemos o vilão ficar pensativo em silêncio.

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Uma cena ridícula

No dia seguinte, os ewoks levam os rebeldes até a “porta de trás” da instalação imperial, protegida por apenas quatro motoqueiros. Um dos ursinhos rouba um dos speeders, fazendo com que três deles o persigam (sério que três malucos tinham que ir atrás de um ewok? O Império tá de sacanagem mesmo), ficando apenas um soldado na guarda.

Em vez dos rebeldes, ridiculamente em maior número, simplesmente chegarem rendendo o cara, Han aparece sozinho atrás dele, dando um toque no ombro direito do soldado e correndo pro outro lado, levando o cara até uma emboscada. É uma cena tão ridícula quanto parece mesmo.

Sem falar que o cara vai correndo atrás do contrabandista. Cade a arma desse maluco?

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O Imperador babaca

Enquanto isso, na Estrela da Morte, Luke é levado por Vader até a presença do Imperador. O velhote deseja boas vindas e o diz pra ficar à vontade, abrindo as algemas do rapaz à distância.

Palpatine diz que o moleque irá chamá-lo de mestre, Luke diz que ele não é seu pai pra mandar nele e Vader fica em silêncio pensando no climão que está rolando. Skywalker Jr. diz que logo o sith estará morto, ao que ele responde revelando saber do ataque da frota rebelde. O garoto diz o excesso de confiança é a fraqueza do encapuzado, fazendo com que Vader se vire para o filho numa vibe meio “moleque, olha os modos!”.

O mestre sombrio diz que os amigos do garoto estão caindo numa armadilha lá na lua, assim como a frota rebelde logo cairá, completando com a informação de que foi que quem permitiu que a Aliança soubesse a localização do gerador de escudo, que conta com a proteção de uma legião de soldados.

Incrivelmente babaca e num tom de voz altamente cínico, Palpatine diz temer que o escudo estará operacional quando seus amigos chegarem.

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É uma armadilha!

Vemos então os rebeldes liderados por Han na lua de Endor serem rendidos por dezenas de soldados dentro da base responsável pelo escudo.

Enquanto isso, a frota da Aliança chega do hiper espaço já perto da Estrela da Morte. Lando, ao ver que as comunicações com o grupo terrestre estão sendo bloqueadas pelo Império, percebe que eles eram esperados e manda seu esquadrão recuar porque os escudos ainda estão operacionais.

Quando Ackbar está ordenando que a frota tome ações evasivas, as naves imperiais aparecem, fazendo com que o almirante mande o icônico “é uma armadilha!”. A Aliança Rebelde vai do céu ao inferno em pouquíssimos segundos.

Na Estrela da Morte, o Imperador diz para Luke puxar uma cadeira e se aproximar da janela para ver destruição da Aliança e o fim da rebelião. O Rei do Camarote flagra o jedi olhando para o sabre de luz em sua posse e afirma sentir o ódio crescendo no garoto.

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A batalha mais ridícula da saga

Em Endor, o pequeno esquadrão rebelde é escoltado para fora da base onde encontram o resto do exército imperial, com direito a AT-STs e canhões d’água financiados por Geraldo Alckmin.

É aí que C-3PO surge ao longe no meio da floresta e chama a atenção de todos, fazendo com que um pequeno grupo de stormtroopers vá atrás dele e R2. Assim que a dupla é rendida, os ewoks surgem de surpresa e pulam em cima dos soldados, massacrando-os.

Uma cornetinha rompe o silêncio da área e começa a batalha mais ridícula da saga. Os ursinhos atiram flechinhas – eficazes contra armaduras – e o exército imperial se dispersa indo atrás dos pequeninos. É bizarro como as centenas de stormtroopers atiram pouquíssimo contra os inimigos, preferindo apenas correr atrás deles, abandonando qualquer estratégia de batalha.

No espaço, os caças rebeldes vão conseguindo se virar contra as naves imperiais, até que Lando percebe que os Star Destroyers não estão atirando. A bordo de um dos veículos maiores, descobrimos que eles estão esperando ordens do Imperador para entrar na batalha, devendo apenas impedir que os rebeldes fujam.

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Morram, ursinhos, morram!

Novamente a bordo da Estrela da Morte, Luke continua se segurando pra não partir pra cima de Palpatine e ceder à sua raiva, o que fica claro que está cada vez mais difícil. O sith então diz que ele irá testemunhar o poder de fogo da estação bélica que, surpresa, está totalmente operacional.

A Estrela da Morte então explode uma das maiores naves da rebelião com um único tiro. Ackbar dá a ordem de retirada mas é censurado por Lando, que diz ser a única chance deles, pedindo para darem mais tempo a Han na missão de desligar o escudo.

Lá embaixo, a batalha ridícula continua, com os ewoks começando a perder graças aos AT-STs do Império. Eles vão sendo explodidos um a um para o deleite de qualquer pessoa assistindo ao filme. Morram, ursinhos malditos, morram!

Enquanto isso, R2 tenta reabrir a porta da base mas é danificado, deixando a tarefa para Solo, que começa a mexer nos fios falando “tá tranquilo, eu vi 20 minutos de Guerra ao Terror”.

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“Eu sei”

Chewie e dois ewoks conseguem tomar controle de um AT-ST e a batalha começa a favorecer nossos heróis novamente, com as armadilhas mais toscas e primitivas dos ursinhos impressionantemente funcionando contra os vilões.

Han diz “consegui!” e vemos uma segunda porta fechar sobre a primeira, fazendo com que o cara faça uma cara sensacional de “EPA!”. Leia é subitamente atingida por um disparo no braço e o quarteto (Han, os robôs e ela) são rendidos por dois stromtroopers.

A mulher então mostra pra Solo que tem uma arma escondida, recebendo um “te amo” e mandando um “eu sei” de volta numa troca muito legal de papéis em relação àquela cena do Episódio V.

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Outro ótimo duelo de sabres de luz

De volta à Estrela da Morte, Palpatine consegue entrar na cabeça de Luke, que grita “LEEEROOOY JENNNNKINS!”, puxa sua arma e tenta acertar o Imperador, sendo impedido pelo sabre de Vader, enquanto o encapuzado ri.

Pai e filho começam a lutar freneticamente, numa outra luta que não fica devendo nada para os embates da nova trilogia. Os movimentos são rápidos e intensos, com os dois oponentes pau a pau.

Skywalker Jr. salta para uma plataforma no teto achando que tá safo, enquanto repete que sente o bem no sith e que ele não irá destruí-lo. Vader grita “cala boca!” e joga seu sabre na direção de Luke, que fala “wow! Não sabia que a gente podia fazer isso!” enquanto a plataforma desaba.

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Capitães panacas

Na Lua, Han se disfarça de piloto de AT-ST para mandar uma mensagem pelo Skype do veículo pra dentro da base trancada informando que a batalha acabou e os rebeldes fugiram para a floresta, requisitando reforços para a perseguição.

A galera lá dentro fica toda boba (eles abrem uns sorrisos muito panacas) e abre a porta, sendo emboscada por 157 ewoks. Han coloca explosivos suficientes para demolir três perimetrais no Rio de Janeiro.

Lá no alto, Vader procura Luke, escondido em algum canto escuro da sala. O sith diz que apenas através do lado negro ele pode salvar seus amigos e o garoto começa a balançar. Skywalker sênior sente que os sentimentos do filho pelos outros são fortes, especialmente por… uma irmã! “O que?! Eu tenho uma filha?! Duas pensões?!” grita Darth.

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A vingança do jedi

Quando o vilão diz que se o filho não vier para o lado negro, talvez sua irmã vá, Luke surge gritando “NUNCA!” a plenos pulmões e partindo com tudo pra cima do figura.

A luta prossegue com Skywalker Jr. empurrando seu pai até uma pequena passarela, onde, tomado pela raiva e balançando seu sabre loucamente como se estivesse jogando Wii Sports, o garoto decepa a mão direita do vilão – se vingando, mesmo que sem intenção.

Palpatine se aproxima dizendo que a raiva o fortaleceu e manda Luke tomar o lugar do pai ao seu lado. O jedi olha para a sua mão robótica e depois para o membro decepado de Vader, percebendo que está perto demais de seguir o mesmo caminho de Anakin e tornar a visão da caverna do Episódio V realidade.

Skywalker Jr. desliga seu sabre e o joga longe, dizendo que nunca irá para o lado negro pois ele é um jedi, assim como seu pai antes dele (uma fala bem maneira).

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O conflito de Vader

Em Endor, Han finalmente manda a base imperial pelos ares e Ackbar, no espaço, imediatamente manda a galera começar o ataque ao reator da Estrela da Morte porque o escudo foi desligado.

Lando a bordo da Millenium Falcon – usando suas próprias roupas dessa vez, diga-se de passagem – lidera a ofensiva, seguido por outros caças rebeldes.

Totalmente contrariado, o Imperador diz que se Luke não vai se juntar a eles, será destruído, soltando uma primeira leva de raios azuis pra cima do moleque. O velhote diz que suas débeis (parece que alguém estudou o dicionário!) habilidades não são páreo para o poder do lado negro, enquanto se aproxima do jovem e segura o dedo no botão do choque.

Skywalker Jr. vai fritando e se contorcendo como uma minhoca na chapa quente, pedindo a ajuda de seu pai. É aí que rola algo incrível: mesmo mascarado, conseguimos perceber o enorme conflito pelo qual Vader passa, olhando para seu mestre e para seu filho, tendo que escolher um lado. Darth Vader então levanta Palpatine, o babaca que o manipulou por todos esses anos, e o atira num abismo da Estrela da Morte.

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Por que, George Lucas?

Uma coisa triste nessa cena é mais uma alteração feita por George Lucas, dessa vez em 2011 para a edição em Blu-Ray do filme: Vader grita um sonoro “NÃÃÃÃOOO!” (menos novela mexicana do que o do Episódio III mas ainda bem pastelão) ao levantar o Imperador e atirá-lo para a morte. Cara, pra que isso?

O conflito pelo qual o vilão passa é claro como um celular puxado durante de uma sessão de cinema. Assim como argumentei na cena parecida em A Vingança dos Sith, ter o cara sofrendo em silêncio é muito mais sombrio e significativo do que fazê-lo gritar o óbvio. Ainda mais quando é um personagem tão contido e disciplinado como o sith. Essa mudança é gratuita e nada a ver demais.

No meio da confusão dentro da Estrela da Morte, que está sob ataque, Luke vai arrastando o corpo de Vader com dificuldade – o cara tomou uma boa dose de raios ao matar Palpatine e algum babaca decepou sua mão – até uma nave para que possam fugir.

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Olá, Anakin. Adeus, Anakin

Skywalker sênior lhe pede ajuda para tirar a máscara, ao que Skywalker Jr. responde “mas você vai morrer!” (como ele sabe disso?). O sith diz que nada pode impedir isso agora e que deseja vê-lo pelo menos uma vez com seus próprios olhos.

Luke tira o capacete de seu pai e vemos Anakin pela primeira vez desde o Episódio III: pálido, careca e com o topo da cabeça aparentemente mordido, mas com um semblante de pura redenção.

Tio Chico lhe diz para deixá-lo, ao que o jedi responde dizendo que tem que salvá-lo. Vader, emocionado, diz que ele já o salvou e que estava certo sobre ele. “Fale pra sua irmã que você estava certo sobre mim”, o cara diz antes de morrer.

O garoto então pega a nave do pai e mete o pé.

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Você beijou seu irmão?!

Lá fora no espaço, o esquadrão liderado por Lando entra na Estrela da Morte, sendo perseguido por alguns caças imperiais (enquanto isso um rebelde kamikaze joga sua nave contra a sala de comando de um Super Star Destroyer, destruindo-o sozinho, é sensacional).

Lando e Wedge se separam dos outros e chegam no reator da estação (que parece a fase final alternativa de Star Fox 64). A dupla manda tudo pelos ares e consegue escapar como fogo logo atrás deles. É o fim da segunda Estrela da Morte.

Em Endor, Han, Leia, ewoks e robôs presenciam a explosão nos céus. Solo, ao ver a moça preocupada, diz que Luke provavelmente não estava lá dentro. Organa, ou melhor, Skywalker, diz que sente que ele não estava (todo mundo virou jedi agora).

Rola uma cena de ciúmes, com o contrabandista achando que a mulher está apaixonada pelo garoto. Leia ri, diz que ele é seu irmão e beija Han, que fica com uma cara impagável de confusão e surpresa. Sabe no que ele está pensando? No beijo que ela deu em Luke no Episódio V. É, amigo, todos nós pensamos nisso também.

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Sai da minha vida, Hayden Christensen, pelo amor de Deus

À noite, Luke acende a fogueira gigante para cremar Anakin (de armadura e tudo mesmo). O filme então corta para comemorações em diversos planetas da galáxia, incluindo Coruscant (o que não faz sentido no contexto social e político de O Despertar da Força) e Naboo, onde podemos ver e ouvir os malditos gungans.

De volta a Endor, uma festinha está rolando solta para comemorar o fim do Império (que na verdade não acabou nada, né, Disney), com a galera dançando com os ewoks, tudo num clima de despedida bem emocionante (mesmo com pessoas dançando com ewoks).

Luke então se afasta um pouquinho da comemoração e vê um terceiro fantasma se juntar a Obi-Wan e Yoda: Anakin Skywalker. E é claro que George Lucas teve que cagar tudo em outra edição e enfiar Hayden Christensen no lugar da versão mais velha de Skywalker sênior.

Não faz sentido nenhum. Já vi a defesa de que apenas jedi podem virar fantasmas da Força e Vader era um sith, enquanto sua forma jedi era Anakin do Episódio III antes de tombar pro lado negro. Mas o cara volta pro lado luminoso no finalzinho desse filme, deixando de ser um sith. Ele deveria aparecer então na sua forma mais velha mesmo.

E cara, Hayden Christensen consegue a façanha (sério, dêem algum prêmio pra ele) de conseguir atuar incrivelmente mal numa cena em que ele só precisava ficar parado. Ele parece um boneco. E um boneco com cara de estuprador.

E aí o filme acaba. Dane-se. Como eu odeio o Hayden Christensen, meu Deus do céu.

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32 anos depois. E aí?

Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi com certeza é o filme mais fraco da trilogia clássica. Não que ele seja ruim, mas já é possível ver o que alguns devaneios de George Lucas – agora com mais liberdade do que nas outras produções (isso sim é algo ruim) – acabam gerando.

O roteiro ainda é muito bom. A progressão da história se dá de forma lógica e natural na maior parte do tempo, com diálogos simples mas marcantes – como Vader dizendo que já é tarde demais pra ele – e cenas excelentes, como todo o embate entre Luke, seu pai e Palpatine.

O problema principal é que o tom do filme dá uma guinada bruta pro infantiloide em alguns momentos. Não me entenda mal, sei que Star Wars é e sempre será um produto destinado para crianças (além de adultos, claro), mas os dois primeiros filmes conseguem conversar com todos os públicos o tempo todo. Os alívios cômicos nunca são bestas.

Já aqui no Episódio VI, as cenas com os ewoks te fazem revirar os olhos e dar até uma desligada no cérebro de tão bobas. Meu problema não é com os ursinhos em si, mas a forma como eles foram roteirizados. Tudo bem os fofuchos conseguirem derrotar soldados imperiais, por exemplo, mas pelo menos dê uma justificativa minimamente verossímil pra isso. Engolir que pedras e flechinhas funcionaram contra pessoas de armadura é dose.

O Retorno de Jedi seria um filme muito melhor – e arrisco dizer no nível de O Império Contra-Ataca ou até mesmo acima – se não fossem por essas infantilidades. O começo com o resgate em Tatooine e o final com Luke enfrentando os sith são incríveis. Pena que o filme descarrilha forte ali pelo meio.

Tomara que o vindouro O Despertar da Força permaneça bom para sempre.

O que dá vontade de falar para George Lucas após rever o filme: casa logo com o Hayden Christensen, por favor.

 

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