Revisitando Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança

Em 1977 a cultura mundial mudou para sempre. No dia 17 de agosto daquele ano, o quebra-gelo Arktika se tornava o primeiro navio a chegar no Pólo Norte, descobrindo que não havia nenhum senhor chamado Papai Noel morando numa fábrica de brinquedos local. A história do bom velhinho virou lenda. A lenda virou mito.

Além disso, Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (na época apenas Star Wars) chegava aos cinemas em 25 de maio para se tornar um verdadeiro fenômeno, o Ronaldinho da cultura pop.

Mas será que, diferentemente de A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, o primeiro filme da saga é realmente tão bom quanto a gente se lembra?

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Disparidade visual

É um período de guerra civil na galáxia. Rebeldes conseguiram roubar os planos secretos da Estrela da Morte – uma estação espacial com poder suficiente para destruir um planeta inteiro. Perseguida pelos “sinistros agentes” do Império, a Princesa Leia corre pra casa a bordo de sua nave para publicar as informações no WikiLeaks.

É fantástico como logo na primeira cena, George Lucas – um senhor mentalmente saudável na época – consegue estabelecer visualmente a disparidade entre os poderios rebeldes e imperiais: vemos surgir no topo da tela uma minúscula nave sendo perseguida por um gigantesco Star Destroyer. É como ver um urso perseguindo uma galinha. Ou um homem perseguindo um hamster. Ou um homem montado em um urso jogando galinhas em hamsters.

O pequeno veículo logo é capturado e abordado pelos stormtroopers, que entram atirando pra tudo quanto é lado como se a nave fosse o Rio de Janeiro. Os guerreiros rebeldes vão sendo abatidos de forma caricata – muitos pulinhos, caras e bocas – até que o ameaçador Darth Vader entra em cena parando entre os corpos para botar as mãos na cintura e pensar em toda aquela bagunça.

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R2-D2 e o filósofo maluco

À procura de R2-D2 no meio da confusão, o dourado C-3PO acaba testemunhando a Princesa Leia ardilosamente escondendo os planos da Estrela da Morte dentro do robôzinho. Sem entender o que está acontecendo, o dróide dá um ataque de pelanca, ao que R2 responde “calma, cola em mim que você brilha”.

Enquanto isso, Darth Vader interroga um rebelde para saber onde estão os planos roubados. Sua imagem ameaçadora é reforçada com o figura segurando a vítima pelo pescoço e levantando-a acima do chão com uma só mão. O rapaz diz que aquele é um veículo civil a caminho do show do Restart mas Vader, que sabe que a banda acabou em março de 2015, o joga de cara na parede e ordena que seus stormtroopers vasculhem a nave.

R2 entra num módulo de escape e quando é alertado por C-3PO de que aquela área é restrita e ele será desativado, chama o parceiro de filósofo maluco (sério) e fala sobre sua missão secreta com os planos. Mais perdido que cego em tiroteio – nesse caso, robô em tiroteio -, o dróide dourado só aceita acompanhá-lo quando um disparo quase o atinge.

O módulo é lançado e imediatamente notado por dois militares no Star Destroyer. O homem com a maior patente calmamente diz para não dispararem porque não há formas de vida a bordo e deve ter sido um curto circuito.

Mas se o objetivo é encontrar os planos roubados da Estrela da Morte, não poderia haver a possibilidade de alguém ter jogado o pen drive dentro da navezinha e lançado-a no espaço (o que é mais ou menos o que acontece)? Esse oficial então não sabia qual era o objetivo da missão? Como disse Family Guy: eles estão pagando por cada laser pra quererem economizar assim?

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Eva?

De volta à nave rebelde, a Princesa Leia é levada até Darth Vader e diz que não tem conta na Suíça, tomando um “não se faça de idiota, querida”. Após ordenar seu aprisionamento, Vader é informado de que os planos não estão na nave e que um módulo de fuga, vazio, foi acionado. O vilão junta dois com dois e, após soltar um “IHHHH, RAPAZ…”, diz que ela deve ter escondido as informações na pequena nave e manda um esquadrão ir atrás dela.

Na desértica superfície de Tatooine, onde o módulo caiu, R2-D2 (andando surpreendentemente de boa pela areia mesmo sendo um robô apoiado por um tripé com três rodinhas) e C-3PO seguem por caminhos distintos após divergirem sobre qual rota tomar após ficarem sem 3G para usar o Waze.

O baixinho logo é capturado por jawas (não consigo decidir se eles são fofinhos ou assustadores) e levado para o gigantesco veículo das criaturas. Dentro do depósito cheio de sucata e outros robôs, R2 reencontra o também capturado C-3PO e conhece Wall-E, provando que o negócio entre Disney e Lucasfilm é muito mais antigo do que a gente pensa.

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O jovem surfista

No local onde o módulo de fuga caiu, stormtroopers – e as trezentas coisas adicionadas por George Lucas em 1997 – vasculham a área. Um dos soldados assume que havia alguém na nave por causa das pegadas e outro, enquanto segura uma peça, pipoca na tela gritando animado “OLHAÍ, RAPAZ, DRÓIDES!”.

Os dróides aos quais ele se refere são levados pelos jawas até a propriedade do aposentado jogador Michael Owen para serem vendidos. Ele inspeciona os robôs e decide comprar C-3PO e uma outra unidade R2, ordenando que seu sobrinho Luke – um jovem com cabelo de surfista e bronzeado de Panicat – os limpe imediatamente. O moleque reclama dizendo que tinha combinado de ir tomar açaí com os amigos ao que seu tio responde “veja se eu ligo”.

Quando Luke está saindo com os robôs, o R2 vermelho explode, fazendo com que o garoto aponte para seu tio que aquele dróide tem um “péssimo motivador” – e realmente, voltando a cena é possível ouvir baixinho “você é um inútil, seu robôzinho de bosta”. C-3PO, sendo um cara bem legal (pena que não pode ver mulher), indica R2-D2 como substituto.

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O trio vai para a garagem da casa e Luke ativa acidentalmente uma mensagem holográfica da Princesa Leia ao limpar o pequeno astrodroide. Na gravação em loop – interrompida apenas por propagandas do Spotify -, a moça pede a ajuda de Obi-Wan Kenobi.

O dróide diz que pertence ao tal Obi-Wan, que mora ali pela área, e que é uma mensagem pessoal para ele, lembrando ao rapaz que é crime abrir a correspondência dos outros.

Luke então reflete “Hummm… Obi-Wan Kenobi… hummm… será… será que… é o velho Ben Kenobi?” e chama o cara de eremita velho e estranho, mostrando zero respeito pelos idosos. Após olhar para o holograma de Leia com sua cara mais assediadora possível – provando que é mesmo filho de Anakin Skywalker -, o parafinado adolescente decide ignorar o que R2 disse e tenta dar play na mensagem completa.

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Acontece que Luke puxa o USB sem clicar em “remover hardware com segurança” e a mensagem desaparece por completo. Antes mesmo que o moleque possa dar um chute no robô, sua tia o chama para jantar.

O menino chega na sala e é engraçado notar como a mulher se veste de forma mais “convencional” que os outros dois. Enquanto Luke e Owen usam uma espécie de túnica, Beru traja uma transada jaquetinha jeans por cima de uma camisa simples. Parece que a atriz chegou de casa, esqueceu de botar a roupa pra cena e ficaram com pena de chamar a atenção de uma senhorinha tão fofinha.

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O problema de fazer prequências

À mesa, o moleque conta o que aconteceu e cita o nome Obi-Wan Kenobi, fazendo com que seus tios olhem preocupados um para o outro. Quando Luke começa a se perguntar se Obi-Wan e Ben Kenobi são parentes, Owen desconversa e diz que ele é apenas um velho bruxo maluco. E é aí que as coisas ficam estranhas se você perceber que Hogwarts não existe no universo Star Wars. Se você levar a nova trilogia em conta, as coisas ficam ainda mais estranhas.

No finalzinho do Episódio III, Yoda diz para Bail Organa e Obi-Wan que eles devem permanecer escondidos até que a hora certa [para peitar o Império] chegue. O jedi barbudo entrega o bebê Skywalker para o jovem Owen e fica na região para protegê-lo. A lógica dita que ele tenha avisado ao cara sobre toda a situação, de que aquela criança seria muito importante e deveria ficar escondida até algum momento futuro. Além disso, é possível assumir que no plano dos jedi, Obi-Wan se tornaria o mestre de Luke.

Por que então Owen tenta diminuir a imagem do cara aqui no Episódio IV? Mesmo se ele não tivesse contado todo o plano, não é como se Obi-Wan fosse um completo desconhecido pro tio do Luke taxá-lo como maluco. Eles devem ter conversado alguma coisa em A Vingança dos Sith pro rapaz aceitar esse bebê vindo completamente do nada.

Lembra o que falei sobre o problema de se fazer prequências no último post? Quando os roteiristas são particularmente incompetentes na sua missão, além de deixar elementos do próprio filme sem sentindo, eles também acabam complicando algumas coisas das produções antigas.

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Clima leve demais

O diálogo prossegue com Owen tentando fazer Luke esquecer toda essa história e falando que Ben Kenobi provavelmente já morreu há tempos. O moleque então lembra seu tio de um acordo que fizeram pra ele realizar a prova da Academia (Academia Imperial, sim. Luke inicialmente queria se juntar ao Império. Por mais que possivelmente fosse só pra sair de Tatooine, isso ainda é muito doido).

O velhaco responde que precisa do garoto por mais uma temporada e que a prova fica pro próximo ano, ao que o adolescente responde gritando que não pediu pra nascer e levanta da mesa. Beru diz que o menino não pode ficar lá pra sempre porque não é um fazendeiro e tem muita coisa do pai, ao que Owen responde que é justamente isso que ele teme.

Essa cena é um pouco estranha porque o diálogo todo se dá de forma super casual, com uma trilha sonora leve e uma Beru sorridente e serena, principalmente quando diz que Luke tem muito de Anakin. Se Owen teme essa última parte, quer dizer que eles sabem o que aconteceu com o pai do garoto. Como que a mulher então solta que eles são parecidos com preocupação zero?

Se tivessem mudado um pouco o tom da conversa, com a atriz se mostrando um pouco apreensiva por mais que insistisse que o menino tem que bater asas e voar, talvez até dizendo algo como “você não pode esconder a verdade dele para sempre”, a cena teria ganhado um bom peso de mistério, ficando muito mais interessante.

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Luke vai pra fora da casa para aplaudir o duplo pôr do Sol e temos uma cena visualmente memorável, acompanhada por uma incrível trilha sonora de John Williams. Fica tudo mais bonito do que um filho bastardo do Rodrigo Hilbert com o Brad Pitt.

Ao voltar para a garagem, o jovem descobre que R2-D2 fugiu para encontrar Obi-Wan, deixando apenas um bilhete escrito “a novinha não me quer só porque eu vim da roça”. Como já escureceu e o Povo da Areia está sempre à espreita, a missão de busca precisa ficar para a manhã seguinte.

A bordo de um carro voador – o efeito continua impressionante até hoje (e só recentemente descobri que usaram um espelho na lateral do veículo para dar a impressão de levitação) -, Luke e C-3PO partem logo cedo em busca do dróide. A dupla rapidamente localiza R2, que avisa que várias criaturas se aproximam do local.

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Uma vez que você vê…

Em vez de meter o pé, o garoto decide “dar uma olhada”, mostrando que não duraria nem 15 minutos num filme de terror. Com seus binóculos, Luke observa dois distantes banthas e um membro do Povo da Areia antes de ser surpreendido por um dos nômades logo na sua frente. O mascarado balança seu cajado sobre a cabeça e a cena é literalmente repetida de trás pra frente umas três vezes na edição – se tornando uma daquelas coisas impossíveis de “desver” depois que você nota pela primeira vez.

Luke é nocauteado e quando as criaturas estão prestes a desenhar pintos na sua cara com caneta permanente, uma figura encapuzada surge gritando “UOOOOOOOOOOOOHHHH!” como se tivesse pisado num LEGO (antes das edições de 1997 era apenas o rugido de uma criatura) para espantar os nômades.

O misterioso indivíduo se aproxima do rapaz e abaixa seu capuz, revelando um velhinho super simpático que diz para R2 não ter medo. Luke desperta e, ao ver que aquele é Ben Kenobi, conta sobre seu dróide que está a procura de um tal Obi-Wan. O grisalho barbudo imediatamente reconhece o nome e quando o moleque pergunta se ele conhece essa pessoa, o senhorzinho bate no peito e responde “Ben é o c#$@&%*, meu nome é Obi-Wan”.

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Jedi Fashion Week

Agora que vimos Obi-Wan, uma pausa para falar sobre outra coisa que não faz sentido graças às prequências, claro. Quando o jedi aparece, notamos que Luke, Owen e ele trajam túnicas parecidas. Isso tem sua lógica por todos estarem na mesma região desértica. É possível assumir que aquela é uma roupa padrão para o local.

Agora, por que diabos literalmente todos os jedi na nova trilogia se vestem como habitantes de Tatooine? A sede da ordem jedi fica em Coruscant, cujo clima é super agradável (minhas férias lá foram ótimas, levei casaco à toa), e os guerreiros da paz atuam em toda a galáxia. Por que eles escolheriam vestimentas específicas de um deserto como “uniforme” padrão?

Outra coisa rápida: a intenção era se esconder do Império e Obi-Wan Kenobi mudou seu nome apenas para… Ben Kenobi? Sério? Amigo, mudava pra Dalton Vigh ou pelo menos Ken Benobi que já ficava bem melhor.

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O agente do Império

Voltando ao filme, a trupe se refugia na casa de Ken Benobi, que revela ter lutado nas Guerras Clônicas e ter sido um cavaleiro jedi como o pai de Luke. O barbudo completa dizendo que o patriarca era um formidável piloto (o que a nova trilogia estabelece muito bem) e um bom amigo (o que a nova trilogia estabelece muito mal).

Casualmente, Ben levanta e diz que tem algo para o moleque. Algo que seu pai queria que ele recebesse quando fosse mais velho, mas que seu tio não permitiu por temer que o garoto seguisse alguma “cruzada idealista” como seu progenitor: o sabre de luz de Anakin.

Duas questões são levantadas com essas falas. Primeiro, o papo sobre o sabre se torna uma baita mentira por causa do Episódio III – “seu pai queria que eu te entregasse” na verdade deveria ser “peguei esse treco no chão depois que desmembrei o seu papai”.

E segundo, olha o tio Owen novamente agindo como se não soubesse nada sobre a origem de Luke e os planos de Yoda e Obi-Wan de peitar o Império no futuro. O moleque partir numa “cruzada idealista” é justamente o que os caras esperavam e o que a galáxia precisa. Cada vez mais parece que Obi-Wan simplesmente apareceu com um bebê e jogou no colo do jovem Owen no finalzinho do Episódio III sem falar absolutamente nada.

Ou então… Owen é um agente infiltrado do Império.

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Espada de luz

O senhorzinho bota o sabre na mão do moleque sem explicar nada sobre como ele funciona, o que poderia ter sido uma cagada monstra porque Luke nunca viu aquele troço na vida. Vai que ele aperta o botão com a saída de energia virada pra própria cara? Eu ia escrever que é como botar uma katana na mão de um índio mas na verdade é bem pior porque é possível encostar na lâmina da katana sem se cortar. Não é um laser que frita e decepa tudo que toca nele.

É interessante notar que, nesse primeiro filme (em termos de produção), a lâmina do sabre de luz se assemelha mais a uma espada do que aquele formato tubular que a gente conhece (tipo aquelas lâmpadas fluorescentes de colégio). Quando Luke dá umas giradas nele, é nítido que o feixe de luz fica mais fino dependendo do ângulo da câmera.

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Nada de midichlorians

Luke pergunta como seu pai morreu e Obi-Wan, após parar por alguns segundos para pensar, diz que ele morreu de “latinha”. O órfão, confuso, pergunta se jogaram uma lata na cabeça dele ou algo do tipo. Kenobi explica: Anakin foi mergulhar numa praia em Naboo e perguntou pra um pescador local se haviam tubarões no local. O pescador disse que não, o cara mergulhou e foi atacado por um tubarão. Lá tinha.

Depois que as risadas da plateia acabam, o barbudo conta que um jovem jedi chamado Darth Vader, seu aprendiz até se virar para o mal, ajudou o Império a perseguir e destruir os jedi, acabando por trair e matar o pai de Skywalker.

Tem gente que chama o cara de mentiroso por contar a história dessa forma, mas no fim das contas, é apenas uma versão mais poética da queda de Anakin para o lado negro, como se houvessem duas personalidades dentro do personagem – uma boa (Anakin) e outra má (Vader). Imagina se o jedi falasse “ah, então, na verdade seu pai não morreu, hoje ele é o segundo em comando desse Império que aterroriza a galáxia. Boa sorte na terapia”.

A conversa segue com Ben ensinando pro moleque o que é a Força. E que beleza é ver essa explicação de forma “mística”, sem nada de midichlorians. Ele diz que a Força é um campo de energia criado por todos os seres vivos, responsável por manter a galáxia unida. Além disso, é o que dá poder ao jedi e faz com que todos os não jedi tentem constantemente levitar objetos com a mente, ficando levemente deprimidos quando não conseguem.

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O chamado da aventura

Enquanto Luke lança um olhar de “os sóis fritaram o cérebro desse velho”, R2-D2 apita como um microondas e dá play na mensagem completa de Leia. A moça chama Kenobi de general e diz que no passado ele serviu ao seu pai nas Guerras Clônicas.

Mas… Bail Organa era apenas um senador. E até contrário ao exército da República. Como que Obi-Wan pode ter servido diretamente a ele, um político relativamente pequeno, durante o conflito? Fica a impressão de que Bail na verdade era algum tipo de militar…

Continuando, a princesa revela que está prestes a ser capturada e por isso armazenou informações vitais para a Rebelião no R2, pedindo ao jedi que leve o robôzinho até seu pai em Alderaan.

Com a malandragem digna de um taxista carioca, Obi-Wan já vira pra Luke dizendo que ele precisa aprender os caminhos da Força se vai acompanhá-lo ao planeta mesmo sem o piá ter dito uma só palavra. O garoto, em conflito, recusa o chamado da aventura dizendo já ter louça demais para lavar.

Skywalker argumenta que ele odeia o Império (por mais que… estivesse doido pra fazer a prova pra Academia deles) mas não ha nada que ele possa fazer no momento além de dar uma carona para Ben.

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O Oficial Insensato

Enquanto isso, numa reunião a bordo da Estrela da Morte, o Oficial Sensato aponta que se os rebeldes tiverem acesso aos esquemas da Estrela, eles podem encontrar um ponto fraco e explorá-lo. O Oficial Sensato é respondido pelo Oficial Insensato que diz que qualquer ataque dos rebeldes contra a Estrela da Morte será inútil porque ela é o maior poder do universo.

Darth Vader, tal como um hippie numa reunião empresarial, o alerta para não ter tanto orgulho do “terror tecnológico” que construíram pois a capacidade de destruir um planeta é insignificante perante o poder da Força. Oficial Insensato então decide que não tem amor à própria vida ao dizer para Vader não tentar assustá-los com suas “feitiçarias” e que sua devoção doentia à antiga religião não o ajudou a encontrar os planos.

É claro que o armadurado sith usa a Força para sufocá-lo e fazer com que o militar bata repetidamente na própria cara enquanto diz “por que você tá se batendo?”. A ótima atuação de sofrimento do Oficial Insensato aliada a um sutil efeito sonoro faz com que você acredite que aquele cara está mesmo ficando sem ar, fazendo com que a figura ameaçadora de Darth Vader seja reforçada mais uma vez.

Tarkin joga um balde d’água nos dois fazendo com que o conflito termine. O homem por trás da Estrela da Morte afirma que Lorde Vader fornecerá a localização da sede dos rebeldes para que eles sejam destruídos com um único tiro e manda os dois pra diretoria.

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Povo da Areia, o povo de Jesus

De volta à Tatooine, Ben, Luke, C-3PO e R2-D2 encontram diversos jawas abatidos e seu gigantesco veículo destruído. O moleque inicialmente acredita se tratar de um ataque do Povo da Areia, mas o ancião informa que há pegadas lado a lado e os nômades sempre viajam em fila única para esconder seus números (assim como Jesus naquela história das pegadas na areia). Ou seja, o ataque foi forjado para parecer autoria do Povo da Areia.

Por mais que aparentemente todos os jawas sejam idênticos, Luke de alguma forma reconhece que foram os mesmos que venderam os dróides para sua família, informação que Kenobi verdadeiramente ignora e mostra que os tiros estão precisos demais para terem sido disparados pelos nômades. Por mais que o resto do filme (e dessa trilogia) nos mostre que stormtroopers são terríveis de mira, o ancião diz que deve ter sido um trabalho das tropas imperiais.

Luke pergunta por que os stormtroopers matariam jawas até que olha pros robôs, bate a mão na testa e diz que eles já devem saber pra quem os dróides foram vendidos, voando sozinho pra casa.

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Stormtroopers ou Boba Fett?

Quando o jovem chega em casa, tudo já está destruído. As estruturas estão queimadas, há muita fumaça (que vai pra um lado e o cabelo de Luke nos closes, pro lado oposto) e dois esqueletos completamente carbonizados jazem na entrada da propriedade.

É uma cena muito triste – novamente reforçada pela fantástica trilha sonora – e visualmente bem pesada até. O impotente Skywalker percebe que a vida como ele conhecia já não existe mais.

Há uma teoria muito legal (e inútil) que afirma que quem matou os tios de Luke foi Boba Fett. Na edição especial de 1997 – infelizmente dita como canônica pelo próprio George Lucas -, Fett aparece no hangar da Millenium Falcon acompanhando Jabba e outros caçadores de recompensa (já vamos chegar lá). Ou seja, ele estava no planeta.

Além disso, o método dos stormtrooper consiste em apreensão para interrogação – até porque eles precisam de informações que só aquelas pessoas poderiam lhes fornecer -, e não mero assassinato (ainda mais da forma brutal como foi feito).

Por fim, no Episódio V, Vader especificamente aponta para Boba ao dizer “sem desintegrações”, como se isso já tivesse acontecido, quando contrata caçadores de recompensa para localizarem os heróis. Aposto no mandaloriano mesmo.

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O brilho radioativo das edições

Luke retorna até os outros e é consolado por Obi-Wan. O mancebo decide acompanhá-lo até Alderaan porque suas pranchas de surfe foram queimadas e ele soube de uma boa promoção no planeta. Determinado, Skywalker também diz que quer aprender os caminhos da Força para se tornar um jedi como seu pai. Ben fala baixinho pra si mesmo “tomara que não TÃO como o seu pai…” e quando Luke pergunta o que ele disse, Kenobi responde “nada não, vambora”.

O grupo faz um pit stop no topo do Monte Roraima para tirar uma selfie legal e observar o espaçoporto de Mos Eisley na distância, ao qual Ben se refere como o lugar com maior concentração de escória e vilania que alguém pode encontrar – claramente o jedi nunca foi para Brasília, não é mesmo? #CríticaSocial #PuroPoplítica

O grupo adentra a cidade e é aí que as edições de George Lucas feitas em 97 brilham com toda a sua radioatividade cancerígena. O cara enfiou uma cacetada de bichinhos e outros elementos em CG (hoje 100% datados) desnecessários pra “povoar” a tela e forçar alívios cômicos completamente ridículos.

Logo antes de serem questionados pelos stormtroopers, um bicho adicionado nessa maluquice passa na frente da câmera e chega a tampar totalmente a imagem por uns bons segundos. Por que? Meu Deus, por que?

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Valorize seus estagiários

O veículo dos heróis é parado por um grupo de stormtroopers que exigem informações sobre os robôs. Quando o líder pede para ver a identidade de Luke, Obi-Wan mexe a mãozinha e usa o truque Jedi para dizer que eles não precisam ver a identidade do garoto e que aqueles não são os dróides que eles procuram. O stormtrooper repete o que o jedi fala e deixa que eles sigam viagem.

A cena é altamente memorável mas… Obi-Wan aparentemente só usa o truque no líder – ele olha diretamente pro cara e faz o gesto em sua direção. Os outros quatro stormtroopers que estão próximos não percebem que alguma coisa estranha está acontecendo? Não é como se o ancião estivesse sussurrando ou algo do tipo. Ele fala em bom tom, o líder estranhamente repete tudo e deixa os caras passarem numa boa.

É aí está uma lição de George Lucas para o mundo do empreendedorismo: os estagiários de qualquer empresa, em qualquer galáxia, precisam sempre se sentir seguros o suficiente para questionarem decisões até mesmo de seus superiores.

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A fantástica Cantina

Quando o veículo para no estacionamento da Cantina, o flanelinha jawa já chega falando “pode deixar eu fico de olho, chefe!”, sendo espantado por Luke que diz que vai pagar na volta.

O moleque pergunta como que eles conseguiram passar pelos guardas, ao que Obi-Wan responde dizendo que a Força pode ter grande influência sobre mentes fracas, como pessoas que acham que heterofobia é algo real.

Ao som da icônica música tema estilo jazz ou axé-Bahia (não sou muito bom quando o assunto é música), o grupo entra na Cantina e podemos ver os mais diversos tipos de alienígenas (incluindo alguém com roupa de astronauta terreste e um cara que parece ser literalmente o Diabo) tomando um goró ou falando sobre o nível da arbitragem do Campeonato Brasileiro.

Até então o filme só havia nos mostrado alguns alienígenas aqui e ali como os jawas, mas sempre mascarados ou encobertos. Na Cantina somos subitamente apresentados à uma pluralidade de raças (todas com design super inspirado) e é difícil não se sentir em um mundo totalmente novo assim como Luke.

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Briga de bar

Enquanto Ben começa a conversar com Chewbacca, o barman avisa a Luke que droides são proibidos no local – o que faz certo sentido se você pensar que eles não consomem nada e só vão ocupar espaço. Skywalker, se esquecendo que há patrulhas de stormtroopers à procura dos seus robôs, tranquilamente fala para R2 e C-3PO esperarem sozinhos lá fora.

Luke vai até o bar pedir uma Piña colada e recebe uma cantada de um alien que parece ter suas bolas localizadas no queixo. O moleque ignora a pedreiragem mas logo é abordado pelo amigo de Bolas no Queixo, Nariz Amassado, que acha um absurdo seu companheiro ter levado um toco. “Ele não gosta de você”, mente Nariz Amassado, completando que ele também não gosta do loirinho.

Skywalker solta um “sinto muito” e volta para o seu drink. Nariz Amassado puxa o menino e diz que conhece o dono da boate e que Luke nunca mais poderá voltar lá. Ben, tentando apaziguar a treta, se mete na conversa e diz para o alien que o baixinho é hétero, lhe oferecendo uma cervejinha para selar a paz.

Nariz Amassado grita que está tomando Roacutan e joga o moleque longe. Bolas no Queixo puxa sua arma mas o jedi é mais rápido e decepa seu braço com o sabre de luz – braço este que fica ensanguentado no chão, indo contra a noção posterior de que sabres de luz imediatamente cauterizam as feridas (tirando essa cena, nunca se vê sangue nesse tipo de situação em qualquer outro filme).

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Han Solo

Tão rápido quanto começou, a briga termina e Ben informa Luke de que Chewbacca é co-piloto de uma nave que pode lhes servir. A dupla é apresentada a Han Solo, capitão da Millenium Falcon – um dos nomes mais maneiros de nave que já inventaram.

O jedi pergunta se a nave é rápida e Han, incrédulo com o fato do ancião não conhecer a reputação da nave, diz que ela fez o percurso de Kessel em menos de doze parsecs (informação que pela cara que Kenobi e Luke fazem de paisagem fez tanto sentido pra gente quanto pra eles) e derrotou o Drift King de Tóquio.

Ben e Solo negociam, o capitão descobre que a dupla quer evitar “problemas imperiais” e joga o preço lá em cima culpando alta do dólar, o que faz Luke fica revoltado. Obi-Wan acalma o mancebo e faz um trato para pagar ainda mais quando chegarem em Alderaan.

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Han atira primeiro

Sozinho após mandar Chewie ir arrumando a nave, o contrabandista é interceptado por Greedo, caçador de recompensas contratado por Jabba (Han abandonou cargas ilegais que transportava para o criminoso ao ver que seria abordado pelo Império), e a dupla se senta à mesa.

Solo, sob a mira da arma do olhudo verde, levanta a mão esquerda para distrair o inimigo enquanto saca seu blaster com a direita embaixo da mesa (nunca tinha reparado essa malandragem).

Quando a coisa está para esquentar, algo sensacional ou ridículo acontece dependendo da versão do filme que você assistiu. Na original, Han Solo simplesmente atira primeiro em Greedo e dane-se, meu amigo. O cara não tem tempo pra ficar de conversinha e, vendo que aquilo não iria a lugar nenhum, decide agir. É uma baita de uma construção de personagem em uma única cena.

Agora, se você conferiu o filme com as edições de 1997, George Lucas fez com que Greedo atirasse primeiro e Han deslocasse bizarramente seu pescoço para escapar do tiro e só aí revidasse. A figura do fora da lei que atira antes e pergunta depois, sem medo das consequências, é substituída por um cara que espera dar ruim pra resolver reagir. E tem incríveis poderes contorcionistas.

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Olho no queixo

Han vai até a Millenium Falcon onde encontra Jabba e diversos outros caçadores de recompensa à sua procura. Em 1977, essa cena foi gravada com um redondo, baixinho e nada ameaçador humano como o criminoso e George Lucas resolveu cortar a sequência da versão final por ter visto o quão tosco aquilo tinha ficado. Em 1997, com o poder da tecnologia e da falta de limites, o diretor decidiu inserir digitalmente o Jabba como conhecemos por cima do outro ator e trazer a cena de volta ao filme.

O resultado é uma sequência totalmente desnecessária e até um pouco bizarra. Ao mostrar a cara do criminoso pouquíssimos minutos após ele ser mencionado pela primeira vez, a construção de expectativa da imagem de Jabba até o vermos no Episódio VI é destruída. Além disso, a presença do Hutt ali não faz muito sentido. Se ele colocou a cabeça de Han a prêmio, por que ele foi atrás do cara junto com os caçadores de recompensas que ele mesmo contratou? Faz muito mais sentido ele esperar seus contratados levarem o contrabandista até ele como na versão original do filme.

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O diálogo também não ajuda. Han simplesmente diz que já tem o dinheiro de Jabba praticamente garantido e ainda promete pagar mais. E, sem nenhuma garantia, o mafioso simplesmente acredita em Solo e fica tudo por isso mesmo. O vilão contratou uma cacetada de caçadores de recompensa e é persuadido assim tão facilmente a dar uma nova chance ao contrabandista?

Pra fechar o desastre que é essa sequência, lembra que escrevi ali em cima que o ator original do Hutt era um cara baixinho? Quando essa parte foi gravada, Harrison Ford obviamente estava olhando nos olhos do cara, ou seja, olhando pra baixo. Acontece que o Jabba que conhecemos é consideravelmente mais alto, então temos Ford olhando pro queixo do criminoso enquanto fala com ele.

Parabéns, George Lucas.

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Uma manobra fantástica

Logo após Ben, Luke e os dróides se juntarem a Han e Chewie no hangar da Millenium Falcon e embarcarem, stormtroopers aparecem errando todos os tiros só para contrariar o que o jedi havia dito lá atrás sobre a precisão dos disparos das tropas imperiais.

A nave consegue decolar e logo é perseguida por dois Star Destroyers no espaço. Quando Luke diz “ué, tiozinho, achei que tua nave era rápida”, Han responde que sabe algumas manobras para despistá-los e… segue reto. A nave não dá nenhuma pirueta ou nada do tipo. O filme corta pra visão externa da perseguição e a Millenium Falcon continua literalmente seguindo em linha reta.

Após essa manobra fantástica, Solo faz os cálculos para a velocidade da luz utilizando trigonometria e polinômios (viram, crianças? Nosso sistema de ensino é incrível) e a nave salta para o hiperespaço.

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Pense nos seus funcionários

Enquanto isso, na Estrela da Morte, após a interrogação de Leia falhar, Tarkin decide testar o poder da estação bélica no planeta natal da princesa, Alderaan, a não ser que a princesa revele onde fica a base rebelde.

Contrariada, a moça cede e aponta Dantooine como o centro de operações da Rebelião – numa cena rápida mais a frente descobrimos que ela mentiu.

Mesmo com a informação, o Grande Moff (é o título militar do cara) dá sinal verde para a destruição de Alderaan – o suposto local da base fica longe demais e a galera da Estrela da Morte já tá toda animada pra ver alguma coisa explodir, é preciso pensar nos seus funcionários também.

Incapaz de fazer qualquer coisa, Leia assiste ao seu planeta natal explodir tal como a maioria dos meus planos para 2015.

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Duas horas em três minutos

De volta à Millenium Falcon, a feijoada do almoço começa a fazer efeito em Ben, que sente uma pontada e precisa se sentar. Luke pergunta se está tudo bem e o jedi lhe diz que sentiu um grande distúrbio na força, como se milhões de pessoas assistissem à trilogia Hobbit e dissessem que a acharam melhor que a trilogia Senhor dos Anéis. Mas Kenobi acalma o menino e diz para ele prosseguir com seu treinamento.

Assim que Luke liga seu sabre para voltar a tentar defletir os tiros de uma bolinha robótica, Han entra na sala e diz que eles estarão em Alderaan em duas horas. O contrabandista escuta Obi-Wan falar sobre a Força e diz que não acredita em nada disso. “Se essa tal de Força existe mesmo, por que o nome daquele bicho não é louva-a-Força?”, pergunta o incrédulo piloto.

A galera conversa continuamente por menos de três minutos até o computador apitar e Solo avisar que eles estão chegando em Alderaan. Parece que até o tempo viaja na velocidade da luz.

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Aquilo não é uma lua

Mas, surpresa! Em vez de Alderaan, a Millenium Falcon encontra uma chuva de detritos. Enquanto os outros ainda estão batendo cabeça, o sagaz Obi-Wan já saca que o planeta foi destruído pelo Império. Não dá nem tempo do pessoal mudar o check-in no 4square quando um caça imperial (também conhecido como TIE Fighter) surge na frente deles, aparentemente sem notar a presença da nave.

Percebendo que o TIE Fighter é um veículo de curto alcance mas está sozinho no espaço profundo, os heróis ficam tão confuso que se fossem Pokémons eles estariam se machucando na confusão. É aí que Luke vê que a nave gravata está voando até o que parece ser uma lua pequena. Obi-Wan, novamente sagaz, nota que aquilo não é uma lua, mas sim uma gigantesca estação espacial.

Quando Han finalmente se toca que é melhor meter o pé dali, o raio trator da Estrela da Morte já está puxando a Millenium Falcon e é inútil resistir. Tipo quando você decide pegar apenas uma mão de M&M’s mas percebe que é um caminho sem volta quando já está virando a embalagem diretamente na boca.

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Falando sozinho

Dentro da estação, Tarkin é informado de que uma nave similar à que fugiu de Tatooine acaba de ser capturada – os stormtroopers não conseguiram anotar a placa. Vader então supõe que a tripulação deve estar tentando devolver os planos roubados à princesa, o que ainda a torna útil para o Império.

O figura vai pessoalmente até o hangar e fica sabendo que a nave está vazia e os módulos de fuga foram lançados. O sith, tal como uma mãe, manda a galera procurar de novo. Darth Vader então, pensando totalmente em voz alta, diz sentir algo. “Uma presença que não sinto desde…” nesse exato momento ele percebe que está falando sozinho e imediatamente vira e vai embora. É do nada. É super bruto. É hilário.

Peraí. No começo do filme quando R2 e C-3PO fogem num módulo de escape, o Star Destroyer que capturou a nave da rebelião tem um detector de formas de vida (tanto que não atiram na cápsula por ela estar aparentemente vazia). A Estrela da Morte, a estação bélica suprema do Império, não tem um desses também? A galera quis economizar na reta final do projeto?

Tudo bem que logo numa próxima cena entram dois caras na Millenium Falcon com um tipo de scanner que imagino que seja de formas de vida. Mas o do Star Destroyer era automático e funcionava assim que o objeto passava pelo seu campo. A Estrela da Morte depender de um aparato físico desses que precisa ser utilizado manualmente não faz muito sentido.

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O plano de Vader

Dentro da nave, a trupe sai dos esconderijos que Han, inspirado pela primeira temporada de Narcos, usa para contrabando. Solo diz que mesmo que pudesse decolar seria impossível passar pelo raio trator. Ben diz que cuidará desse problema e o mercenário responde chamando o jedi de velho tolo, que retruca: “se eu te dou 10kg de linguiça, dá pra 20 comer?”.

Do lado de fora, vemos a dupla previamente mencionada entrar na nave enquanto dois stormtroopers ficam de tocaia na porta. Ouve-se um barulho estranho e alguém dentro da nave pede a ajuda dos guardas. Eles entram e dessa vez é possível escutar tiros. E a única resposta a isso é um oficial chamando um dos stormtroopers pelo rádio pra perguntar por que ele não está no seu posto.

Antigamente achava bizarro ninguém escutar os tiros e as dezenas de stormtroopers que estavam no hangar sumirem, ficando apenas dois na guarda da nave. Mas revendo o filme com calma e sabendo o que acontece mais pra frente, fica claro que tudo é parte do plano de Vader de usar a princesa como isca para descobrir onde fica a base da Rebelião (lembra que ele disse que ela poderia ser útil?).

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Uma princesa rica e poderosa

Luke e Han vestem as armaduras dos stormtroopers que estavam na entrada da nave e invadem uma sala de comando batendo na porta e gritando “Pizza!” com o resto da galera.

R2 acessa o computador da estação, já começa a baixar uns torrents, e descobre onde Ben pode ir para desativar o raio trator. É claro que Skywalker quer acompanhá-lo mas o jedi diz que o menino não tem XP suficiente.

O astrodroide subitamente começa a comemorar xingando como um escocês bêbado e C-3PO traduz dizendo que o robôzinho localizou a Princesa Leia. Enquanto Luke fica animado e pergunta onde ela está, Han Solo fica mais perdido do que uma criança que acabou de sair de um carrossel. O jovem rapidamente explica que os droides são da princesa e eles precisam resgatá-la, ao que Han responde “princesa? Eu não votei nela” e se recusa a ajudar.

O loirinho só consegue convencê-lo quando diz que ela é rica, poderosa e tem muitos seguidores no Instagram, podendo divulgar os serviços de transporte de Han. A dupla coloca os capacetes e algema Chewie para fingir que estão levando-o para a detenção, onde Leia está.

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Han Solo, o maior malandro da galáxia

Assim que chega no andar da prisão, o grupo pega guardas de surpresa fingindo estarem ali para uma transferência de prisioneiro. Os imperiais são neutralizados, trinta e sete câmeras são destruídas (sério, é muita câmera, parece um Big Brother Prisão) mas os alarmes disparam.

Enquanto Luke vai até a cela onde a princesa está, Han – talvez na maior malandragem já vista na galáxia – usa o rádio para tenta convencer a central de que está tudo bem e ainda pergunta como a galera do outro lado está. Quando pedem seu número de identificação, o patife atira no comunicador e solta “a conversa tava chata mesmo”. Uma salva de palmas para este personagem maravilhoso chamado Han Solo.

Luke encontra a cela de Leia e a moça, que não perde uma, já pergunta se ele não é baixinho demais para ser um stormtrooper. O moleque responde “e o seu cabelo não é ridículo demais pra uma princesa?”, fecha a porta e vai embora.

Brincadeira. Skywalker, após perceber que ainda está de uniforme imperial, tira o capacete e se apresenta, dizendo que veio resgatá-la e está com seus dróides e Ben Kenobi.

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O bizarro compactador de lixo

O nível de procurado do grupo sabe para cinco estrelas no topo da tela e reforços chegam na ala da prisão encurralando Luke, Leia, Han e Chewie no fim do corredor das celas. Enquanto o trio masculino fica sem reação, Leia puxa a arma de Skywalker, chama os outros de frouxos e abre caminho pela rampa de lixo, sendo seguida pelos outros.

O grupo cai num depósito de lixo e Han reclama que o lugar o lembra da internet. Antes mesmo que Luke possa dizer que parece mesmo o Facebook, um tentáculo agarra sua perna e o puxa para o fundo da sala. O que é meio estranho porque o trio está em pé com a água na altura da canela mas o moleque desparece por completo.

O bicho logo solta Skywalker – agora com herpes, no mínimo – porque a sala faz sons bizarros e as paredes começam a se mexer em direção ao centro. O depósito de lixo na verdade é um compactador – construído da forma mais doida possível com uma pequena área mais profunda onde uma criatura lovecraftiana tipo um polvo vive por motivos de não faço a menor ideia.

O quarteto tenta inutilmente parar as paredes até que Luke lembra que está com seu fone bluetooth e pode contactar os robôs na sala de comando.

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O maior erro da história do cinema

A sala de comando é invadida por quatro stormtroopers e é aí que acontece o que algumas pessoas chamam de o maior erro da história do cinema – no mínimo, o mais divertido.

A porta, que estava trancada, tem seus controles explodidos pelo lado de fora e sobe. O problema é que um dos soldados imperiais é alto demais e mete a cabeça com tudo na entrada. É simplesmente incrível porque há um certo silêncio no momento e é possível escutar com facilidade o sonoro “POW” que a porrada emite.

Pra deixar tudo ainda mais engraçado, alguns segundos depois dá pra ver o stormtrooper trapalhão ajeitando o capacete ao fundo. A produção era tão caótica e tinha prazos tão apertados que não duvido que a galera tenha percebido o erro na hora mas falado “dane-se, vamos seguir em frente”.

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Uma cena divertida sem bobeirices

Aprendizes da sagacidade de Obi-Wan, C-3PO e R2 haviam percebido que a sala seria invadida e se esconderam num armário. Assim que são descobertos pelos soldados, o droide dourado finge ser da estação e os avisa que os “loucos” foram para a prisão. Os stormtroopers vão embora e deixam somente um de guarda, que é tapeado pelo robô protocolar que diz que precisa levar R2 para a manutenção.

A dupla vai sorrateiramente até o hangar onde está a Millenium Falcon e fica perdida ao não encontrar o resto do grupo lá. R2 então manda C-3PO deixar de ser burro e usar o comunicador que ele tinha desligado (provavelmente para não atrapalhar seu plano da última cena).

Assim que ele o liga, Luke começa a berrar desesperado para os robôs desativarem o compactador de lixo porque a galera lá já tá prestes a sofrer um emagrecimento instantâneo. R2 consegue parar as paredes em cima do laço fazendo com que o grupo comemore gritando, o que C-3PO interpreta como gritos de dor e assume que todos estão morrendo.

O moleque diz que tá tudo bem, tranquilizando o droide, e pede que eles abram a porta do compactador. É uma cena super divertida e engraçada, sem necessidade de alívio cômico besta ou infantiloide.

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Sem cabo de segurança

O grupo abandona as armaduras de stormtrooper na saída do compactador e se dirige rumo à Millenium Falcon, com Leia e Han batendo cabeça o tempo todo. Os heróis são interceptados por stormtroopers quando estão quase chegando no hangar e se dividem, com Luke e a princesa indo para um lado e Han e Chewie, para outro.

A primeira dupla acaba de frente para um precipício com soldados na sua cola. Skywalker então abre seu cinto de utilidades para pegar seu bat-gancho (que ele tem por motivos de está no roteiro) e prendê-lo no teto. O moleque recebe um beijinho “para sorte” da princesa na bochecha e a dupla atravessa o vão.

Uma coisa bacana sobre a gravação dessa cena é que havia um cabo de segurança evolvido na jogada. O dublê prendeu o cabo em si mesmo, segurou a corda do gancho e foi fazer a travessia pra mostrar pra dupla como seria o momento. Só que no meio do suingue o cabo de segurança arrebentou e fez um barulho de rasgo.

Quando os atores perguntaram o que tinha acontecido, o dublê mentiu e disse que a calça dele tinha rasgado e que estava tudo bem. Acabou que a cena foi feita sem cabo de segurança e sem os atores saberem disso (tudo bem que no fundo havia colchões mas ainda era bem alto).

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Obi-Wan x Anakin: a revanche

Enquanto isso, Obi-Wan, que havia desativado um isqueiro de carro gigante para diminuir a força do raio trator, se depara com um imóvel Darth Vader à sua espera, com seu sabre vermelho já ligado. O jedi saca sua arma, rolam uns insultos – Vader diz que Ben está velho e o barbudo responde “pelo menos ainda tenho todos os meus membros” – e a luta entre os dois começa.

Na minha memória, principalmente depois de ver os frenéticos duelos da nova trilogia, a porrada entre Kenobi e seu antigo aprendiz era tosca. É ótimo perceber que estava errado e a luta é muito boa.

Ela não chega nem perto da rapidez e agressividade do embate entre os dois no Episódio III mas é preciso entender que além dos filmes serem de épocas completamente diferentes (com Ben interpretado por um senhor de idade aqui), o foco é outro. É uma briga muito mais figurativa do que literal.

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Alguém trouxe pipoca?

O duelo atrai um pequeno grupo de stormtroopers que estava guardando a Millenium Falcon – a galera realmente abandona seus postos pra ficar de platéia pra briga (não consigo culpá-los) -, incluindo alguns vendedores ambulantes vendendo cachorros quentes e cerveja, o que libera o caminho para Han, Chewie, Luke e Leia que haviam se reencontrado há pouco e R2 e C-3PO que estavam escondidos no hangar.

Quando o grupo está prestes a embarcar, Luke também para para (mais uma vez agradeça ao novo acordo ortográfico por isso) observar o duelo. Ben percebe a presença do rapaz e claramente abaixa a guarda, sendo atingido por Vader, mas sumindo completamente no processo, deixando apenas suas vestes no chão.

O moleque solta um sonoro “NÃO!” chamando a atenção de todo mundo e começa o maior barata voa. No meio do tiroteio, Skywalker escuta Ben falando “tu quer virar queijo suíço? Corre, garoto!”, o que faz com que Skywalker embarque na nave junto com os outros.

Após destruir quatro TIE fighters – com Han e Luke nas armas da nave que dariam simuladores fantásticos em qualquer parque de diversões -, a Millenium Falcon consegue saltar para o hiperespaço e escapar.

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Se liga aí que é hora da revisão

Tudo parece ter acabado até voltarmos para a Estrela da Morte e Tarkin confirmar com Vader que um rastreador foi colocado na nave, o que Leia, de forma perspicaz, assume ter acontecido para que eles escapassem conta tanta facilidade. Han diz que isso seria impossível na sua nave (por… que?) e pelo jeito a princesa acredita porque logo eles chegam na base da Rebelião em uma lua de Yavin.

Os esquemas da Estrela da Morte são retirados de R2 e Papai Noel começa um Telecurso 2000 ao vivo sobre a estação bélica. O senhorzinho diz que seu sistema de defesa é à prova de qualquer ataque em larga escala, mas um caça pequeno deve poder penetrar a defesa externa. O plano é uma nave conseguir navegar por um corredor estreito até uma saída de exaustão com apenas dois metros de largura. Um tiro preciso nesse buraquinho iniciará uma reação em cadeia mandando a Estrela da Morte pelos ares. Pelo vácuos?

Peraí. Leia antes assumiu (corretamente) que a Millenium Falcon estava sendo rastreada pelo Império e ainda assim seguiu para a base rebelde. Com todos já uniformizados para o combate e recebendo o briefing sobre a missão, fica claro que atrair a Estrela da Morte para perto da lua fazia parte do plano da princesa.

Mas… atrair logo para o que parece ser a base principal da Rebelião? Se essa missão falhar – e há grandes chances disso porque é um plano super arriscado e difícil -, a Estrela da Morte explode a lua e acaba a rebelião. Não seria mais sensato levar os pilotos para alguma outra lua ou planeta inabitado e aí sim atrair a estação?

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A moda da Força

Ao final da explicação, um aleatório ao lado de Luke grita que a missão é impossível até para um computador, ao que o moleque responde que não é impossível porque ele costumava acertar buracos de ratazana com seu estilingue no Ceará, tomando um sonoro “#$&@-se” fora da cena (assim imagino).

O tiozinho encerra a explicação falando “que a Força esteja com vocês”. Por que ele diz isso? É um padrão da Aliança Rebelde terminar suas reuniões com o mote de uma religião considerada extinta? Até porque nenhum jedi fez parte da criação da Rebelião (lembre-se, Yoda imediatamente se exilou no fim do Episódio III e Obi-Wan foi pra Tatooine) e só ouvimos o jedi falar a frase ao longo do filme. Será algo novo então? Leia chegou pro cara antes e disse “olha, ouvi uma parada muito maneira de um velho maluco que conheci hoje, bora usar também”?

Enquanto os pilotos vão entrando em seus caças, a Estrela da Morte se aproxima da lua de Yavin, ficando a trinta minutos da base. Luke, ao chegar no hangar das X-Wings, vê Han e Chewie pegando diversos caixotes de manteiga de garrafa como recompensa para meterem o pé. O moleque chama o contrabandista de safado e sem vergonha por estar fugindo da luta e vai embora amargurado, recebendo um “que a Força esteja com você” do capitão (virou moda mesmo).

O tatooinense embarca na sua X-Wing, R2 é acoplado à nave e vemos C-3PO se despedir do colega, dizendo que ele precisa voltar, caso contrário sua vida ficará chata. É uma cena bem legal que mostra que por mais que o robô dourado esteja sempre pegando no pé do baixinho, eles são muito amigos.

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Pobre Porkins

O ataque começa com as X-Wings da Rebelião partindo pra cima da Estrela da Morte como um enxame de mosquitos voando na direção de um ovo de avestruz. Alguns pilotos se identificam com seus codinomes e o único rebelde acima do peso de todo o esquadrão se chama Porkins. Logo Porkins, cara.

Porkins, do nada, tem algum problema com sua nave que começa a cair (sério, logo a nave do cara rechonchudo) e um outro piloto o fala para ejetar. Ejetar? No espaço? Com uma máscara que não cobre a cabeça toda? Como? Quando você ainda está tentando achar a lógica dessa sugestão, Porkins explode em bacon. Brincadeira, mas só faltava essa né.

Percebendo que os caças rebeldes são pequenos demais e conseguem escapar dos tiros da defesa da Estrela da Morte, Vader manda os TIE Fighters entrarem na dança e cria seu próprio mini esquadrão para participar também.

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Tarkin, fã de Brian O’Conner

As naves imperiais começam a equilibrar a balança e é gozado como os pilotos que estão sendo perseguidos tentam localizar os TIE Fighters atrás deles literalmente olhando para trás em vez de, sei lá, usar instrumentos e radar como os caças contemporâneos devem fazer.

Um trio de Y-Wings entra no corredor do exaustor mas como não há nenhum personagem principal no meio, logo é destruído por Vader. Dentro da estação, um oficial avisa a Tarkin que realmente existe perigo no ataque e pergunta se ele quer que sua nave seja preparada. O Grande Moff, fã da cena em que Brian dirige em linha reta olhando para Eva Mendes em Velozes e Furiosos 2, ri e diz que não tem medo de nada.

Quando a Estrela da Morte está a 1 minuto da base rebelde, Luke se junta a outras duas X-Wings para tentar acertar o exaustor. O trio entra no corredor mas uma nave é avariada e a outra, destruída, deixando Skywalker sozinho com Vader no seu cangote. Assim que o loirinho mete o olho na mira do tiro, a voz de Ben surge e diz “vai no feeling, moleque!”, o que faz com que o sith note que a sagacidade é forte naquela nave.

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Piloto da esquerda, o herói da Rebelião

Contrariando a razão, Luke segue o conselho de Ben e deixa a Força guiá-lo, recolhendo a mira da nave. Darth Vader consegue acertar R2 e é aí que o sangue ferve e qualquer pessoa com coração grita “O R2 NÃO, Ô DO PINICO NA CABEÇA”.

Enquanto isso, a base rebelde entra no alcance da Estrela da Morte e a estação se prepara para atirar. Vader diminui o som da música da nave para se concentrar melhor e quando vai disparar contra a X-Wing, a Millenium Falcon chega do nada explodindo o TIE Fighter à direita do sith, o que faz com que o piloto da esquerda tome um susto e jogue sua nave contra a do chefe, se destruindo e fazendo com que Darth saia girando pelo espaço tipo o Pião da Casa Própria.

Han diz que o garoto está livre e o manda concluir a missão pra galera poder ir tomar um chopp logo. Luke faz seu disparo, tem um orgasmo, e a Estrela da Morte explode num show pirotécnico que só perde pro ano novo na praia de Copacabana.

Enquanto a galera voa de volta para a base, a voz de Ben surge novamente e o lembra de que a Força sempre estará com ele. Tipo a herpes que ele pegou lá no compactador de lixo.

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Chewbacca injustiçado

No solo, Luke é recebido como herói e se junta a Han e Leia para comemorar – em apenas 1 minuto dessa cena temos mais amizade estabelecida entre os personagens do que os dois filmes inteiros da nova trilogia com Anakin e Obi-Wan. C-3PO se mostra preocupadíssimo com R2, que é levado para a manutenção. O robô dourado chega a dizer que podem pegar algum circuito dele para salvarem o astrodroide, é super fofo.

Há uma cerimônia de condecoração numa sala enorme com centenas de rebeldes e é possível notar que o trio de humanos finalmente trocou de roupa e provavelmente tomou um banho. O cheiro dessa galera devia estar algo de outro mundo.

Luke e Han recebem medalhas de Leia e vemos R2 surgir consertado ao lado de C-3PO. O filme termina com nossos heróis sorridentes recebendo aplausos estrondosos. O único que não sorri é Chewbacca, que parece estar gritando alguma coisa.

Não falo wookie, mas sabe o que ele tava falando? “Cadê a #$@&% da minha medalha, seus patifes?!”. Isso mesmo. Chewie, co-piloto da nave que ajudou a salvar a Rebelião, não recebeu medalha nenhuma. Nem uma cesta de café da manhã ou sequer um tapinha nas costas. Bando de babacas.

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38 anos depois. E aí?

Não é a toa que Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança foi um marco na cultura mundial. O filme continua absolutamente fantástico mesmo todos esses anos depois. Os visuais, totalmente inovadores para a época, se seguram até hoje, a trilha sonora de John Williams é uma das melhores já criadas, e a história, por mais que não seja super densa ou tenha vários plot twists, é incrível.

Há pessoas que tentam diminuir o roteiro da produção, argumentando que ele é basicamente a jornada do herói de A a Z. Mas é impossível fazer algo tão bom com o Monomito (outro nome para a Jornada) apenas com os 12 passos estabelecidos por Joseph Campbell em O Herói de Mil Faces. O pulo do gato é ter competência para criar o conteúdo que conecta todos os pontos e deixam o expectador colado na cadeira. E isso George Lucas fez com maestria.

O problema é que o mesmo George Lucas caiu para o lado negro e fez duas cagadas monumentais. Primeiro, as edições de 1997, enchendo a tela de coisinhas pulando e passando no fundo ou a desnecessária cena previamente excluída de Han com Jabba.

A outra, as prequências iniciadas em 1999, além de serem ruins por si mesmas, ainda acabam tirando o sentido de alguns elementos do Episódio IV, principalmente quando você compara algumas partes do III com o começo desse aqui.

Mas a culpa dessas cagadas é claro que vai pros ombros do insano George Lucas do fim dos anos 90, não do filme em si.

Mesmo sem levar esses elementos externos em conta, por mais que Star Wars more no meu coração, também não dá pra dizer que é um filme 100% perfeito. Ele tem suas falhas por si só aqui e ali, como os militares no comecinho ignorarem o módulo de escape vazio ou o plano de Leia de atrair a Estrela da Morte logo para a base da Rebelião, mas nada que chegue perto de tirar o brilho da produção.

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Uma coisa que ficou clara assistindo ao filme de 77 pouco tempo depois da nova trilogia é como a direção de George Lucas mudou (pra pior) com o passar das décadas.

No Episódio IV, o diretor investiu em planos mais longos, mais movimentos de câmera e enquadramentos mais inspirados. Além disso, as atuações são bem melhores do que eu lembrava – e isso também passa pelo diretor. Tudo isso prove que Lucas realmente tinha talento.

Já nas prequências, rola justamente o contrário. A direção do cara se torna altamente preguiçosa, com cortes muito mais próximos, pouco movimento de câmera e enquadramentos quase amadores. Na parte da atuação, o cara consegue fazer com que até Ewan McGregor e Natalie Portman – dois excelentes atores – tenham uma performance horrível.

É a prova do óbvio: ficar 22 anos sem dirigir nada só te faz piorar como cineasta. A nossa sorte é que, por mais que George tenha feito suas edições malucas em 1997, o núcleo do filme continua intacto e toda essa história – tanto do filme como da sua produção e da trajetória do diretor – pode nos ensinar importantes lições.

O que dá vontade de falar para George Lucas após rever o filme: você era muito bom. Muito mesmo. Era só ter continuando trabalhando e se atualizando que arrisco dizer que hoje você teria um currículo tão fantástico quanto seu amigo Spielberg.

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