Revisitando Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith

Você sabe o que aconteceu em maio de 2005? Isso mesmo. A canadense Natalie Glebova foi eleita Miss Universo em Bangkok, na Tailândia, após uma apresentação perfeita casando graciosidade e beleza moderna como não víamos desde 1987 com a chilena Cecilia Bolocco.

Além disso, Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith, conclusão da história sobre a queda de Anakin Skywalker para o lado negro, chegava aos cinemas para ficar no imaginário popular como o único bom filme da nova trilogia.

Mas será que diferentemente de A Ameaça Fantasma e Ataque dos Clones, o terceiro capítulo é mesmo tão bom quanto a gente se lembra?

Screenshot_10

Ritmo ainda mais acelerado

Guerra! Quatro anos após os eventos do Episódio II, a República, sob ataques do Conde Dooku, está desmoronando tal como os meus planos para 2015. O texto inicial diz que o mal está em todo canto (o que faz sentido coff coff Palpatine) e… há “heróis em ambos os lados”. Pera, o que? Quem são os heróis do lado separatista? Droga, George Lucas, nem 1 minuto de filme e já tem coisa sem sentido.

Numa manobra fantástica – fantástica mesmo, aparece no desenho das Guerras Clônicas e a sequência é de tirar o fôlego -, o líder dróide General Grievous invadiu Coruscant e sequestrou o Chanceler Palpatine.

Enquanto o exército separatista tenta fugir da órbita da capital da República com seu refém e muitas camisetas “fui à Coruscant e lembrei de você” para os parentes, Obi-Wan – com um visual tão maneiro que sempre me pergunto como Ewan McGregor não anda assim por aí sempre desse jeito- e Anakin, agora um adolescente cabeludo fã de Metallica, lideram uma missão desesperada para resgatá-lo.

A Vingança dos Sith já começa com um ritmo ainda mais acelerado que seu antecessor, com o tiro comendo solto, navezinhas com design inspirado voando pra tudo quanto é lado e visuais incríveis graças à superfície do planeta metrópole logo abaixo do conflito.

A batalha espacial aliás é ótima pra mostrar como Anakin é mesmo um baita de um piloto, se livrando de mísseis teleguiados e ajudando Obi-Wan. A sequência também tenta reforçar a amizade entre os dois, mas, graças a um roteiro frio e algumas falas com tom de ironia totalmente fora de hora – nesse caso por causa da péssima atuação de Hayden Christensen -, não dá muito certo. A dinâmica melhora, mas eles continuam parecendo dois estranhos que foram colocados pra trabalhar juntos há pouco tempo.

Screenshot_11A dupla consegue invadir a nave do General Grievous e o plano é cair na armadilha que Obi-Wan pressentiu (não me pergunte). Após algumas cenas divertidinhas de As Trapalhadas do Jedi – com um bom momento no qual o mestre esboça uma reclamação sobre R2-D2 e logo é censurado pelo jovem -, os heróis chegam calmamente até o aprisionado Palpatine que estava sentadinho, observando a batalha espacial com um balde de pipoca no colo.

Quando estão para libertá-lo, Dooku aparentemente confunde a sala dos testes pras Olimpíadas e entra dando um mortal pra frente totalmente desnecessário (mas nota 10). O chanceler diz para os jedi pedirem reforços pois não são páreos para um lorde sith, ao que Obi-Wan sorri e responde “lordes sith são nossa especialidade”, se esquecendo que ele e Anakin passaram mais vergonha na última luta do que a vez em que perguntei pra um judeu da minha idade se ele sentia raiva de Hitler.

O fanfarrão Dooku pede os sabres de luz dos jedi e a luta começa. A coreografia melhorou significativamente em relação ao combate do Episódio II (George Lucas filmou algumas partes de cima, possibilitando que o dublê de Christopher Lee brilhasse com sua velocidade juvenil). Pena que Obi-Wan derrota dois super battle droids que estão segurando o gatilho pra cima dele à queima roupa sem desviar nem defletir nenhum tiro. Ele literalmente anda em linha reta e destrói os robôs.

Screenshot_12

Rei do camarote

Kenobi é jogado pra longe tal como uma camisinha usada e cai no chão inconsciente. A luta prossegue apenas entre Dooku e Anakin, com Palpatine se divertindo horrores no seu camarote e gritando coisas como “chuta o saco dele!”. Skywalker se garante sozinho e decepa as mãos do conde, subjugando-o com o seu sabre e o do sith.

O jedi é parabenizado por um sorridente Palpatine, que logo muda de expressão e manda o jedi executar Saruman, para o espanto do vilão. O moleque responde que não deve fazer isso, mas o político assistiu ao vídeo do Shia LaBeouf e grita “DO IT” com sua voz de Darth Sidious. Eu achava que o chanceler o convencia dizendo que Dooku é perigoso demais para ficar vivo, que não daria tempo de levá-lo como prisioneiro ou algo do tipo, que Anakin resistia mais à “sedução” de Sidious. Mas não, é só esse “do it” mesmo e lá vai a cabeça do conde pro chão.

É engraçado que imediatamente após a morte de Dooku, aí sim Palpatine fala isso que eu lembrava para tentar justificar o que rolou e Anakin retruca dizendo que não devia ter feito isso, que não era atitude de um jedi. Essa conversa ficaria mil vezes melhor se tivesse rolado antes da execução, mas beleza.

Na hora de fugir, Anakin coloca o inconsciente Obi-Wan nos seus ombros como se fosse um saco de batatas e o trio passa uns apertos nos elevadores, até ser capturado e levado até o asmático General Grievous – por que fazer um dos principais vilões do filme uma máquina de tosse?

Grievous era pra ser um cara sinistro que sozinho invadiu a capital da República e sequestrou a principal figura política da galáxia, deveria impor certo medo e respeito. E aí vemos um bicho curvado que fica tossindo o tempo todo. Como isso ajuda essa construção do personagem?

Screenshot_14

Outro raríssimo momento de amizade

Rola uma troca de farpas entre o ciborgue e Skywalker, um xinga a mãe do outro, os jedi se libertam e o general foge pulando pela janela. A gigantesca nave está mais destruída do que a sua reputação depois da última festa da empresa e cabe a Anakin pousá-la em segurança – ou o mais perto disso possível.

Numa sequência com visuais fantásticos até pros dias de hoje, a nave vai se partindo e pegando fogo conforme rompe a atmosfera de Coruscant, caindo quase como um meteoro sem paixão. Mas é claro o prodígio piloto consegue fazê-la parar na pista de pouso sem ninguém morrer – isso se você não contar o pessoal da torre de controle que é completamente destruída no processo.

E fica a pergunta: num universo onde as naves têm tecnologia para decolar verticalmente, por que existe um aeroporto com pista de pouso tão longa?

Seguindo em frente, os jedi levam Palpatine até o senado e rola outro raríssimo momento de amizade entre os dois. Obi-Wan diz não vai acompanhar Anakin porque precisa voltar pro Conselho Jedi e alguém precisa ser o herói dos políticos.

Skywalker rebate, dizendo que toda a operação foi ideia do barbudo, ao que seu mestre retruca lembrando que foi o adolescente que o salvou no espaço e resgatou o chanceler com o jedi nas suas costas, merecendo todo o reconhecimento pelo sucesso da missão.

No fim, Anakin cede e diz que seu mestre o deve uma por salvá-lo pela décima vez mas é corrigido por ele: “Nona vez! Aquela missão lá em Sergipe não conta!”. Isso! É assim que a interação entre eles deveria ser sempre. Sem babaquice, sem tom de ironia. Infelizmente, momentos assim são exceção, não regra.

Screenshot_15

Padmé bipolar

Anakin conversa brevemente com o senador Organa sobre Grievous – com a morte de Dooku, o general se tornou o líder dos separatistas e prioridade máxima do Conselho Jedi -, e logo corre pra abraçar e beijar Padmé numa área super aberta com os políticos ainda perto deles. Sério, se qualquer um olhasse pra trás rapidinho conseguiria ver os dois de sem vergonhice.

Padmé revela que está grávida e Anakin reage como se estivesse com vontade de cagar e ela tivesse falado que acabou o papel higiênico, mas logo lembrasse que sobrou um rolo na dispensa. Ela pergunta o que eles vão fazer e o jedi grita “YOLO! Depois a gente se preocupa com isso!” porque aquele é o dia mais feliz da sua vida – o que é bem bonitinho.

À noite, o casal está tomando uns drinks na varanda ao som de Elis Regina e Anakin diz que Padmé é muito linda. A senadora, sorridente e com cara de boba, diz que é só porque ela está muito apaixonada, ao que Anakin responde “não! É porque eu estou muito apaixonado por você”. Amidala imediatamente fecha cara e pergunta “AH, ENTÃO O AMOR TE DEIXOU CEGO?!”.

O futuro papai ri sem graça e diz que não isso que ele quis dizer. Quando você acha que vai começar uma discussão, Padmé volta a sorrir e fala “mas provavelmente é verdade” e eu tô rindo muito enquanto escrevo isso porque esse diálogo todo não faz o menor sentido.

Parece que a bipolaridade da mulher mexeu com Anakin porque durante a noite ele tem uma premonição da morte da esposa durante o parto e acorda ofegante, indo tomar um leite quente na sala. Padmé pergunta o que houve e ele diz que fez xixi na cama. Ela pede pro marido ser honesto e ele conta o sonho, prometendo não deixá-lo se tornar realidade.

Screenshot_16

Nepotismo e ingenuidade

No dia seguinte, Anakin vai até Yoda contar que está tendo visões de sofrimento, morte e seus filhos se beijando. O baixinho verde pergunta se essas visões são sobre ele ou alguém próximo e Anakin responde “Hmmmmm… alguém… próximo”. O mestre diz que o medo da perda leva ao lado negro e o jovem jedi imediatamente responde que não deixará essas visões se tornarem realidade. Yoda termina aconselhando o moleque a treinar para se libertar de tudo que ele tem medo de perder.

Pera, se o verdinho deu esse conselho, não quer dizer que ficou claro que Anakin tem laços emocionais com alguém? E isso não é proibido pelo código jedi? Como ele deixou de ser padawan? Ou melhor, como ele ainda é um jedi?!

Depois de sair dessa reunião sem sequer uma recomendação de procurar uma psicóloga, Anakin vai ao encontro de Palpatine após saber por Obi-Wan que o chanceler requisitou sua presença. O político mostra umas Playboys pro garoto, oferece um pirulito e diz que quer que ele seja seu representante oficial no Conselho Jedi.

Screenshot_49

Yoda afirma que o Conselho aceita relutante essa inquietante iniciativa do chanceler e Mace Windu diz que Anakin está no Conselho mas eles não o consagrarão mestre jedi – decisão que Skywalker de alguma forma acha surpreendente e fica boladinho, dizendo que não é justo.

Os mestres jedi daquela sala têm anos de experiência e, em tese, mais sabedoria do que todas as edições da Barsa. Eles foram escolhidos a dedo para estarem ali. É uma ingenuidade que beira a burrice Anakin acreditar que a indicação nepotista de Palpatine imediatamente o tornaria mestre.

O moleque, revoltadíssimo, diz que é um ultraje e chega a perguntar “como você pode estar no Conselho e não ser um mestre?!”, o que me surpreende ninguém ter respondido “fácil: sendo um bostinha que só tá aqui porque o seu sugar daddy mandou a gente aceitá-lo”.

Screenshot_18

Anakin bipolar

Na saída da reunião, Anakin não se toca do ridículo e fica choramingando para Obi-Wan, que diz que a amizade do jovem jedi com Palpatine parece ter valido a pena, recebendo “ele não tem nada a ver com isso” como resposta do garoto. Como que ele não tem nada a ver com isso se você só tá no Conselho Jedi porque ele exigiu?! Meu Deus do céu esses roteiristas, cara.

Kenobi então chega com um copão de uma bebida chamada “realidade” pra Anakin e diz que ele só foi aceito no Conselho porque o chanceler confia nele e eles querem que o jedi relate todos os passos do político.

Ao ouvir esse plano de espionagem, Skywalker – chocado e chateado – diz que Obi-Wan está lhe pedindo para violar o Código Jedi e isso é errado. Isso mesmo. Anakin matou mulheres e crianças inocentes em Tatooine, desobedeceu o seu mestre diversas vezes, engravidou uma senadora após o seu casamento secreto… mas de repente ele se importa com o Código Jedi? Ele deve ter pego a bipolaridade da esposa, só pode.

Screenshot_50

O filme corta para Mace, Yoda e Obi-Wan no ônibus rumo à praia onde o último relata que Skywalker não aceitou muito feliz sua nova tarefa. Windu diz que é muito perigoso colocar os dois juntos e revela que não confia em Anakin. Kenobi pergunta se o moleque não é o escolhido da profecia, aquele que vai destruir os sith e a Matrix, ao que o baixinho verde responde que a profecia pode ter sido mal interpretada.

Se os dois principais mestres do Conselho Jedi têm esse nível de dúvida e desconfiança em relação a Skywalker – e levando em conta o seu histórico de mancadas e insubordinação – como que deram uma missão super arriscada e importante dessas pra ele? Como que não rola um acompanhamento mais próximo a ele pra não dar ruim? Ou melhor, mais uma vez, como ele ainda é um jedi?!

Pra coroar toda essa sequência, Obi-Wan diz que Anakin não vai desapontá-lo (errou) e que ele nunca o fez. Pera, o que? O Episódio II inteiro foi só o moleque fazendo besteira e desobedecendo todas ordens do seu mestre. Como pode Obi-Wan dizer que ele nunca o decepcionou? A minha cara vendo essa cena toda é a mesma do Mace Windu aqui embaixo.

Screenshot_1

De volta ao nosso casal preferido (só tem eles dois, né), parece que os roteiristas confundiram os personagens e Padmé começa a falar para Anakin que eles podem estar do lado errado e que a democracia conhecida por eles pode não existir mais, ao que seu marido responde “wow, você tá soando como eu!” (brincadeira, ele diz “como uma separatista”).

Amidala pede para Skywalker abracá-la como fez em Naboo “quando não havia nada de política, conspiração e guerra”, esquecendo que eles só estavam juntos no planeta porque havia uma conspiração política para assassiná-la levando a uma guerra, mas ok. Da cena ali em cima em diante eu assumo que os roteiristas simplesmente falaram “dane-se” pra tudo.

Após receber uma ligação de Palpatine o convidando para ver o Cirque du Soleil, Anakin vai ao encontro do chanceler e recebe a informação de que Grievous foi localizado em Utapau. O moleque comemora a possibilidade da guerra finalmente acabar e seu sugar daddy diz que o Conselho não terá bom senso se não o designarem para a missão, já que Skywalker é “de longe o mais indicado”.

Anakin, o jedi mais cabeça de vento e menos humilde, aceita o elogio e se senta ao lado do político.

Screenshot_7

Darth Plagueis

O chanceler entra no modo 100% Língua de Cobra e começa a falar que não pode contar com o Conselho Jedi porque eles querem traí-lo e assumir o controle da República. Anakin cai como um patinho e diga que sua confiança nos jedi anda abalada, fazendo com que Palpatine revele que sabe que eles o mandaram espioná-lo.

Sorrateiramente, o político começa a falar sobre os sith, comparando-os com os jedi e dizendo que ambos querem poder – tema de conversa que Skywalker acha completamente de boa e começa a discutir com o cara como se fosse futebol. Palpatine, percebendo que o moleque é um completo idiota mesmo, vai mais fundo e lhe conta sobre Darth Plagueis, um lorde sith tão forte e sábio que podia usar a Força para criar vida e impedir a morte daqueles que ele amava – imediatamente olhando pra Anakin levantando as sobrancelhas.

Palpatine fecha a história contando que o sith havia se tornado tão poderoso que seu único medo foi perder o poder – o que aconteceu quando seu aprendiz, que havia aprendido tudo que ele sabia, o matou durante o sono (que propaganda horrível do lado negro). É claro que Palpatine diz que foi uma ironia tremenda com um baita sorriso na cara e quase lambendo os beiços (se você nunca se tocou, ele era o tal aprendiz).

Em vez de perguntar “wow, como você sabe tanto sobre os sith?”, é óbvio que Anakin pergunta se é possível aprender esse poder, tomando um “não de um jedi” do chanceler após uma viradinha de cabeça super maliciosa. Essa parte final é bem bacana.

Screenshot_6

O conceito de estratégia…

De volta ao Conselho Jedi, Anakin informa que Grievous foi localizado e que o chanceler requisitou que a campanha fosse liderada por ele. É claro que todo mundo ri e Obi-Wan é designado para a missão.

Os dois saem juntos e Skywalker, do nada, decide pedir desculpas por sua arrogância, agradecendo seu mestre por tudo que aprendeu. Kenobi responde dizendo que ele se tornou um jedi muito melhor do que ele esperava (percebemos como eram baixas as expectativas do cara) e pergunta se ele quer alguma lembrancinha de Utapau.

Como praticamente não existe construção até aquele momento, o diálogo fica super solto e meio sem motivo – ainda mais se você lembrar que a Anakin acabou de ter seu pedido negado e está com cada vez menos fé nos jedi. Provavelmente enfiaram essa cena forçada entre os dois apenas porque é a última vez que eles se vêem como amigos.

Obi-Wan chega em Utapau e é recebido por Dentes Bizarros, que primeiro tenta desconversar, mas logo revela que Grievous e seu exército de dróides estão mesmo lá. Kenobi fala para seu astrodróide levar sua nave de volta e avisar aos clones que ele fez contato enquanto permanece secretamente em Utapau. O que seria um bom plano se a área de pouso não fosse completamente aberta e fosse impossível ele sair da nave sem ninguém perceber (mas é claro que ninguém percebe).

O jedi (lembre-se, secretamente ainda no planeta) decide usar uma iguana gigante que grita a cada 5 passos como meio de transporte para espionar a reunião dos separatistas. Como o plano já está fazendo tanto sentido quanto usar maionese como creme depilatório, Obi-Wan decide imitar seus colegas no Episódio II e pular no meio do exército dróide mandando um “FALA AÍ!” no processo.

Screenshot_9

Grievous diz para o matarem mas, por algum motivo, só quatro robôs com bastões partem pra cima dele enquanto todo o resto com armas literalmente só observa. O jedi usa a Força para calmamente soltar uma peça gigante do teto e esmagá-los. Quando o resto do exército finalmente se toca que os objetos em suas mãos atiram, o general diz para se afastarem pois ele cuidará do inimigo.

A luta começa com o androide usando quatro braços e quatro sabres de luz contra o jedi. Não dá nem tempo de você pensar que o negócio vai ser louco porque em menos de 1 minuto, Obi-Wan já consegue facilmente decepar duas das mãos de Grievous e a luta logo é interrompida pelo exército de clones.

Rola um zoom bem nada a ver na cara dos dois e Kenobi usa a Força para jogar o general numa parede tal como uma geleca Amoeba. O vilão, que menos de 20 segundos antes estava contando vantagem (“com ou sem exército você deve ter percebido que está ferrado”), decide fugir de forma ridícula como uma aranha até a moto do Homens de Preto 3, fazendo com que o jedi chame sua iguana gigante para persegui-lo.

Panaca surpreso

Em Coruscant, Anakin vai até Palpatine para relatar que Obi-Wan encontrou Grievous e está lutando com ele. O mancebo se queixa de que também deveria estar em Utapau e diz não saber porque não o consagram mestre jedi. Essa linha toda do filme é muito imbecil porque Skywalker só deixou de ser padawan há menos de quatro anos. Não é loucura nenhuma não quererem promovê-lo ainda.

O garoto também diz se sentir cada vez mais excluído do Conselho do qual ele faz parte há menos de alguns dias e só se tornou membro por requisição de Palpatine, mas beleza, deve ser revoltante mesmo, nossa. O político, fazendo a cabeça do idiota, diz que Anakin não tem a confiança dos jedi e que ele pode ensiná-lo sobre a Força.

Screenshot_11

Skywalker finalmente começa a se tocar de que tem alguma coisa suspeita e pergunta como o chanceler sabe os caminhos da Força, recebendo como resposta que o mentor de Palpatine o ensinou tudo sobre ela, até mesmo o lado sombrio. O jedi faz sua melhor cara de panaca surpreso ao questionar o político essa sabedoria sobre a parte obscura da Força.

“Se você quer ser o maior mestre Pokémon, você precisa capturar todos eles, não apenas os bonzinhos”, o sith responde, completando que somente através dele Anakin pode alcançar poder maior que qualquer jedi para salvar Padmé da morte certa. Ainda com sua cara de panaca confuso, o menino saca seu sabre e grita “ÓH MEU DEUS! VOCÊ É O LORDE SITH!” enquanto você assistindo ao filme responde “FINALMENTE, ANIMAL!”.

Palpatine diz sentir a raiva crescendo dentro de Skywalker, o que faz com que o jedi resista à tentação de matá-lo ali e decida entregá-lo ao Conselho Jedi. O chanceler lembra que Anakin não confia nas intenções do Conselho e bate na mesma tecla de que com o poder do lado negro Skywalker pode salvar sua amada e vestir roupas bem mais legais.

Screenshot_13

Pobre Grievous

De volta a Velozes e Furiosos: Desafio Utapau, Grievous e Obi-Wan se engalfinham na moto de MIB 3 e caem numa plataforma de pouso. O jedi, que perdeu seu sabre um pouco antes, usa um dos bastões dos guardas droides para super facilmente dar umas porradas no bicho até perder sua arma e a luta virar briga de rua. No meio da pancadaria franca, o barbudo consegue revelar o coração do general e grita “deixa eu te amar!”, tomando um fora e sendo jogado pra longe.

Kenobi consegue se agarrar na beirada da plataforma e quando Grievous está chegando com o bastão para dar o golpe final, o jedi usa a Força para puxar uma arma pra perto dele e atirar no coração do dróide ao som de “Shot Through The Heart” do Bon Jovi. É o fim do famigerado General Grievous.

É uma tristeza a forma como abordaram o vilão no filme. Antes do Episódio III estrear, rolava o desenho das Guerras Clônicas que citei lá no começo. Nele, Grievous era um exímio lutador, derrotando grandes grupos de jedi ao mesmo tempo com extrema velocidade e ferocidade. Chega no longa e o cara foi reduzido a um robô asmático que foge sempre que dá e é derrotado de forma completamente bundona.

Uma coisa a se pensar: imagina se Darth Maul não tivesse morrido no Episódio I e esse fosse o confronto final entre os dois. Haveria muito mais coisa em jogo, muito mais emoção e a vitória de Obi-Wan seria muito mais significativa.

Screenshot_14

O que pode dar errado?

Na capital da República, Anakin encontra Mace Windu e outros mestres jedi indo garantir que o chanceler devolva os poderes de emergência agora que o General Grievous foi destruído. E aí depois de tudo que aconteceu, Anakin diz para Windu que ACHA que Palpatine é um Lorde Sith, comprovando que um saco de batatas jedi seria menos idiota do que Skywalker.

Mais bizarro ainda é a surpresa com a qual Mace – que já estava desconfiando do político desde o começo do filme – recebe essa informação. O mestre diz que se for verdade Anakin terá ganhado sua confiança e fala pro moleque ficar de fora porque sente muita confusão nele.

Windu manda o jovem e poderoso jedi cheio de confusão aguardar completamente sozinho na sala do Conselho enquanto ele parte com os outros mestres para um dos momentos mais importantes da história da República. O que pode dar errado?

Aparentemente muita coisa porque Anakin logo começa a ouvir Palpatine em sua mente e, após derramar uma lágrima, decide ir até a morada do chanceler.

Screenshot_15

Pobre Mace Windu

Os mestres chegam até Palpatine e logo após anunciarem sua prisão, começa uma das piores lutas da nova trilogia. Em questão de segundos, os três mestres jedi que acompanhavam Mace Windu são abatidos com extrema facilidade.

Se Palpatine chegasse insano tipo Lindomar, o Sub-Zero brasileiro, usando altas habilidades sinistras, super ok. Mas ele passa o sabre reto em um, passa no outro e passa no terceiro. É verdadeiramente ridículo e te faz pensar como os jedi eram uma força tão poderosa com habilidades toscas assim.

O confronto entre o sith e Mace Windu é menos zoado, progredindo com boa tensão graças à ótima trilha sonora, enquanto vemos Anakin se aproximar do local pra fazer cagada. A briga segue relativamente equiparada até o jedi dar um chute na cara do chanceler estilo Anderson Silva, encurralá-lo no canto da janela e falar que ele está preso. É aí que Skywalker chega.

Palpatine imediatamente tenta dar uma de coitadinho falando pro garoto que os jedi estão tomando o poder mas, após Windu dizer que ele perdeu, joga essa estratégia pela janela mandando um “NÃO, NÃO, NÃO!” involuntariamente cômico e soltando raios pra cima do cara. O mestre jedi consegue rebater o poder e, enquanto frita e vai ficando cada vez mais feio, o político diz que tem o poder para salvar quem Anakin ama.

Screenshot_22

Mace diz que vai acabar com aquilo de uma vez por todas, sendo censurado por Anakin, que diz que ele deve ser julgado – lembre-se, esse é o mesmo moleque que matou Dooku no início do filme sem julgamento. O mestre argumenta que o sith tem controle do senado e da corte, sendo perigoso demais para continuar vivo.

Skywalker, o jedi que sempre cagou em cima do Código Jedi, diz que executar Palpatine não é o método jedi. Windu o ignora e quando vai desferir o golpe final, vê sua mão ser decepada por Anakin. O sith aproveita a chance para fritá-lo e jogá-lo pela janela com seus raios enquanto grita “SABE VOAR, ESTUDANTE?!”.

A morte de Mace Windu é boba demais. Ele dá super mole em baixar a guarda com o Anakin do lado – Anakin esse mais confuso do que nunca e claramente contra o que ele vai fazer. Dá pra ver o golpe do moleque chegando lá de longe.

Seria muito mais bacana se Mace conseguisse defender o ataque de Skywalker e Palpatine aproveitasse esse momento para soltar os raios pra cima dele. Durante uma rápida pausa no choque, antes de ser jogado pela janela, Windu ainda poderia olhar para o moleque com tristeza. Olha aí um desfecho muito mais bacana.

Darth Vader

Anakin, após se perguntar arrependido o que acabou de fazer, aceita ser aprendiz de Sidious e diz que fará qualquer coisa para salvar Padmé. Se o cara vai tombar pro lado negro nessa velocidade, qual era a necessidade da pergunta arrependida? Se houvesse um diálogo com Anakin – mesmo após permitir a morte de Mace – ainda resistindo e sendo seduzido pelo sith, ok. Mas se é de forma tão bruta, incluir um arrependimento logo antes de aceitação do lado negro só deixa as coisas estranhas.

Papatine, fazendo caras e bocas dignas de um orgasmo (lembro que no cinema a galera riu durante essa cena), diz que Anakin agora será conhecido como Darth Vader – sem explicação nenhuma. O sith claramente inventa esse nome na hora e acha bacana. O que é justo porque “Darth Vader” fica irado mesmo.

Com a tal “tentativa de golpe” dos jedi, segundo Sidious, todos eles agora são inimigos da República e devem ser eliminados. A primeira missão de Vader é ir até o Templo Jedi e eliminar até os faxineiros jedi, para depois viajar até Mustafar onde estão os líderes separatistas e fazer a mesma coisa (mas agora com faxineiros separatistas).

Screenshot_17

Analisando tudo que aconteceu desde o Episódio II, a forma como a queda de Anakin é construída é super pobre e bruta. Não é algo que vai acontecendo sutilmente e aos poucos. Desde o começo de Ataque dos Clones fica claro que vai dar tudo errado.

Além de que diversas coisas não fazem sentido – como ele continuamente infringir as regras na cara de todo mundo e ninguém fazer nada – e outras são simplesmente burras mesmo – o fato do jovem ficar surpreso e chateado por não ser consagrado mestre após o nepotismo de Palpatine, por exemplo.

Como disse no outro post, o maior responsável por isso é a negligência de todos ao redor de Skywalker. Ele claramente apresentava diversos problemas, demonstrados tanto por ações externas quanto ações internas – como Yoda sempre sentir muito medo e raiva dentro dele. Mesmo sendo o jedi mais importante daquela época, o escolhido que deveria equilibrar a força, ninguém agiu. Ninguém realmente se preocupou em fazer algo para ajudar o moleque e evitar que ele encontrasse seu óbvio destino no lado negro.

Com isso, os jedi no geral ficam parecendo um bando de tapados. Os caras que deveriam ter mais sabedoria, maior contato com a Força, deixam isso tudo acontecer por pura negligência. O que gera um conflito entre o que o universo Star Wars quer (idealmente) que os jedi sejam e suas ações que mostram justamente o contrário.

Screenshot_20

Ordem 66

Palpatine, via Skype, entra em contato com diversos comandantes clones espalhados pela galáxia para mandá-los executar a Ordem 66. É aí que descobrimos que a encomenda de clones apropriada por Dooku e Sidious antes do Episódio II tinha uma diretriz, escondida entre outras 149, que caso os jedi tentassem tomar o poder, o chanceler (e apenas ele) poderia executar para eliminar todos os jedi.

Ok, são 150 ordens de contingência. Deve ser chatão de ler todas mas custava alguma coisa botar pelo menos 1 jedi estagiário pra passar o olho em todas? É por isso, crianças, que deve-se sempre ler os termos de uso de tudo que você baixa.

Os clones imediatamente atacam os desprevenidos jedi majoritariamente com a estratégia surpreendente de tiro nas costas. Críticas à parte, a sequência toda consegue ser bem triste. A emocionante música encaixa perfeitamente e, por mais que as mortes sejam bem bobas, é desolador ver que o tempo dos jedi oficialmente acabou.

Screenshot_24

Obi-Wan, em Utapau, vira alvo dos clones e cai da sua iguana gigante num lago no fundo de um precipício, conseguindo fugir porque, no cinema, não importa a altura da sua queda. Se você cai na água, fica tudo bem.

Yoda, em Kashyyyk (é, ele está no planeta do wookies há um bom tempo, mas é tão inútil que não valia a pena comentar até agora), sente as mortes de todos os jedi e pressente a emboscada, escapando com a ajuda de Chewbacca (sim, ele está ali só pelo fan service barato) e Wookie #2.

Pobres padawanzinhos

Enquanto isso, numa cena visualmente bem legal, Anakin e centenas de clones chegam no Templo Jedi pra tocar o terror. Vader encontra vários jovens padawans super fofinhos que o reconhecem (ainda como jedi) e perguntam inocentemente o que eles vão fazer. Não se escuta resposta alguma além do som do sabre de luz do novo sith ligando para o espanto das crianças.

Cara, essa cena é muito boa. Muito boa mesmo. Dá pra sentir o desespero silencioso dos padawans quando eles se tocam do que Anakin vai fazer. Assim que o sabre liga, o padawanzinho que fez a pergunta dá um passinho pra trás, suficiente para apertar o coração de qualquer pessoa.

Screenshot_23

Anakin, depois de assassinar as crianças fofinhas, se encontra com Padmé e explica que os jedi tentaram tomar o poder e estão por trás do 11 de setembro. Amidala pergunta o que ele vai fazer e o ex-jedi explica que vai até Mustafar para acabar com os separatistas e encerrar a guerra.

No planeta vulcânico, Darth Sidious manda uma mensagem pra galera dizendo que logo seu novo aprendiz chegará para… cuidar deles (ele realmente faz essa pausa). Todos acham de boa e começa a pendurar faixas “BEM VINDO, DARTH VADER” ao invés de sacarem o que Palpatine quis dizer e meterem o pé.

É claro que ninguém mete o pé e Anakin chega fatiando todo mundo como se eles fossem manteiga e ele estivesse realmente afim de fazer um sanduíche, colocando até suas lentes de contato amarelas para enxergar melhor.

Screenshot_29

O verdadeiro escolhido

Enquanto isso, o senador Bail Organa chega sozinho no Templo para saber o que está acontecendo, provando que não duraria nada num filme de terror. Os clones informam que houve uma rebelião e apontam as armas para ele. Quando estão prestes a executá-lo, surge um padawan dando altos rolamentos e defendendo vários tiros para salvar o político e lhe dar tempo de fugir – morrendo no processo.

Um minuto de silêncio pelo padawan que lutou melhor do que 90% dos jedi que apareceram na nova trilogia. Com o nível ridículo dos mestres do Conselho, não duvido nada que esse moleque fosse o verdadeiro escolhido da profecia (pena que rodou).

Organa resgata Yoda e manda suas coordenadas para Obi-Wan encontrá-los. Quando o barbudo chega, lhe informam que há uma mensagem sendo transmitida pelo Templo Jedi dizendo que a guerra acabou e todos devem voltar pra lá pois haverá show do Wesley Safadão e bebida liberada até 00h. O trio então decide ir até Coruscant interromper a transmissão para evitar que outros jedi caiam nessa armadilha.

Screenshot_26

O senador vai para uma sessão especial do senado convocada por Palpatine enquanto Obi-Wan e Yoda chegam no Templo Jedi lutando da forma que você espera que dois mestres lutem, derrotando dezenas de clones sozinhos numa cena muito maneira. Ao entrar no Templo, a dupla encontra diversas crianças mortas e Yoda chama a atenção de que uma delas não foi abatida por tiros, mas sim por um sabre de luz.

Na parte política, Palpatine diz que o complô jedi foi desfeito e os jedi remanescentes serão caçados. Além disso, o político decreta que a República será convertida no Primeiro Império Galático para uma “sociedade segura e pacífica” – saca o golpe de 64? Imagine isso com mais sabres de luz. A cena fecha com uma bela frase de Padmé: “então é assim que a liberdade morre. Com um estrondoso aplauso”.

Obi-Wan altera a mensagem avisando aos jedi sobreviventes para se afastarem de Coruscant. Antes de partir, o barbudo acessa as imagens de segurança, descobrindo que foi Anakin que invadiu o Templo após cair para o lado negro – o que o jedi descobre acessando uma gravação de Vader ajoelhado perante Palpatine que, diferentemente do que eu lembrava, não é a mesma cena da sua queda no escritório do político após a morte de Mace Windu.

Então Sidious foi até o Templo Jedi parabenizar Anakin? Por que ir pessoalmente? Ele já tinha dito o que seu aprendiz deveria fazer após a missão em Coruscant. Não faz muito sentido se arriscar assim.

Screenshot_30

Uma rara péssima atuação

Ao escutar de Yoda que os sith devem ser destruídos, Kenobi diz que não matará Anakin pois ele é como seu irmão. O ancião o convence dizendo que num apocalipse zumbi, se sua mãe é mordida e vira um morto-vivo, ela não é mais a mulher que você conhecia e deve ser morta.

O jedi então vai até Padmé para perguntar sobre o paradeiro de Skywalker. Ela não coopera muito, o que faz com que Obi-Wan revele que ele foi para o lado negro. A mulher fica ofendidíssima e pergunta como ele pode dizer isso, ao que o cara responde que viu gravações de Anakin assassinando crianças – numa (rara) atuação terrível de Ewan McGregor, que faz a revelação com o mesmo peso emocional de quem diz que esqueceu de comprar pão pro lanche na volta do trabalho.

É válido fazer uma pausa pra destacar que George Lucas é um diretor tão ruim que consegue fazer com que excelentes atores como McGregor e Natalie Portman tenham atuações medíocres e até mesmo ruins ao longo da nova trilogia. Tirando o Hayden Christensen. Esse cara é terrível na mão de qualquer diretor mesmo.

Screenshot_31

O melhor momento de Natalie Portman

Percebendo que não conseguirá informações de Padmé, Obi-Wan vai embora e espera que ela vá atrás de Anakin para entrar sorrateiramente em sua nave. E que decisão maluca dela de ir até um planeta vulcânico no qual o marido disse que ia matar uma galera logo no finalzinho de sua gestação. Talvez fazer malabarismo com facas fosse uma ideia menos perigosa.

A moça é recebida por Anakin que começa a falar umas coisas bizarras como “a trilogia Hobbit é melhor que a trilogia Senhor dos Anéis” e que ele pode derrubar o chanceler para que eles governem a galáxia juntos. Isso finalmente dá um choque de realidade em Padmé que não o reconhece mais (aposto que são as lentes de contato amarelas) e, numa atuação excelente (talvez a primeira da atriz durante todos os filmes), diz que ele está partindo seu coração.

Enquanto ela está tentando botar juízo na cabeça do ex-jedi, Obi-Wan vai até a porta da nave, faz sua melhor pose de Superman e fica esperando Anakin olhar pra ele. O sith é tomado pela raiva quando o vê e, acreditando que Padmé se juntou ao jedi e o trouxe para assassiná-lo, usa a Força para sufocá-la.

Screenshot_32

O problema de fazer prequências

Em Coruscant, Yoda vai confrontar Sidious e assim que entra na sala do sith, se livra dos guarda-costas vermelhos do Imperador de forma completamente ridícula – fazendo-os baterem na parede logo atrás deles e desmaiarem. Os dois trocam umas farpas, “você tá mais acabado do que eu”, Palpatine lança uns raios no verdinho mas depois é lançado pra cima de sua mesa e cai tão sem jeito quanto uma senhora de 80 anos tropeçando numa escadaria.

No meio da luta os dois vão parar dentro do senado e o sith vai jogando as plataformas dos políticos em Yoda enquanto se diverte horrores (porque na vida se deve aproveitar todos os momentos mesmo, carpe diem). O jedi consegue se aproximar e Sidious lança seus já manjados raios à queima roupa, que são segurados pelo baixinho, causando uma onde de choque que lança cada um pra um lado.

Yoda cai no fundo do anfiteatro político e aí… resolve desistir. Ele não foi ferido e a luta estava bem equiparada (a última ação foi justamente prova disso) mas o jedi decide que já deu pra ele e se enfia nuns dutos de ventilação no melhor estilo Duro de Matar. Para completar, quando Organa chega pra lhe dar uma carona, ele diz irá para o exílio por ter falhado.

Screenshot_41

Peraí, vamos recapitular. Durante uma luta pau a pau com 50% dos sith da galáxia e raiz de todo o mal, o mestre jedi decide sozinho que perdeu a batalha e prefere o exílio do que auxiliar uma possível rebelião contra o Império. Nada disso faz o menor sentido, ainda mais se você pensar no Yoda do Episódio V.

Mas esse é o problema de resolver fazer prequências de outros filmes. Certos eventos precisam terminar de uma maneira específica para que elementos dos filmes antigos não percam sentido. Quando você escolhe um time de roteiristas incompetentes para essa tarefa, o resultado acaba sendo esse tipo de bizarrice na qual Yoda escolhe parar de lutar e deixar o Imperador levar sua vida na boa.

A melhor luta da nova trilogia

De volta à Mustafar, após Anakin soltar Padmé, Obi-Wan e ele trocam umas farpas, “meu sabre é maior que o seu”, e então se inicia o duelo mais frenético e empolgante da nova trilogia. Diferentemente do que eu lembrava, a luta entre os dois consegue ser ainda melhor que o confronto entre Qui-Gon, Obi-Wan e Darth Maul no primeiro filme.

A velocidade dos golpes atinge níveis espetaculares numa coreografia de tirar o fôlego (imagina quantas vezes dedos foram acertados durante os ensaios).

A porrada come por um bom tempo, com sequências incríveis ao longo das estruturas colossais de Mustafar. Os caras usam a força, dão pontapés e piruetas, lutam com erupção atrás deles e enfrentam até uma cachoeira de lava no caminho. Tudo isso ao som da trilha sonora fantástica de John Williams deixando as coisas realmente épicas.

Screenshot_39

A melhor e a pior atuação de toda a saga

Obi-Wan consegue saltar para a margem do rio de lava e diz que está, literalmente, num nível mais alto. Anakin, nesse momento a representação do homem hétero com ego machucado, se prepara para saltar e chegar num nível da margem mais alto que a de seu antigo mestre (eu nunca tinha me tocado que no fim das contas é isso que ele estava tentando fazer) e é advertido por Kenobi para não tentar.

Após soltar um pretensioso “você subestima o meu poder”, tal como falei pra minha namorada quando ela disse que eu não conseguia comer uma pizza gigante sozinho, Vader pula para descobrir que deveria ter escutado o jedi e tem todos os seus membros (com exceção da mão direita que já era robótica mesmo) decepados, rolando até o leito da lava como uma peça de presunto chamuscada.

E é aí que acontece uma coisa engraçada: na mesma cena temos a melhor atuação de toda a saga (e uma das melhores atuações que eu já vi em cinema) com Ewan McGregor e a pior com Hayden Christensen.

Enquanto McGregor lança suas falas – muito bem escritas, é preciso reconhecer – com total precisão emocional, fazendo com que você realmente sinta toda a tristeza e decepção que Obi-Wan está sentindo, Christensen grita de qualquer maneira parecendo que tiraram as cenas dele de algum filme amador. A diferença entre os dois é abismal.

Screenshot_42

Obi-Wan diz que Anakin deveria destruir os sith e não se juntar a eles, que ele deveria trazer equilíbrio à Força, não deixá-la na escuridão. O jedi pega o sabre do sith (o que revendo é menos forçado do que eu lembrava. Não tem muito porque Kenobi deixar o artefato que está no seu caminho pra trás) e recebe um sonoro “eu te odeio” do garoto.

Vader começa a pegar fogo e Obi-Wan, ao invés de acabar com o sofrimento de quem ele acabou de dizer que amava e garantir a morte de Anakin, simplesmente vira de costas e vai embora. Não faz muito sentido, mas lembra o que eu falei ali em cima sobre o problema de prequências? Então.

Uma cena destruída

É claro que Darth Sidious sente que Anakin está em perigo e aparece para salvá-lo. Chegando em Coruscant, levam o corpo totalmente queimado do sith numa maca aberta no meio de um temporal porque ele não sofreu o suficiente ainda.

Na base médica (que mais parece um câmara de tortura), aplicam as próteses biônicas no cara com ele consciente e sem anestesia alguma (Anakin não sofreu o suficiente mesmo na opinião dessa galera), lhe vestem a icônica armadura preta e escutamos o inconfundível som de sua respiração.

A mesa onde ele está é levantada devagar por questões de dramaticidade (o que funciona muito bem) e Vader pergunta sobre Padmé para Palpatine, que mente dizendo que ele a matou em meio a sua raiva.

A figura sombria se solta da mesa, dá dois pesados passos à frente enquanto sua fúria faz com que a sala trema com a Força. A cena toda é excelente. Super séria, fotografia ótima, evolução tensa… até que Vader solta um desnecessário “NÃÃÃÃÃOOOOO…” como se estivesse numa novela mexicana.

Qual a necessidade disso? Já era mais claro do que água que o cara estava bolado. Por que um vilão sombrio e amargurado como ele gritaria assim no lugar de sofrer em silêncio – apenas com a Força agindo por meio da sua fúria? A sutileza de sua dor é bizarramente trocada por uma reação completamente exagerada para o personagem.

Screenshot_45

Luke se ferrou

Enquanto isso, Obi-Wan leva Padmé até uma base isolada onde Organa e Yoda estão. O robô médico cubano diz que clinicamente ela está bem, mas perdeu a vontade de viver e está morrendo – já ouviu aquela expressão “morrer de desgosto”? Parece que isso existe.

O doutor mecânico diz que precisam operá-la rápido para salvar os bebês – no plural, para a surpresa de todos, porque são gêmeos. Padmé sobrevive o suficiente para nomeá-los, dizer que ainda existe bondade em Anakin e pedir para o jedi deletar suas redes sociais.

Yoda, Obi-Wan e Organa concluem que as crianças devem ser protegidas e escondidas em algum lugar onde os sith não sintam sua presença. Bail diz que adotará Leia com sua esposa, sobrando pra Luke ir se ferrar em Tatooine com Kenobi.

Antes do barbudo meter o pé, o mestre verde lhe passa um dever de casa para os anos de solidão no planeta desértico: decorar a tabuada e aprender a conversar com Qui-Gon, que conseguiu atingir a imortalidade por meio da Força.

Em algum lugar do espaço, a construção da primeira Estrela da Morte é observada por Palpatine, Vader e uma versão digitalmente mais nova de Grande Moff Tarkin – aquele senhorzinho que explode o planeta da Leia no Episódio IV – que eu nem lembrava que aparecia e é um cameo bem legal.

Screenshot_46

Organa leva a sua nova filha para o belíssimo e tecnológico planeta Alderaan (ela se deu muito bem, na boa), enquanto Obi-Wan chega com Luke para entregá-lo a Owen e Beru Lars em Tatooine, os filhos do pseudo padrasto de Anakin que aparecem no Epísódio II.

Imagina que loucura a vida desse casal. O pai de Owen compra uma escrava, a liberta e casa com ela. Tudo vai bem até o Povo da Areia sequestrar a mulher. Aí do nada chega o filho dela todo amargurado do espaço acompanhado de uma mina com umas roupas doidas, não te dá nem bom dia direito e mete o pé pra resgatá-la. Ele volta com o corpo dela, não fica nem mais um dia e vai embora roubando o seu robô.

Quatro anos depois, aparece um barbudão com um bebê dizendo que ele é filho daquele seu meio irmão. Por que diabos você aceitaria essa criança?

Outra coisa, se o plano, segundo Yoda, era a galera toda esperar a hora certa pra confrontar o Império, por que no Episódio IV o tio do Luke coloca tantos impasses no caminho dele querendo que ele seja um fazendeiro pra sempre?

E se a ideia era esconder os gêmeos, por que só Leia virou Leia Organa ao invés de Leia Skywalker? Não seria sensato Luke se transformar em Luke Lars ao invés de Luke Skywalker? Aliás, se o moleq–

Screenshot_48

10 anos depois E aí?

Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith com certeza tem o ritmo mais acelerado de toda a nova trilogia. Nunca chega a ser chato assistir a ele e, graças a bom Jesus, perdemos pouquíssimo tempo em cenas Orgulho, Preconceito e Jedi, que são umas das partes mais entediantes do Episódio II.

Além disso, a dinâmica entre Obi-Wan e Skywalker dá uma leve melhorada (ainda muito longe do ideal), a luta entre os dois é simplesmente incrível e Ewan McGregor dá um show de atuação na última cena com Anakin, cujas falas foram muito bem roteirizadas.

Só que o filme é surpreendentemente pior do que eu lembrava (sério, fiquei honestamente surpreso com isso). Todos os seus bons momentos são eclipsados por um roteiro completamente maluco no qual é clara a incompetência em costurar os elementos comuns às duas trilogias. Nem momentos pequenos na trama escapam da falta de sentido do texto – como Obi-Wan dizer que Anakin nunca o decepcionou ou a bipolaridade de Padmé na varanda.

Tirando o conflito final, todas as coreografias de luta continuam ridículas e a maioria dos jedi morre de forma completamente tosca e sem peso emocional algum. Os heróis que aparecem sendo emboscados durante a Ordem 66, por exemplo, tem tão pouco tempo de tela e zero personalidade construída durante os três filmes que você caga pro destino deles.

Screenshot_43

E a queda de Anakin para o lado negro, a parte principal do Episódio III e de toda a trilogia no geral, é feita de forma completamente medíocre. Parodiando o código jedi: não há sutileza, há brutalidade. Não há desenvolvimento, há correria. Não há sentido, há “questões de roteiro”.

Acaba que a ação muitas vezes frenética e divertida não consegue esconder tampouco compensar o fato de que de Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith é um filme ruim. É o menos chato de assistir? Sim. É o com as cenas mais memoráveis? Com certeza. É o melhor episódio da nova trilogia? Sem sombra de dúvidas. Mas é como ter que escolher entre sorvetes sabor terra, fezes e limão estragado. Esse último pode ser o melhor, mas não quer dizer que seja bom.

O que dá vontade de falar para George Lucas após rever o filme: graças a Deus você nunca mais vai tocar em um filme de Star Wars.

Para ler todos os textos de Relembrando Star Wars, clique aqui.
Leia Mais
Série animada de Pacific Rim terá novos jaegers e kaijus!