Review: Verotika (ou “como eu assisto filme ruim, cara”)

Existem filmes que você assiste e logo percebe quando os responsáveis estavam querendo criar um climão de zoeira, de “olha como a gente fez esse filme ruim, RIARIARIARIA somos fanfarrões”, que resultam em produções porcas e que geralmente não têm tanta graça como o planejado. Só que aí, existe aquele tipo de filme gostoso, que aparentemente foi feito de maneira sincera, mas é tão ruim que chega a dar um calorzinho no peito (pode ser azia, ainda não sei responder direito). Verotika é o segundo tipo de filme.

Dirigido pelo eternamente trevoso Glen Danzig, famoso pelo Misfits, Samhain e por esse muquetão que tomou na cara, Verotika é baseado em quadrinhos que eu não sabia que existiam até aparecer nos créditos. Criados pelo Danzig, que sabe fazer boas músicas, mas escreve histórias como um moleque revoltado de 13 anos, os quadrinhos contam histórias de terror, com gore, peitos e trevas.

Verotika
Os chifrinhos/orelhinhas, cara (Reprodução/Cleopatra Entertainment)

Verotika é apresentado por uma moça que parece atriz pornô (fui ver depois o nome e ela realmente é), que tenta ser uma nova Elvira, mas tem uns chifrinhos que fazem com que ela pareça ter orelhinhas de gato e que me fizeram rir. Mirou nas trevas, quase acertou nos furries.

A Elvira furry apresenta, com a desenvoltura de um jogador de DDR usando perna de pau, três histórias de terror que até poderiam servir para alguma coisa, mas são tão mal feitas que se tornam pequenas produções da mais fina safra do CHORUME que Danzig poderia criar.

Peitos que choram, uma fantasia rasgada e os piores sotaques do mundo

A primeira história começa com uma moça “fazendo um agrado” num rapaz. Ela tem um corpo de atriz pornô (fui ver e era mesmo também) e ele quer deixá-la sem camisa. Quando ele consegue, rola uma revelação que meio que serve como um jeito de mostrar exatamente o que é Verotika: ela tem olhos no lugar dos mamilos. O cara sai apavorado. A moça chora. E um dos peitos derrama uma lágrima.

Se você não parar de assistir aí, todo o resto é só uma montanha russa com rodinha faltando e você tá mais empolgado do que deveria com isso.

Os caras nem pra arrumar a fantasia (Reprodução/Cleopatra Entertainment)

Só que essa lágrima cai em uma aranha albina que tava em cima de uma rosa. E essa aranha fica gigante, acaba tomando os desejos mais profundos e perversos da moça e sai matando geral. Tudo isso com cenários e atuações de filme pornô (notem que existe um padrão aqui) e com todo mundo falando com um sotaque francês RIDÍCULO porque a história deveria se passar em Paris. Por que em Paris? Porque o que Danzig quer, Danzig faz.

Roubando caras TAL QUAL Nicolas Cage

A segunda história é sobre uma moça que rouba caras. Não malucos, caras mesmo, ela chega com a faca, passa e leva a cara embora. Ela mesmo usa uma dessas caras, numa maquiagem cretiníssima.

Aqui, dá pra perceber que o Danzig não tem a menor ideia do que tá fazendo, principalmente pelo fato de as “histórias” não terem qualquer tipo de estrutura decente. É só um amontoado de pessoas estranhas, fazendo algo e aí tudo acaba. Não tem nenhum tipo de construção, de desenvolvimento e resolução.

Aquilo ali era pra ser um rosto (Reprodução/Cleopatra Entertainment)

Fora que o tiriça não tem a menor noção de edição, já que aqui ele gasta uns cinco minutos sem cortar de strippers dançando na frente de uns caras. Sério, começa a ficar constrangedor, enquanto rola uma trilha que confesso que não é ruim, mas porra, maluco. E isso nem é o pior caso de cena que deveria acabar e ele deixa rolar por mais uns dois minutos.

Em algo meio nada a ver, no meio dessa história, o policial vai até o bar de strippers e SEAN “X-PAC” WALTMAN É O PORTEIRO DA ZONA! Até gritei o nome do cara quando ele apareceu!

Tomando banho com sangue e se curtindo na frente do espelho

A última história é basicamente uma versão da condessa Elizabeth Báthory de Ecsed, que é considerada até hoje como uma das maiores serial killers, depois de ter torturado e matado mais de 650 mulheres no período de 1590 e 1610. Em Verotika, ela tem outro nome, é interpretada por uma atriz pornô que tenta um sotaque bizarro e fica só no esquema de se banhar no sangue de virgens para ficar eternamente jovem.

Veja bem, a história original é bem interessante e macabra, mas no filme, é só uma desculpa pra ter uma moça passando groselha e mostrar peitos. Inclusive, é essa terceira história que apresenta uma das cenas mais constrangedoras que eu já vi em um filme, que é a moça, depois de um banho de sangue, passar uns 2 minutos e meio se olhando no espelho com cara de “OLHA SÓ”, dando voltinha pra ver se tá bem na imagem.

Verotika mirror
Dois minutos de silêncio e isso, cara (Reprodução/Cleopatra Entertainment)

Serio, é uma cena dela se curtindo por dois minutos e que parecem durar 2 horas. Nada ali faz sentido, inclusive toda a história, que começa e termina sem qualquer tipo de resolução ou motivo pra existir, além de querer ser trevosa e mostrar mulher pelada.

Verotika é um sonho esquisito do Danzig

E eu acho que essa é a grande pira do Glen Danzig com esse filme. Depois de criar os quadrinhos que inspiram o negócio aqui no mesmo embalo, misturando erotismo e violência, ele resolveu fazer um longa com a mesma pegada, mas tudo é tão feito nas coxas, com diálogos risíveis, efeitos especiais toscos, locações feitas pela turma da 8ª série B da escola do bairro do cara, e uma vontade de se levar a sério que tornam Verotika um dos desastres mais interessantes dos últimos anos.

Verotika

Isso porque você vê que claramente era pra ser um negócio ousado e só ficou ruim e engraçado. O fato de o filme ter passado em umas sessões de meia noite nos EUA, com direito a sessão de perguntas e respostas com o próprio Danzig, meio que tentando entrar na brincadeira, é a mesma coisa que rolou com o Tommy Wiseau e The Room. Era pra ser sério, ficou um lixo e o cara falou que era uma comédia, que esse era o objetivo. Verotika deve ir pelo mesmo caminho.

Filme horroroso. Veria de novo com amigos.

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