Review: Velozes e Furiosos 7

Falar sobre Velozes e Furiosos é mais complicado do que eu imaginava porque sempre vem algum imbecil falar que os filmes são só “car porn” ou algo do tipo. Sim, os carros estão lá, as perseguições foram ficando cada vez mais absurdas, mas se você prestar atenção, a história sempre tem como impulso uma questão muito mais emocional.

Com Velozes e Furiosos 7, os envolvidos não só conseguiram fechar vários buracos na cronologia da série, que enfiou aquele Tokyo Drift do nada, como também apresenta um filme cheio de explosões, carros, gostosas, mas que ainda ficam em segundo plano para a coisa que mais importa: família.

De roubo de DVDs para prédios em Abu Dhabi

Uma das coisas mais impressionantes de Velozes e Furiosos 7 não são os carros ou as cenas de ação MENTIROSAS, mas sim perceber como a série “evoluiu” e se tornou algo completamente diferente do que era no seu início.

No começo, o policial Brian se infiltrava numa gangue de bombadinhos que curtiam fazer racha nas ruas de Los Angeles e roubar carga de caminhões. O plano dos caras era ficar rico roubando aparelho de DVD. Em algum momento, a série resolveu que esse lance de ficar só correndo pra ganhar dinheiro tinha vida curta e resolveu aproveitar os personagens, que nessa altura do campeonato já são queridos pelos fãs, e usá-los em filmes que poderiam ser um novo Missão Impossível.

Velozes e Furiosos

Porque se no primeiro eles estavam roubando DVDs, em Velozes e Furiosos 7, Toretto e sua patota estão pulando de aviões usando os seus carros, impedindo uma ferramenta de ser usada por terroristas que podem acabar com o mundo e o escambau.

Essa evolução nos filmes acaba tornando os personagens em algo muito mais próximo de super-heróis do que uns caras que curtem carros. As máquinas ainda estão lá, mas elas servem quase como capas e armaduras pros momentos em que eles precisam fazer algo absurdo.

As coisas finalmente se encaixam

Uma das reclamações da galera era de que a franquia Velozes e Furiosos era cheia de furos, mas desde o quinto filme, as coisas começaram a se acertar de verdade, chegando até Velozes e Furiosos 7, onde todos os furos são tapados e as coisas fazem muito mais sentido.

Um belo exemplo disso é a maneira como aquela ceninha no final dos créditos de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio é incluída no novo filme. Sim, Lucas Black, a estrela do filme mais fora da franquia aparece e é um pouco bizarro. Desafio em Tóquio é um filme de 2006, então temos a cena dele novo e, logo em seguida, o cara trocando ideia com o Vin Diesel, só que quase dez anos mais velho.

Não é Lucas Black, mas é colisão ridícula
Não é Lucas Black, mas é uma colisão ridícula

É meio bizarro, porque você nota que o cara envelheceu, mas dane-se, um pouco depois rolam uns absurdos com carros e você meio que deixa isso passar. Vale lembrar que o ator Lucas Black assinou para mais dois filmes, então yay!

Um filme com mais coração do que explosões, gostosas e carros

Velozes e Furiosos 7 traz tudo o que os fãs da série gostam: perseguições sensacionais, carros incríveis, tiroteios, explosões e gostosas. Inclusive, Nathalie Emannuel, que trabalha como a Missandei em Game of Thrones, está no filme e é feita de amor e sensacionaleza. <3

Sua linda <3
Sua linda <3

Só que tem algo que aparece no filme desde a sua primeira cena, e é a noção de que família é a coisa mais importante do mundo, seja ela de sangue ou “por escolha”. Seja pela motivação do vilão Deckard Shaw (MELHOR. NOME. DE. VILÃO) ou de Toretto e sua patota, tudo é uma luta pela família. Se o mundo acaba se dando bem no final, é lucro.

E é aí que os produtores encontraram um jeito de dar um adeus digno ao personagem do Paul Walker, que faleceu com quase toda a sua participação no filme já gravada. A maneira como o Brian se despede da série não só funciona MUITO BEM como é um daqueles momentos em que a realidade (triste) ajuda a criar algo realmente emocionante na tela.

A homenagem feita ao Walker é certamente o ponto alto do filme e realmente mostra que por trás de todo espetáculo existem pessoas e mostra um pouco do porque Velozes e Furiosos funcionar tão bem.

Paul-Walker

A franquia é ridícula, as cenas de ação são exageradas e não parecem se passar no mesmo universo que nós vivemos. Só que os personagens acabam “crescendo” com o espectador e um vínculo acaba sendo criado. Não importa que 90% do elenco atua tão bem quanto uma batata ou que os carros parecem ter câmbio com 73 marchas, nem que grande parte do que acontece na tela NÃO FAZ SENTIDO. Você acaba só querendo que o Toretto fique bem, que o Hobbs continue sendo um monstro que metralha helicópteros, que o Roman continue sendo um ridículo e coisas do tipo.

No final do filme, você só quer que aquela família continue bem. Sendo assim, podem fazer mais uma dúzia desses filmes. É só não perder a alma que fica tudo lindo. Após ter visto Velozes e Furiosos 7, é possível dizer que a franquia tem isso de sobra. Muito mais do que muito filme “sério” por aí. E ainda tem uns carros e umas explosões maneiras. =)

Leia Mais
E essa é a primeira imagem oficial de Jared Leto como Coringa