Review: Transcendence – A Revolução

A ideia de cientistas utilizarem a tecnologia de inteligência artificial para prolongar a vida humana e até mesmo conseguir alcançar todo o seu potencial não é nova. Vários livros e filmes já utilizaram desse conceito para desenvolverem suas histórias.

Wally Pfister, diretor de fotografia de vários filmes de Christopher Nolan, resolveu usar essa ideia na sua estreia na direção com Transcendence – A Revolução. Nele, vemos a história de Will Caster, um cientista genial que conseguiu criar uma inteligência artificial potente o suficiente para começar a acreditar em sua consciência.

Quando ele é atacado por um grupo “anti-tecnologia”, ele fica com apenas poucos dias de vida. Tentando salvar seu marido, Evelyn Caster utiliza a pesquisa de outros cientistas para jogar toda a mente do seu amado para dentro de um computador.

Como você já deve ter visto no trailer, as coisas não ocorrem da maneira exata como esperado e temos um filme. Ou quase.

Uma ideia esticada como um filete de manteiga em um pão muito longo

Sim, eu usei algo de Senhor dos Anéis como subtítulo. Lide com isso, por mais que faça muito sentido quando falamos sobre Transcendence. Desde os primeiros momentos, é possível perceber que a ideia do longa é interessante o suficiente para ser produzida.

Alguém que tenta estender a sua vida, enviando sua mente e lembranças para dentro de uma máquina e se torna algo além daquilo, é bem interessante, quando tudo é contado de maneira que não te dá vontade de dormir. Transcendence sofre desse mal.

É inegável que ele é um filme muito bonito e bem fotografado, algo esperado da estreia de um diretor de fotografia, mas são as cenas que duram mais do que o necessário, os momentos que não precisavam de tanto foco, mas que o recebem de qualquer maneira, que servem como um dos maiores defeitos do filme.

Transcendence

Por causa disso, alguns questionamentos que poderiam dar as caras no filme, como a questão do que exatamente faz uma pessoa ser um indivíduo, que serviria como uma luva para os temas do longa, acabam sendo tratados de maneira superficial.

Depois das duas horas de filme (que parecem dez), é possível dizer que o conceito de Transcendence –  A Revolução é muito interessante, mas a forma como ela é executada acaba com a chance de ela se mostrar realmente especial.

Johnny Depp, o que aconteceu?

É necessário falar um pouco sobre o Johnny Depp. Apesar de ele aparecer em forma física apenas nos primeiros momentos do filme, ele se faz presente durante todo o longa, geralmente apenas com a sua voz.

Até aí tudo bem, só que o Depp entrega uma atuação cretina e sonolenta (o que parece ser algo comum com o filme) que chega a irritar. Você vê que o resto do elenco (basicamente a patotinha dos filmes do Christopher Nolan) tenta fazer um bom trabalho, mas o Depp parece tanto que está ali só pra faturar o cachê e seguir com a sua vida. Em momento algum ele parece se importar com a história, algo que pesa muito contra o filme.

Transcendence 2

E isso parece ter se tornado o modus operandis do Johnny Depp de uns tempos pra cá. Todos os filmes que ele faz são atuados de qualquer jeito, com ele sendo um personagem com tom de voz sonolento e mesmas expressões faciais, ou alguém estranho, utilizando figurinos espalhafatosos e uma voz mais aguda.

Caso Transcendence tivesse outro ator no papel do cientista Will Caster, talvez o problema com o ritmo do filme pudesse ser ignorado. Do jeito que ficou, fica complicado.

Resumindo tudo, Transcendence – A Revolução é uma ótima ideia (no papel), mas que se desenvolve de um jeito estranho e lento demais. É uma estreia interessante de Wally Pfister na cadeira de diretor, mostrando potencial, mas ele ainda precisa melhorar muito.

Com uma atuação sem vergonha do Johnny Depp, o filme acaba por se tornar aquele tipo de produção pra ser assistida quando está passando na TV.

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