Quando os primeiros filmes baseados nos jogos de Tomb Raider foram lançados, o mundo era diferente. Os jogos eram diferentes e adaptações de videogame para o cinema ainda tropeçavam bastante na hora de levar a emoção dos games para a telona. Eis que Hollywood tenta de novo com Tomb Raider – A Origem, adaptando já a nova versão de Lara Croft nos games, mais realista. O resultado é melhor, mas não significa também que ele tenha funcionado como deveria.

Dando seus primeiros passos (e tropeçando um pouco)

Tomb Raider – A Origem traz mais uma vez a história de Lara Croft. Vinda de uma família podre de rica, Lara vive uma vida simples como entregadora pois se recusa a aceitar sua herança e o fato que seu pai, desaparecido há anos após uma expedição, morreu. Numa jogada do destino, ela acredita que ele ainda está vivo e tem como encontra-lo, partindo em uma aventura.

A história é manjada, mas progride conforme o esperado por aqueles que já jogaram os jogos mais recentes da série. O maior problema do filme é que mesmo que nunca jogou consegue prever com várias cenas de antecedência o que vai acontecer.

Existem alguns furos, algumas coisas que claramente ficaram no chão da sala de edição, mas o filme não para muito para você ficar pensando muito nisso. Isso poderia ser algo muito bom, não fosse o fato de ele ainda parecer desnecessariamente longo. Com suas duas horas de duração, é possível dizer que o filme conseguiria ter uns 20 minutos a menos e não fazer tanta diferença no resultado.

As cenas de ação também não são grandiosas como poderiam ser, sendo que a melhor do filme acontece no começo, quando Lara ainda está em Londres. Todos os momentos de aventura que deveriam acontecer na ilha são no máximo aceitáveis, algo que pode parecer imperdoável em um filme como esse.

Só que, mesmo assim, o filme não é ruim. Sei que isso parece um jeito de camuflar um filme sem graça, mas Tomb Raider – A Origem funciona na medida que tenta reapresentar a personagem Lara Croft novamente nos cinemas, deixando de vez para trás a imagem da Angelina Jolie fazendo uns filmes BEM meia boca.

Alicia Vikander funciona bem nessa nova versão da Lara, baseada nos jogos mais recentes, tanto fisicamente como o que pode fazer. Com certeza, ela é, como deveria ser, o ponto alto do filme e dá vontade de ver essa Lara em mais histórias. O maior problema do filme é realmente o roteiro manjado e totalmente construído em cima de clichês.

Outro elemento que me surpreendeu bastante por ter funcionado, até melhor que os momentos de ação, foi a inclusão do estilo de puzzles do jogo na história de um jeito que funcionava bem. Mais de uma vez pensei “Isso aí é como rola no jogo”, mas apresentado de uma maneira dinâmica e que fica divertida de ver.

No geral, Tomb Raider – A Origem não é uma bomba como muita gente esperava, mas também não é o filme que traz a grande virada dos filmes baseados em jogos de videogame. Eu espero que a Warner consiga dinheiro o suficiente com esse filme para confirmar uma sequência (porque óbvio que o longa dá deixas para sequências), e contrate roteiristas melhores.

Por enquanto, Tomb Raider – A Origem vale para aquele momento que você não tem nada pra fazer. O problema é que ele claramente poderia ser muito melhor.

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