Review: Steve Jobs

Se você não viu o filme do Steve Jobs com o Ashton Kutcher, pode ficar tranquilo, porque já rebootaram o personagem.

Pode parecer piada, mas o novo filme inspirado na vida e obra do maior nome da Apple realmente parece como uma dessas reinvenções que a gente está acostumado a ver com franquias de filmes, de jogos e até com revistas em quadrinhos. Se, até então, tínhamos uma figura de um Jobs como alguém inspirado e que veio ao mundo para no presentear com inovações e novidades que mudariam a sociedade, o longa que chega aos cinemas nesta quinta-feira (14) traz uma visão um pouco diferente e mais próxima daquela que, segundo muitos, é a mais próxima da realidade.

Aaron Sorkin é um roteirista especialista em fazer protagonistas babacas, ainda mais quando eles estão relacionados ao mundinho da tecnologia. Em A Rede Social, ele já tinha feito um Mark Zuckerberg de quem você não queria ser amigo e, desta vez, ele nos apresenta um Steve Jobs que beira o desprezível.

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Cheio de manias e com um complexo de grandeza, ele não permite que o contrariem e ainda faz questão de destruir qualquer pessoa que cruzar seu caminho para provar que, no fundo ele estava certo. E as situações são construídas de modo a mostrar que, de fato, ninguém suportava ficar perto dele.

Mais do que isso, o filme desconstrói a figura mítica criada em torno de Jobs desde antes da sua morte também no campo profissional. Situado em três momentos da sua vida, a produção Jobs se passa inteiramente nos momentos que antecedem os anúncios do Macintosh (1984), o NeXTcube (1988) e o iMac (1998), e vemos os fracassos que ele coleciona tanto com as pessoas à sua volta quanto em suas tentativas de lançar um produto revolucionário. E, para toda uma geração que o viu como sinônimo de genialidade, toda essa humanização — até que exagerada — pode ser um banho de água fria.

Porem, ao mesmo tempo em que essa tentativa de apresentar esse lado mais “terreno” de seu protagonista seja o grande atrativo de Steve Jobs, ele é também o seu maior problema. Isso porque, apesar de sua boa proposta, ele é um filme chato. Puro e simplesmente chato. Ele tem seus bons momentos, é claro, sobretudo baseado nos ótimos diálogos e nas atuações de Kate Winslet e do próprio Michael Fassbender, mas não há como negar que não há ali uma história digna de ocupar 2 horas de uma sala de cinema.

Para os fãs bitolados da Apple talvez até tenha, mas não para o público geral. E o resultado disso é um filme que força a barra em vários momentos para criar um conflito onde simplesmente não existe. É por isso que ele precisa se apoiar em muletas narrativas como o salto temporal, o que torna a evolução dos personagens algo bastante rasa e pouco interessante.

steve jobs

Você percebe os momentos em que Jobs se torna uma pessoa melhor, sobretudo quando se aproxima da sua filha, mas é algo tão jogado e misturado às tretas profissionais — que são bem mais atrativas —, que você simplesmente não dá a mínima para o drama que é construído em volta.

Steve Jobs pode ser o melhor filme inspirado no ex-CEO da Apple, mas ainda não empolga. Mesmo com um roteirista oscarizado, ele parece estar a todo o momento tentando fazer com que algo aconteça para que a trama prossiga e você fica mais curioso em saber qual o malabarismo vai ser feito para que as coisas aconteçam do que realmente para acompanhar o desdobramento dos dramas que se desenrolam na telona. E, provando que a ideia é mesmo desmistificar a figura de Jobs, o longa prova que nem tudo o que ele toca vira ouro — incluindo sua biografia.

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