Review: Sonic 2

O primeiro filme do Sonic tinha tudo para dar errado. Desde as primeira imagens, até aquela versão TENEBROSA do ouriço, que recebeu tanto esculacho que acabou sendo reformulado, tudo ali parecia capenga. Só que ao chegar aos cinemas, Sonic – O Filme se mostrou uma adaptação bastante honesta e que acertou em cheio no tom e no que tava tentando ser: um filme para crianças, mas que atrairia adultos fãs dos games. Em Sonic 2, os envolvidos resolveram apostar ainda mais no que funcionou no primeiro filme, melhoraram algumas coisas que ficaram meia boca e abraçaram mais o lore do jogo pra entregar uma adaptação ainda mais divertida.

Introducing Miles “Tails” Prower

Um belo jeito de me fazer sorrir tal qual um imbecil ao assistir o primeiro filme foi colocar o Tails na cena pós-créditos. Sonic 2 foi o meu primeiro jogo de Mega Drive e primeira exposição ao personagem, e a ideia de ver os dois personagens juntos me animou bastante. No filme, a dinâmica entre os dois funciona demais, como se eles fossem duas crianças deslocadas no mundo que finalmente encontraram um amigo um no outro. Por conta disso, o filme mostra esse relacionamento dos dois de maneira bastante inocente, podendo tranquilamente trocar os dois bichos falantes por duas crianças num filme bonitinho de Sessão da Tarde. E essa é a grande graça.

Até mesmo os personagens humanos, apesar de deixarem tudo ainda mais infantil pelo jeito que atuam e seus papeis, conseguem se encaixar aqui, até por não serem tanto o foco, que agora ficou no Sonic e seus companheiros.

Knuckles e Robotinik

A introdução de Knuckles ao filme também funciona muito bem, já que todo mundo sabe que eventualmente todo mundo vai se juntar pra lutar contra o Dr Robotinik, mais uma vez interpretado por um Jim Carrey SE CURTINDO DEMAIS como vilão. Sendo uma versão mais séria, em vários momentos de maneira cômica, o personagem consegue criar uma dinâmica interessante com a vontade de ser herói do Sonic e a inocência do Tails. Vale lembrar que a versão original traz o personagem com a voz do Idris Elba, algo que eu ainda preciso assistir (a sessão era dublada e bem competente) só pela ideia gloriosa.

Como já citei, o Jim Carrey tá naquele modo “ME CURTINDO” como Robotinik e novamente é uma versão bem interessante do personagem Em entrevistas para o lançamento do filme, o ator disse que esse talvez seja o seu último papel, escolhendo se aposentar de Hollywood. Se isso realmente se concretizar, não dá pra reclamar muito que Sonic 2 foi seu último filme.

Referências pra fazer marmanjo sorrir sincero

Aqui é a parte que me pega mais. Sonic 2 é um filme legal pra crianças, dá pra se divertir com a família tranquilamente. Pra quem cresceu jogando Sonic ali na década de 90, o filme é cheio de referências que estão ali exatamente pra quem hoje está com seus 30 e tantos anos na cara. Seja ao mencionar alguma coisa, um carro específico como cama ou a capa de um manual, muita coisa tá ali pra fazer marmanjo sorrir.

Junte isso ao fato de tudo ser feito com uma sinceridade presente em muito dos jogos, e dá pra entender porque Sonic funciona tão bem, não só como filme, mas como entidade. Sim, o Mario tem jogos melhores, uma presença mais forte hoje em dia no mercado de games, mas o Sonic ainda consegue ser mais legal. Pode ser o espírito “SOU JOVEM” dele, ele claramente ser um produto da década de 90 e exalar toda aquela década até hoje, mas o bichinho azul consegue fazer marmanjo se emocionar no final de um filme com o Jim Carrey fazendo palhaçadinha de bigodão. Quero ver o Mario conseguir isso com a voz do Chris Pratt.

PS: o filme tem uma cena pós-créditos que me fez pensar “Os caras não fizeram isso. Ok, OS CARAS FORAM LÁ E FIZERAM ISSO! QUERO MAIS!”