Nos últimos anos, quando se fala de filmes baseados em quadrinhos da DC Comics, já se imagina aquela pegada dark, violenta e completamente desnecessário.

Com o lançamento de Aquaman, parece que a Warner finalmente deu uma virada, se afastando um pouco desse tom e percebendo que é possível fazer um filme que não seja tão diferente do material original que diretor chilica até hoje porque não gostaram.

Mesmo assim, Aquaman ainda era um filme dentro daquele universo meio esquisito que muita gente ainda torcia o nariz (na maioria das vezes com razão). Por isso, Shazam parece ser realmente o primeiro filme da DC longe de tudo o que tem sido feito nos últimos 6 anos, longe de diretor visionário que acha que pra ser legal, super-herói tem que matar. E isso faz bastante sentido.

SHAZAM! (L-r) JACK DYLAN GRAZER as Freddy Freeman and ZACHARY LEVI as Shazam

Shazam é um filme que basicamente brinca com os sonhos de todo moleque que curte super-heróis, de ainda na sua infância, poder se transformar em um ser poderoso e que pode salvar o mundo.

Não tem como fazer um filme desse ser sombrio, mas o grande trunfo dessa versão do personagem para o cinema é saber que você pode contar uma história cheia de coração, que faz você se importar com todos os personagens, com alguns temas adultos, como abandono e o seu lugar no mundo, e ainda parecer leve.

Em Shazam, acompanhamos Billy Batson, uma criança que se perdeu da mãe quando ainda era muito pequeno e, desde então, procura por ela, enquanto vai pulando de um lar adotivo para o outro.

Até chegar a um lar na Filadélfia, ele não consegue se apegar a ninguém pois tem a consciência de que sua família de verdade é outra.

Depois de ajudar outro órfão da sua nova casa, ele acaba sendo escolhido como o campeão e recebe o poder de Shazam. Isso você pode ver nos trailers e tudo mais, então o que tem de diferente no filme?

Shazam parece um filme de Sessão da Tarde no melhor sentido possível. Ele é engraçado, é leve, tem boas cenas de ação e Zachary Levi inspirado na versão poderosa de Billy Batson.

O filme tinha tudo pra cair pro lado bobo, mas é tão espirituoso que você fica contente que algo assim foi feito pelo mesmo estúdio que trouxe um Superman que quebra pescoço e um Batman com metralhadoras (Mulher Maravilha batendo na cara de soldados tá liberada).

Apesar de o filme ser cheio de bons momentos, um em particular me chamou atenção até mesmo pelo seu significado externo. Em uma cena, utilizada em comerciais do filme, um molequinho brinca com dois bonecos, um do Superman e outro do Batman.

Ele luta, os dois se batem ferozmente, até que, logo na frente da sua janela, o Shazam surge voando e lutando contra o vilão Dr Silvana. No mesmo momento, Superman e Batman são descartados e a criança fica fascinada ao ver o Shazam voar para salvar o dia.

Esse momento mostra que talvez esse seja o caminho para os filmes da DC. Depois de queimar feio a largada com seus dois maiores personagens, a empresa pode ter em heróis como Mulher-Maravilha, Aquaman e Shazam um meio de mostrar o verdadeiro significado dos heróis.

Talvez eles limpem o suficiente a barra para que os grandões voltem, mas se continuarmos mesmo apenas com Shazam, se depender desse primeiro filme, nós estamos muito bem de heróis da DC do jeito que está.

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