Sempre que rolam projetos em que atores resolvem parecer mais novos do que são, com a ajuda de computação gráfica, os resultados são sempre esquisitos. Seja em filmes como X-Men ou o vindouro O Irlandês, o pessoal sempre fica parecendo um boneco de cera com olhos bizarros. Projeto Gemini tem essa ferramenta como peça central para poder funcionar e, depois das suas duas horas de duração, é possível dizer que o filme passou, nem que seja por conselho de classe.

A história de Projeto Gemini é bastante manjada, com um ex-soldado/mercenário/agente/fodão vivido pelo Will Smith que já nos seus 50 anos, já não sente que vai conseguir manter a sua vida como fodão e resolve se aposentar. Ao ouvir o que não deve, o governo resolve eliminá-lo, utilizando um clone dele, porque óbvio.

Projeto Gemini

O filme então se desenvolve exatamente do jeito que você espera, com o Will Smith fugindo, ao lado de uma agente (Mary Elizabeth Winstead) que estava vigiando sua aposentadoria, tentando resolver a parada e entender todo o lance de clonagem. Nada vai ser realmente impressionante, Will Smith é o Will Smith, Mary Elizabeth Winstead me faria assistir qualquer coisa sorrindo, mas é o tipo de filme que dificilmente se tornará o favorito de alguém.

Existem dois motivos (além da MEW <3) para assistir o filme e um deles não estará acessível a todo mundo.

O trabalho para deixar o Will Smith com 20 anos novamente é impressionante em 90% das cenas em que essa versão dele aparece na tela. Em alguns momentos, você consegue notar alguns pontos que gritam “É COMPUTADOR ESSA PORRA”, mas em boa parte do filme, o negócio funciona muito bem, provavelmente por causa do segundo motivo pelo qual Projeto Gemini é interessante.

O filme será exibido em algumas salas em 3D HRF, com uma taxa mais alta de frames por segundo, em vez dos habituais 24 do cinema. Rodando tudo a 60 FPS, as coisas ficam meio com aquele ar meio de “novela/documentário”, mas funciona muito bem nas cenas de ação.

Pela primeira vez em sei lá quanto tempo, algumas cenas me fizeram pensar que valeu a pena assistir tudo em 3D, algo que é raro porque eu odeio filme 3D. Segundo a Paramout Pictures, cerca de 430 salas em todo o Brasil exibirão o filme nesse 3D+, o que é interessante, mas muita gente vai ficar sem ver como o Ang Lee queria que o povo assistisse o longa.

Levando isso em consideração, assistir Projeto Gemini no cinema se torna interessante se for nessas salas, mas talvez o valor elevado dos ingressos 3D faça muita gente pensar que assistir em casa quando ele sair em home video seja mais legal e, provavelmente, essa seja a melhor pedida.

A melhor forma de definir Projeto Gemini é que ele não é ruim, nem bom. Ele simplesmente te segura por umas 2 horas e depois você esquece quase tudo sobre ele. O pessoal envolvido merecia um pouco mais.

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