Review: Planeta dos Macacos — O Confronto

Durante muitos anos, eu achava Planeta dos Macacos um saco. Eu sabia da história, conhecia a importância da série, mas nhé. Com a minha mente ainda pueril, assisti aquela versão RIDÍCULA dirigida pelo Tim Burton e as coisas não melhoraram.

Recentemente, embalado pelo lançamento de Planeta dos Macacos – A Origem, resolvi reassistir o primeiro filme e consegui ver todo o seu valor e qualidade. Com Planeta dos Macacos — O Confronto, eu posso falar que eu era um tolo por não gostar desse negócio.

A civilização símia é uma realidade

Nos primeiros momentos do filme, é mostrado os acontecimentos que sucederam o primeiro filme, com a chamada “gripe símia” dizimando parte da população mundial, guerras civis que acabaram por diminuir ainda mais o número de pessoas no planeta, mostrando que os macacos não foram os grandes responsáveis pela quase extinção da raça humana.

Com isso em mente, nós somos apresentados aos símios, mais de dez anos após nos despedirmos de César. Em uma cena de caçada, envolvendo o líder dos macacos, seu segundo em comando, Koba, e seu filho, é possível notar a dinâmica entre os personagens e como eles reagem um ao outro. Em UMA CENA com macacos sem falar direito.

Planeta dos Macacos

Somente nesse início, vemos como os macacos que estavam na ponte em São Francisco sobreviveram durante todos esses anos, desenvolvendo uma civilização, ainda que primitiva. Nessas poucas cenas apenas com os símios, você cria certa simpatia pelos personagens, vendo que cada um que é apresentado mostra uma personalidade própria. Só que nem tudo é maravilhas e os humanos chegam.

Uma contagem regressiva para o desastre

A introdução do núcleo humano ao filme começa uma corrida pra ver qual lado vai ser o responsável real pela total desgraça que todos sabem que vai acontecer.

Essa introdução acontece por uma reação irracional, instintiva dentro daquele universo e situação, mas que é o pontapé inicial para que os conflitos entre as espécies e internamente entre seus membros aconteçam.

A desconfiança de Koba em relação aos humanos poderia ser considerada irritante, mas ao considerarmos o histórico de abuso do símio na mão de cientistas, a sua reação e algumas de suas atitudes são compreensíveis. Como em dado momento César fala, ele apenas conhece a parte do ódio vindo dos humanos.

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Entre os homens, está Malcolm, interpretado pelo ator Jason Clarke. A sua missão para estar dentro do território dos macacos é alcançar uma represa que pode ser reativada, proporcionando energia para os sobreviventes que estão refugiados em São Francisco.

Por notar que César não é um macaco comum (tipo, ELE FALA), Malcolm tenta argumentar com o símio, explicando o que precisa fazer e a necessidade disso. Quando César nota que o humano tem uma família para cuidar, e tendo experiência com o lado bom da humanidade, ele permite a passagem de um pequeno grupo. Isso acaba por causar uma ruptura entre César e Koba, que acreditar que a decisão foi errada e que os humanos os trairão.

Isso acaba por criar uma sensação de que toda a situação é uma imensa bomba relógio, sem que você saiba exatamente quanto tempo ainda resta para explodir.

Macacos cheios de vida. Humanos que apenas estão ali

Apesar de você olhar e notar que está observando um macaco criado com computação gráfica, é impressionante a atuação dos responsáveis pelas expressões e movimentos dos macacos. A cada filme em que participa e não mostra a cara, o Andy Serkis mostra que deveriam incluir o sujeito pra ganhar nem que seja um Oscar de “OLHA O QUE ESSE MALUCO CONSEGUE FAZER COM UNS PONTINHOS NA CARA E UM COLLANT RIDÍCULO”.

É impressionante o quanto você acredita na atuação dele como César a ponto de notar que existe um limite em que os responsáveis pelos efeitos especiais chegaram e o resto é só ele. E não é pouco.

A maneira como os personagens e a trama do lado dos macacos também parece mais rica e envolvente, sempre mostrando o princípio básico de uma história de ação e reação. Uma coisa acontece por causa de algo, que é resposta de outra. Dessa maneira, a parte símia do filme se torna interessante.

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Em compensação, os humanos, que contam com uma história similar a dos macacos, acabam sendo apenas peças. Por mais exista uma tentativa de dar certa profundidade aos personagens, todas as suas ações fogem do esquema “ação e reação” para simplesmente se tornarem uma sequência de acontecimentos.

Por causa disso, toda vez que o filme tira o foco dos símios e o coloca nos humanos, parece que a história puxa o freio de mão. Não chega a ser algo que denigre o longa, mas por um dos lados ser tão bem desenvolvido, o outro acaba se mostrando falho e deixa uma sensação do que aquilo que já é bom poderia ser ainda melhor.

Apes will conquer

Ao final do filme, é possível dizer que o diretor Matt Reeves, assim como o seu elenco, realizou um trabalho bem competente com Planeta dos Macacos — O Confronto. Apesar de não ser perfeito, o filme consegue ser uma ótima ficção, seja você fã da série ou não.

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