Pixels, em teoria, é uma baita ideia legal. Uma invasão alienígena que se passa por videogames antigos tem um potencial para uma aventura divertida, engraçada e emocionante. Infelizmente, existe um fator que acaba azedando a coisa toda: Adam Sandler.

INSERT COIN

Pixels é baseado em um curta metragem mais sério, mas acaba enveredando para uma história que começa no início da década de 80. Ali, conhecemos os amigos Brenner e Cooper. Os dois estão animados com a abertura de um fliperama na vizinhança, tudo ao som de uma trilha sonora da época. No lugar, Brenner se mostra UM MONSTRO do fliperama, batendo recordes e o escambau por conseguir decorar o padrão de movimentação dos pixels na tela. Embalado com essa aptidão, eles se inscrevem em um torneio mundial de fliperama.

Brenner chega à final, mas perde para Eddie, um anão marrento e que manja de Donkey Kong. O tempo passa e o jovem não conseguiu fazer nada da sua vida, se transformando no Adam Sandler. Não fosse a conta bancária do sujeito, eu também ficaria bolado.

pixels960

O jovem Cooper se transformou no PRESIDENTE DOS EUA, mesmo sendo uma anta (o que não é impossível por aqueles lados, vide o Bush), e Brenner um tiozinho que instala TV na casa dos outros.

É então que uma raça alienígena aparece na Terra destruindo tudo e na forma do jogo Galaga. Por que isso acontece? Porque a NASA enviou ao espaço uma cápsula com coisas da Terra para, caso alguma raça alienígena encontrasse, pudesse saber que existe vida aqui. No meio, foram os jogos que fizeram parte do campeonato que os jovens Brenner e Cooper participaram. Quando os ETs viram aquilo, encararam como um desafio pra saber quem ficaria com o planeta alheio.

É então que os nerds que manjavam dos jogos acabam no papel de heróis, sendo os únicos a ter conhecimento de como derrotar os alienígenas.

Veja bem, a ideia “ETs viram videogames, acharam que era verdade, assumiram a forma do PAC MAN e invadiram a Terra” tem muito potencial, e até esse jeito de abordar a história, com uma pegada mais infantil/comédia, poderia funcionar muito bem, mas repito que existe um problema ali. E esse problema se chama Adam Sandler.

PRESS P1

Todo o elenco de Pixels poderia funcionar muito bem nos seus papeis. Uns até funcionam melhor do que o esperado (Peter Dinklage). Só que quando tá tudo legal, aparece o Adam Sandler na tela.

Eu não tinha um problema com o Sandler. Eu ainda gosto PRA CACETE de Afinado no Amor e Happy Gimore. Só que o cara tá há alguns anos no embalo “Tô aqui pra faturar a minha grana da Sony e tirar uma ondinha”.

Não tem UMA cena que você vê o cara se esforçar. Ele parece que chegou com a roupa de casa, olhou o roteiro e falou “Opa, beleza” e foi fazer a cena. E ninguém teve peito de falar “Amigão, faz de novo que não ficou bom”, porque Pixels acabou deixando de ser uma baita ideia legal para se transformar em mais um filme do Adam Sandler.

Sim, é um Q*bert ali

Sim, é um Q*bert ali

Você vê ali um dos amigos do cara (Kevin James como o presidente Cooper), e por mais que tudo pareça legal, ainda traz aquele humor já manjado dos longas anteriores do cara. Basicamente, ao final de Pixels, eu fiquei pensando “Se fosse qualquer outro ator no papel do Brenner, esse negócio seria muito melhor”.

Sério, o Sandler consegue sugar toda a vida das cenas em que aparece (quase todas). Existem vários momentos em que ele nem precisava estar aparecendo na tela, mas lá estava o sujeito, com uma cara de bunda e parecendo estar contando os segundos pra ir pra casa.

Isso mata a graça do filme, que tem vários momentos que deveriam brilhar muito mais, como as sequências do Pac Man ou quando vários personagens dos videogames aparecem por todos os lados.

GAME OVER ou “Fiquei chateado”

Sério, Pixels é um filme que eu queria gostar pelo conceito, mas não deu. Ele tem tanta coisa legal soterrada em tanta bobeira de filme do Adam Sandler que fiquei ainda mais bolado ao saber que era um longa do Chris Columbus, o diretor de Esqueceram de Mim, dos dois primeiros Harry Potter e roteirista dos Goonies. O MALUCO ESCREVEU GOONIES E HOJE TÁ FAZENDO FILME DO ADAM SANDLER!

Eu realmente fiquei chateado com esse filme. Porra, Adam Sandler, que vacilo!

Sem mais artigos