A ideia de um novo filme de Predador é tão boa, no papel, quanto a de um novo filme de Alien. Já vimos que no cinema, os dois monstros não prestam juntos, mas separados existe uma boa vontade do público em relação a eles. Alien perdeu bastante dessa boa vontade com Prometheus e Alien: Covenant, mas Predador parecia ainda ter um pouco, provavelmente por não ter sido tão explorado quanto o xenomorfo.

Depois de um primeiro filme que é um dos exemplos do cinema brucutu dos anos 80, com um Schwarzenegger no auge, e uma sequência com DANNY GLOVER, Predador parecia mais relegado a participações em filmes ruins com o Alien. Fizeram aquele filme com o Pianista, mas ninguém lembra e nesse momento, acredito se tratar de algum delírio coletivo e ele de fato não aconteceu.

É esse o cenário em que estamos com a chegada de O Predador, dirigido por Shane Black, o criador de Máquina Mortífera e diretor de filmes realmente legais, como Beijos e Tiros e Dois Caras Legais. O elenco parecia variado o suficiente pra um filme desses e ele mostrava certo potencial de ser realmente divertido. Aí que depois de duas horas de duração, eu não sei dizer se Predador é um filme divertido ou muito burro. Talvez os dois (provavelmente só burro mesmo).

O Predador começa jogando na cara do espectador o bichão e ação em menos de dois minutos, porque ficar escondendo o alienígena nessa altura do campeonato é coisa de dodói. A nave do bicho está para cair na Terra e seus destroços acabam por atrapalhar a missão de McKenna, um sniper que é todo “olha como eu sou fodão”, que acaba por pegar a máscara e uma espécie de bracelete que encontra na nave destruída e sobrevive a um encontro com o Predador.

Qualquer pessoa normal deixaria aquilo tudo pro governo e foda-se essa merda, mas McKenna não é uma pessoa normal. Ele é um imbecil e manda tudo SEM QUALQUER CUIDADO por correio para a casa da sua ex-mulher. Lá, seu filho autista (eu não tô falando isso por ser insensível. Eles falam isso no filme, algumas vezes de maneira ofensiva e que é tão absurda que você até ri) consegue milagrosamente entender um alfabeto alienígena e acaba trazendo um Caçador de Predadores para a Terra. Esse caçador é basicamente um predador mais bombado e alto. Pois é.

Depois disso, McKenna acaba por encontrar um grupo de personagens que a cada apresentação, você já fica imaginando de que maneira o Predador vai matar eles, e uma cientista vivida pela Olivia Munn, que Deus a abençoe, parece ser a única pessoa no filme que tá tentando fazer dele algo especial, mas uma andorinha só não faz verão.

O roteiro de O Predador é bem ruim. Parece prepotente falar isso, sendo que eu só tô escrevendo aqui e o Shane Black escreveu Máquina Mortífera e o escambau, mas é ruim sim. O começo do filme é recheado de piadas que ninguém ri, seguido de situações que você começa a questionar a carreira de todos os envolvidos nesse negócio por terem visto aquilo e pensado “Isso aqui vai ser daora”. Nem no papel aquilo devia estar bom.

A melhor maneira de definir O Predador é que ele começa MUITO ruim, fica mais ou menos divertido no meio, principalmente pela interação entre os personagens claramente descartáveis, aí tem um clímax agitado, mas previsível (e em algumas cenas, ridículo), apenas para ter um final querendo dar deixa pra uma sequência que eu quase espero que seja feita porque é uma ideia TÃO ridícula que já tô fascinado com ela.

Predador é um filme burro. Se você gostar dele, não significa que você também seja, mas ele é um filme burro e isso não tem muito como ser questionado. É até impressionante como um filme desse tamanho pudesse ser feito porque não dá pra saber se ele foi feito assim de propósito, como uma espécie de homenagem aos filmes de ação dos anos 80 e primeira metade dos anos 90, em que o roteiro poderia ser uma colcha de retalhos que tava ali só pra rolarem umas cenas de ação ridícula.

Em momento algum dá pra saber se é tudo sério ou galhofa. Tem piadinha que funciona porque parece improvisada, mas outras são tão erradas (e não em um sentido politicamente incorreto. Essas existem e algumas até funcionam, mas outras é só um “Meu Deus, cara”) que eu fiquei fascinado.

Sério, eu ainda não consigo dizer se gostei do filme ou se só fiquei impressionado com a cretinice que ele traz, mas eu não senti o tempo passar enquanto assistia, então yay?

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