Review: O Peso do Talento

Nicolas Cage é um bom ator. Por mais que anos de produções altamente questionáveis tenha maculado a visão que o público tem dele, no fundo, o que ele precisa é de um bom roteiro. Nem que ele precise ser absurdo e tirar sarro do próprio Nicolas Cage, como é o caso de O Peso do Talento.

Depois de atuar no realmente bom Pig e no maravilhoso Mandy, Nicolas Cage voltou ao seu modo “vou fazer qualquer filme pra ganhar meu dinheiro e comprar minhas besteiras”, o que reforçou a figura de meme que ele se tornou nos últimos 20 anos. Em O Peso do Talento, ele interpreta Nicolas Cage, numa versão caricata, mas ao mesmo tempo mais próxima do que podemos imaginar da realidade.

Um ator que só tá interessado em atuar

O Peso do Talento mostra Nicolas Cage tentando seguir com a sua carreira. Enquanto ele aceita praticamente qualquer papel para poder pagar suas contas, ainda acredita no seu talento e no que pode fazer na produção certa. O problema é que há tempos ele não é visto dessa maneira pelo público e produtores de Hollywood.

Com a falta de novos papeis que realmente o agradem, aliado com o fato que nem consegue ter um relacionamento decente com a sua filha adolescente, ele resolve se aposentar. Só que como ainda tem dívidas porque resolve gastar como se a vida dependesse disso, aceita um último trabalho, como convidado no aniversário de um milionário fã seu.

Isso não parece muito com uma comédia, mas o filme pega bem aquela coisa do meme que o Cage se tornou e o próprio abraça a galhofa e mostra os exageros que comete nos seus filmes. E isso só é potencializado quando vai até o encontro do tal milionário.

Um chefe de cartel que só quer amar o cinema

O milionário em questão, interpretado pelo Pedro Pascal, é na real o chefe de um cartel que sequestrou a filha de um presidente, o que acaba levando agentes americanos a transformarem o Cage em um espião para tentar resgatá-la. Tá aí o plot do filme, que consegue fugir de ser absolutamente manjado, mas tudo se sustenta no fato de o Cage abraçar o meme que se tornou e o jeito canastrão do Pascal como o chefe do cartel.

A amizade dos dois é crível o suficiente para que várias das piadinhas infames que surgem durante o filme funcionem e você não pense que tá perdendo o tempo ali.

O Peso do Talento não tenta ser algo que vai revolucionar o cinema, nem mesmo ter esse efeito na própria carreira do Nicolas Cage, mas mostra mais uma vez que o ator tem muito mais a oferecer do que uns gritos meio esquisitos, umas caras cheias de loucura e um jeito todo seu de pronunciar palavras.

No fim, O Peso do Talento é aquele filme Sessão da Tarde que você assiste dando umas risadas (umas bem dadas, diga-se de passagem), mas que logo você deixa para lá e só lembra que o Nicolas Cage parece ser um cara legal por ter feito tudo isso.