Review: No Limite do Amanhã

A ideia de viagens no tempo e pessoas presas em um período específico não é nova, vide o filme Feitiço do Tempo, em que um jornalista não sai do dia da marmota, ficando centenas de anos fazendo sempre as mesmas coisas. No Limite do Amanhã pega esse conceito, muda a marmota por alienígenas e uma guerra, troca o Bill Murray pelo Tom Cruise e soca a porrada de todas as maneiras possíveis.

Adaptado de um livro/mangá, No Limite do Amanhã conta a história da invasão de uma raça alienígena que praticamente dominou a Europa. Exércitos tentam retomar o território, mas sempre acabam sofrendo perdas incríveis.

Um dia, graças à uma vitória alcançada por causa da soldado Rita Vrataski (interpretada por Emily Blunt), os humanos acreditam que podem dar a volta por cima na guerra. Utilizando a imagem da soldado, que utiliza aquele exoesqueleto boladão que você vê nos trailers, o Major William Cage, um publicitário que perdeu sua agência e foi para o exército como “relações públicas”, consegue aumentar o número de soldados para um possível ataque final contra os alienígenas. Só que, então, merda acontece.

Tom Cruise: de baixinho covarde até baixinho com memória sensacional

O Major Cage é apresentado como um covarde, um cara que nunca entrou no campo de batalha e se vê obrigado a fazer isso. Obviamente, ele toma na cabeça e descobre que o tal dia da virada na batalha é um grande massacre, onde ele próprio morre. Só que algo acontece e ele retorna para o dia anterior, como se tudo aquilo fosse um sonho.

Ele repete as ações e, novamente, morre e retorna. Sabe quando você jogava Contra, usava o Konami Code e ficava faceiro por ter trocentas vidas para usar? No Limite do Amanhã é isso, só que com exoesqueletos e o Tom Cruise.

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Uma coisa muito legal do filme é que ele consegue fazer com que você acredite que o Tom Cruise é um zero a esquerda, mesmo sabendo que ele vai se transformar em um fodão mais pra frente. A maneira como ele se move, como ele atua é convincente nessa mudança, provando que por mais insano que ele seja na sua vida particular, o Tom Cruise ainda tem o necessário pra ser um astro de Hollywood como poucos conseguem ser.

Uma personagem feminina que não tá ali só pra ser bonita

Uma coisa que incomoda um pouco em filmes de ação é que, na sua maioria, quando surge uma mulher bonita, ela está ali somente pro personagem principal ter alguém pra dar aquele pega gostoso em um momento nada a ver, e ter que salvar a dita cuja mais pra frente.

Em No Limite do Amanhã, a personagem feminina, interpretada pela Emily Blunt, não é apenas um rostinho (muito) bonito, mas uma combatente muito mais experiente e competente que o Major Cage. Apesar da evolução do cara como soldado, graças ao tempo absurdo que ele passa repetindo o mesmo dia, ela é uma personagem mais forte que normalmente vemos nesse tipo de filme.

Emily Blunt

O foco ainda é no Tom Cruise, ainda rola aquela tensãozinha entre os dois, mas a Rita Vrataski, personagem da Emily Blunt, consegue movimentar a trama tanto quanto o major.

Mas vale a pena assistir?

Se você gosta de um filme com ação, ficção, um pouco de humor e que consegue ser divertido e envolvente dentro do que se propõe, construindo um universo interessante no processo, No Limite do Amanhã vale a assistida. Não é um longa que vai mudar a sua vida ou ser considerado um filme clássico, mas é inegável que ele traz qualidades que muitas produções por aí não conseguem alcançar.

No Limite do Amanhã

Mesmo assim, ele traz um ou outro furo na sua história, mas nada que chegue perto de arruinar a sua experiência. Fora que é um filme do Tom Cruise e, como eu já disse, apesar de ele parecer ser louco, os filmes dele dificilmente são ruins. Dá pra ver sem medo de ser feliz.

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