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Review — Mistaken for Strangers

Review — Mistaken for Strangers

Embora pouco conhecida por aqui (embora já tenha participado do finado Tim Festival), o The National pode ser considerado como uma das grandes bandas independentes dos Estados Unidos. Com seis álbuns de estúdio no currículo, o grupo já se tornou figura carimbada em programas como o talk show de David Letterman e teve uma de suas músicas (“Fake Empire”) como tema da campanha da primeira eleição presidencial de Barack Obama.

Diante desse contexto, Mistaken for Strangers tinha tudo para ser o típico “documentário sobre banda”, contando a trajetória ao sucesso, as loucuras da estrada e os detalhes sórdidos que todos os fãs querem saber. Felizmente, esse não é o caso do filme, graças a um elemento essência: seu diretor, Tom Berninger.

Uma curiosidade sobre o The National é o fato de ela ser considerada uma “banda de irmãos”: Aaron Dessner e Bryce Dessner, Scott Devendorf e Bryan Devendorff. A exceção é o vocalista Matt Berninger que, como é explicado no começo do documentário, possui um irmão oito anos mais novo e que é “uma espécie de metaleiro”, o que impossibilitaria sua presença na banda.

História pessoal

As gravações de Mistaken for Stranger têm início no momento em que Tom é convidado por Matt para atuar como um dos roadies da turnê de promoção do álbum High Violet. Sem o consentimento de seu irmão (e, aparentemente, do gerente de turnê e do responsável pela imagem da banda), ele aproveita a situação para começar a gravar cenas de bastidores e alguns shows.

Graças à situação inusitada como o documentário se origina (e pelo fato de Tom ser extremamente inconveniente), logo o filme toma um rumo totalmente diferente do esperado. Além de o diretor aparentemente não ter qualquer roteiro a seguir (o que fica claro em várias cenas), ele simplesmente aproveita de sua situação de parentesco para gravar cenas sem permissão, o que colabora para aumentar o senso de realidade do projeto.

De certa maneira, Mistaken For Stranger em certo ponto deixa de ser sobre o The National e passa a ser uma história sobre seu próprio diretor e da maneira como ele se relaciona com sua própria falta de sucesso — exacerbada pelo reconhecimento obtido por seu irmão, Matt. Isso fica evidente tanto pelas cenas constrangedoras em que ele aparece chorando quanto pelos momentos em que, de maneira típica a um irmão invejoso, o diretor questiona os próprios pais sobre quem eles consideravam mais talentoso durante a infância.

Um documentário sobre si próprio

O filme também surpreende pelo uso generoso de momentos autorreferenciais: a partir de determinado ponto, passamos a acompanhar seu próprio processo de edição e as dúvidas que seu criador tem diante disso. Tudo isso de forma bastante crua e até um pouco constrangedora em alguns casos — muito disso devido ao fato de Tom não cortar as cenas em que ele aparece agindo de maneira tola e insegura.

Em sua essência, o documentário se trata muito mais de uma visão crua sobre a relação entre irmãos e sobre como a insegurança pode prejudicar uma vida do que uma história relacionada ao The National como banda. Claro, ajuda o fato de que o grupo é bastante conhecido e que suas músicas tem o tom perfeito para servir de trilha sonora dessa história um tanto quanto tragicômica.

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mistaken for strangers (4)

Ao final de Mistaken For Strangers, você não vai conhecer mais sobre o The National, tampouco vai ter motivos para virar fã da banda. No entanto, esse não é o foco do filme, que sabe explorar como poucos a relação única que existe entre irmãos, mesmo quando os dois possuem personalidades e talentos tão distintos.

Felipe Gugelmin

Aqui para falar que Bird is the word.

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