Nem todo filme precisa ser uma obra de arte, que vai mexer com o seu coração e te fazer pensar na vida. Na maioria das vezes, filmes se contentam em apenas serem produtos bestas que vão prender a sua atenção e te entreter por umas duas horas. Só que existem aqueles filmes que foram feitos de um jeito que não parecem ter saído da cabeça de um humano, mas sim de um computador que marcava elementos que precisavam estar ali para fazer dinheiro. Megatubarão é exatamente esse último tipo, com uns momentos que você até pensa que vão tornar a experiência realmente válida, mas que voltam a ser apenas previsíveis.

Megatubarão é estrelado pelo Jason Statham e um elenco cheio de rostos que você pode falar “Nossa, olha essa pessoa que fez aquele filme”, mas que provavelmente vai esquecer no minuto seguinte. O Statham vive um responsável por resgates no fundo do mar que, após um caso em que perdeu companheiros em um submarino, graças a uma criatura misteriosa, acaba “se aposentando”.

Após cientistas conseguirem alcançar profundidades nunca antes exploradas, surge o tal Megatubarão, que na verdade é um megalodonte, tubarão pré-histórico que supostamente estava extinto. Merda acontece, chamam o Statham de volta, temos um filme. Um filme genérico, mas ainda um filme.

Filme feito pra conseguir agradar audiência chinesa

Desde os primeiros momentos de Megatubarão, fica claro que o filme tem um desejo e não ser um filme divertido mesmo com um tubarão gigante. Cada cena parece que o diretor e o roteirista do filme estão em um canto da tela falando “Olhem só, chineses. Olhem como isso foi feito pra vocês”. Em vários momentos, o tom “queremos agradar a audiência chinesa” chega a deixar tudo engraçado de tão óbvio que é.

Claro que o filme pode, e nesse caso até deveria, ter  um tom mais internacional e não ser tão americanizado, mas as coisas são feitas obviamente para agradar a China, que além de ter investido no filme, é um dos mercados que mais rende dinheiro para grandes produções de Hollywood. Se o filme se dá bem lá, já garante um troco bom para os estúdios e o pessoal por trás de Megatubarão sabe disso.

Óbvio que isso não seria um problema se o filme fosse de fato bom. Só que ele não é. Na verdade, ele é um filme que prende a sua atenção porque gera um desejo mórbido de saber até onde vai essa bobice. Porque Megatubarão é um filme bobo, mas não o suficiente para se tornar aquele filme bobo que aquece o coração.

Ele tem várias cenas em que você sente que é ali que vai dar uma virada e abraçar de vez a galhofa (uma em particular que coloca Statham vs Megatubarão quase me fez pensar um “AGORA VAI!”. Infelizmente não foi), mas volta a tentar se levar mais a sério do que deveria.

E esse é o maior pecado do filme. A história dele é imbecil, os diálogos em boa parte são meio vergonhosos e parece que só o Jason Statham sabe que tá num filme ridículo e tenta demonstrar isso, porque todo o resto quer se levar mais a sério do que deveria, o que impede que ele se torne algo realmente divertido. Todo o plot dele é de um filme B idiota, mas em vez de seguir por esse caminho e levar o nível do absurdo na Lua, ele ainda tenta ser “realista”, o que faz com que ele seja apenas ruim mesmo.

Se você acabar assistindo esse filme, muito provavelmente vai encarar uma sessão 3D e, devo ser sincero, que esse é um dos elementos que funciona bem no filme, com direito a dois momentos que fizeram reagir na base do reflexo pra desviar. Existe a possibilidade disso ter acontecido porque eu sou burro, mas quero dar esse crédito pro cinema.

Em resumo

Megatubarão é um filme ruim. Ele tem umas cenas que chegam perto da genialidade dos melhores piores filmes que Hollywood pode gerar, mas acaba se levando a sério demais para se tornar algo realmente divertido. Se você ficar entre ver esse filme ou, sei lá, ficar em casa pra lavar a nuca, priorize a sua higiene pessoal que vai valer mais a pena.

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