De vez em quando, Hollywood tenta a sorte com uma propriedade que não é conhecida, mas que quando chega na tela grande, se transforma em algo especial. Kingsman: Serviço Secreto é esse tipo de projeto.

Baseado na HQ de Mark Millar (eu já falo um pouco mais desse cara), o filme conta uma história de espiões em tempos atuais, subevertendo o gênero e entregando o que certamente será um dos longas mais divertidos de 2015. Sim, eu tô falando isso no começo de março e nem estou de zoeira. Afinal de contas, um filme que transforma Colin Firth em um porradeiro crível merece toda nossa atenção.

Agentes secretos para uma nova era

Kingsman: Serviço Secreto conta a história de uma agência de espiões que salva o mundo quando governos não conseguem. Quando um agente morre, surge a oportunidade de que um candidato preencha o seu lugar.

É aí que conhecemos Eggsy, um jovem que perdeu o pai quando criança e agora é um meliante safado. Quando ele é preso, pede ajuda para um antigo amigo do pai. Aí ele acaba descobrindo que o pai na verdade foi um candidato a agente que morreu salvando a vida de Harry Hart, vivido pelo Colin Firth.

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2+2, o moleque acaba se tornando candidato para a vaga de Kingsman. Ao mesmo tempo, uma trama mirabolante, orquestrada por um vilão absurdo (Samuel L. Jackson de língua presa) e pronto, temos um filme divertido de espiões.

A história é contada de uma maneira tão ágil que você não sente o tempo passar. Todas as cenas acabam sendo costuradas de uma maneira que você simplesmente é puxado para dentro do filme.

A mistura de ação, comédia e uma história absurda, porém plausível, faz com que você se lembre da época em que filmes de espião podiam ser divertidos. Hoje em dia, temos os Jack Bauers, Jason Bournes e até mesmos os James Bonds sérios, sombrios, enquanto o 007 da época dourada do Roger Moore era tão ridículo que dava uma volta e se tornava algo incrível.

Kingsman vai direto nessa fonte, trazendo o lado divertido e absurdo dos espiões de volta ao cinema.

Colin Firth: a professional, a gentleman and a badass

Muita gente fala sobre Samuel L. Jackson, talvez sobre Taron Egerton, o astro do filme, quem sabe até sobre a Sophie Cookson, que faz a Roxy e é uma cocotinha sensacional que é BEM legal no filme. Só que o MVP de Kingsman é com certeza o Colin Firth.

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A ideia do ator inglês como um agente secreto que DÁ PORRADA DEMAIS parece absurda, mas ela casa tão bem e é apresentada de uma maneira tão legal que tudo faz sentido. Em poucos minutos, você não só acredita nele como um cara que pode te arrebentar na porrada, como você acredita que o cara é uma máquina de matar.

Nos momentos em que precisa mostrar toda a classe inglesa, o ator é perfeito. Seu Galahad (os agentes têm codinomes baseados nos cavaleiros da Távola Redonda) é um exemplo de elegância. Aí quando o pau precisa comer, a elegância continua, mas aliada com uma violência incrível.

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Um belíssimo exemplo disso é a cena da igreja. Quanto menos você souber dela, melhor, mas saiba que se Vingadores 2 ficar com a maior cena de ação do ano, Kingsman provavelmente vai estar cafungando no cangote dos heróis da Marvel só por causa desse pedaço do filme.

Aprendendo a perdoar o Mark Millar graças ao Matthew Vaughn

Ok, agora vem o momento em que eu demonstro todo o meu ódio para com o Mark Millar. O Millar é um cara que tem ideias muito boas, mas elas são executadas nos quadrinhos com resultados dignos de um neurocirurgião com um avançado caso de Mal de Parkinson.

Tudo, na teoria, é legal, mas quando o negócio vai sendo desenvolvido, tem um momento em que as coisas se perdem. Isso acontece, principalmente, em histórias independentes que ele escreve. É só ver que em histórias como o arco Guerra Civil e Os Supremos, ele não se perde tanto porque tem alguém segurando a onda.

Quando isso não acontece, o negócio fica revoltante de ruim. O primeiro arco de Kick-Ass (que serviu de base pro filme) é um exemplo disso. Só que meu ódio pelo Millar realmente se tornou algo palpável com Nemesis.

Faça um favor a si mesmo e nunca leia essa bosta. Sério, eu terminei a leitura querendo jogar a HQ na cara do Millar e falar “VOCÊ É UMA FRAUDE”. Por esse motivo, evitei ler Kingsman, que também é de autoria do cara.

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Os trailers pareciam legais, a ideia era boa, mas eu tenho quase certeza que a HQ não é tão maneira. Só que o trabalho do diretor Matthew Vaughn, que também dirigiu o primeiro Kick-Ass e, veja só, conseguiu deixar o filme bem melhor que a HQ, me fez perdoar as possíveis cagadas do Millar nos quadrinhos.

A parceria acaba funcionando porque o cara pega a ideia boa do Millar e aí transforma em algo não bosta, algo que o autor parece não conseguir fazer.

Eventualmente, eu lerei a HQ de Kingsman. Quem sabe eu até acabe gostando. Só que grande parte disso ainda vai ser por causa desse filme. Porque esse filme é MUITO sensacional.

Sério, termine de ler isso, vá comprar um ingresso e assista isso no cinema. AGORA!

Veredito

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