Quando anunciaram Homem-Aranha: No Aranhaverso, eu vou ser sincero ao falar que não tava botando muita fé. Na ocasião, a única informação é que o filme seria estrelado por Miles Morales, o Homem-Aranha do universo Ultimate que eventualmente foi para o 616.

Eu nunca fui muito fã do Miles, apesar de achar o personagem interessante e importante, principalmente pela sua questão de representatividade. Ainda assim, Homem-Aranha na minha cabeça só tem um e é o Peter Parker.

Eis que, depois de alguns trailers, que revelaram que o filme tentaria adaptar, de alguma forma, o arco Spider-Verse, com várias versões do Homem-Aranha de outros universos se juntando contra um mal em comum, e duas horas de filme, eu posso dizer que tava errado.

Aranhaverso

Miles Morales é realmente legal e Homem-Aranha: No Aranhaverso não só é o melhor filme do Homem-Aranha como também é o melhor filme de quadrinhos lançado em 2018 (tá chegando só em 2019 no Brasil por motivos de MOCORONGUICE). Sim, na frente de Vingadores e Pantera Negra.

Encontrando sua identidade

Aranhaverso mostra o universo de Miles Morales. Nele, Peter Parker é Homem-Aranha há 10 anos e é adorado por muita gente. Até CD de Natal o cara gravou. Enquanto isso, Miles Morales, recém aceito em uma nova escola, tenta entender as mudanças da adolescência. Ao lado do seu tio, que é brigado com seu pai, ele faz grafiti em uma estação abandonada de metrô, quando é picado por uma aranha radioativa.

Depois de encontrar o Homem-Aranha e ver uma máquina que pode criar uma ponte para outros universos, operada pelo Rei do Crime, Miles acaba encontrando um novo Homem-Aranha. Este vindo de um universo em que ele já é Homem-Aranha há quase 20 anos, divorciado e fracassado. Basicamente, Peter Parker que todos gostam.

Não demora muito para que outras versões, como Spider-Gwen e Spider-Man Noir, surjam na história.

A trama é bem construída e mostra que dá pra ter vários personagens sendo desenvolvidos de um jeito decente, diversos vilões aparecendo e, nem por isso, o filme parece lotado. Na verdade, chega no final e você fica satisfeito com tudo o que aconteceu, mas querendo muito mais de tudo aquilo.

Isso porque, no centro de tudo, a jornada do Miles, com a ajuda do Peter e da Gwen, acaba fazendo todas as peças do quebra-cabeças se encaixarem. Em suas quase duas horas de duração, Aranhaverso elimina qualquer birra que eu tinha com o personagem e reforça ainda mais a ideia de que o Homem-Aranha é uma máscara que qualquer pessoa pode usar e se transformar em um herói.

Aranhaverso

Peter Parker ainda é o meu Homem-Aranha favorito e o único que eu realmente quero ver como Aranha, mas o filme me fez gostar mais da ideia do Miles como um segundo Homem-Aranha, pulando por aí, sendo atingido por drones e tudo mais.

Gibi em movimento

Eu não sou um especialista em animação para falar sobre as diferentes técnicas (incríveis) usadas em Aranhaverso, mas posso dizer que há muito tempo não via um desenho tão visualmente estimulante quanto ele.

O filme tem tanta coisa na tela que você sabe que tá perdendo coisa vendo-o apenas uma vez. Na sessão que vi, o filme foi exibido em 2D, algo que eu sempre acho maravilhoso porque 3D geralmente só tá ali pra deixar o ingresso mais caro, mas Aranhaverso foi o primeiro longa em sei lá quanto tempo que me fez pensar que deveria estar assistindo tudo em 3D, de tão impressionante visualmente ele é.

Em vários momentos, a impressão que dá, graças a alguns truques de animação, é que você está assistindo a uma história em quadrinho em movimento. Parece bastante besta falando assim, e provavelmente meio mundo já fez essa mesma observação, mas não tem como assistir sem achar isso.

VAI VER ESSE FILME DE UMA VEZ

Se você chegou aqui depois de ter assistido Aranhaverso, parabéns, você só fez boas escolhas na sua vida. Caso você ainda não tenha assistido, faça um favor a si mesmo e vai no cinema (ou dependendo de quando estiver lendo isso, aluga, sei lá).

Aranhaverso é o tipo de filme que você pode escrever dissertações enormes sobre suas qualidades, mas ainda não faz jus à experiência que ele proporciona. Vai na fé, se possível, assista legendado, e seja feliz. E espera pelas cenas depois dos créditos, porque provavelmente é a melhor de qualquer filme da Marvel.

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