Quando surgiram com a ideia de fazer um filme do Hércules estrelado pelo The Rock, era impossível falar que a coisa não tinha potencial. O fato de ele ser dirigido pelo Brett Ratner meio que deixou todo mundo com o pé atrás, mas os trailers vendiam um filme de ação e mitologia.

Hércules chega aos cinemas brasileiros após um período sem muito sucesso nos EUA e é possível dizer que ele é melhor do que o esperado, mas ainda não consegue desenvolver todo o seu potencial na tela.

O homem por trás da lenda

Hércules, filme estrelado pelo The Rock, ao contrário do que muita gente acredita, não é baseado diretamente na mitologia grega, mas sim de um quadrinho Hercules: The Thracian Wars, de Steve Moore. Nele, vemos o herói e uma grupo de mercenários atuando na Trácia, treinando o exército local para uma guerra contra um tirano.

Em todos os trailers, o filme se vende como uma aventura fantástica, com monstros mitológicos e tudo mais. Isso é uma enganação, já que vemos como as coisas realmente aconteceram. Em vez de criaturas vindas da mitologia e o Hércules provando o seu valor como filho de Zeus, vemos que ele era só um cara forte que andava com uma galera que, juntos, faziam a diferença na hora da porrada.

"Tô muto babo"
“Tô muto babo”

É uma ideia bem interessante, tentando explorar a “história real” por trás da mitologia, que nada mais era do que histórias aumentadas pelo povo. Ao mesmo tempo, isso tira um pouco da graça da coisa toda, já que elimina o tom fantástico da história, tornando o longa em apenas mais um filme de ação que se passa na antiguidade.

If you smell what the son of Zeus is cooking

Hércules poderia ser fantástico, mas se tivesse um ator meia boca no papel principal, se tornaria um lixo. Não é possível chamar o The Rock (ou Dwayne Johnson pra quem tenta ignorar o fato de ele ser o THE ROCK) de “ator de alto calibre”, mas ele funciona bem como Hércules.

Fisicamente, o cara é imponente o suficiente para você acreditar que ele é um semi-deus da mitologia. Em algumas cenas, é possível notar que ele ainda não tem o alcance de atores mais qualificados, mas você percebe que ele está tentando. O que vale mesmo é a intenção, não é mesmo?

hercules 2

Os companheiros do Hércules ajudam o filme a não ficar tanto em cima dos ombros do The Rock. Todos os personagens, desde a amazona (linda) que manja de arco e flecha até o mudo brutal (interpretado Aksel Hennie, do excelente Headhunters), passando por Rufus Sewell e do fantástico Ian McShane (do também fantástico Deadwood), todos ajudam a levar o filme pra frente. Atores como Joseph Fiennes e e John Hurt deixam o elenco ainda mais redondo.

Vamos decidir se é realista ou fantasia?

Como dito acima, Hércules mostra o lado real da mitologia e tudo bem com isso. Só que existe um problema: o Hércules ainda é forte como um touro. E não é forte tipo “vou te dar um porradão e te fazer cair”. É forte do tipo “vou tombar cavalo de guerra e jogar soldados 10 metros pra frente com um soco”.

Isso acaba por tirar um pouco do ar de “realidade” do filme. Ao mesmo tempo, em vez de abraçar a mitologia de vez, o filme fica nesse meio termo que irrita em alguns momentos, já que parece que não conseguiram se decidir em relação ao tom do longa.

hercules 3

Com uma hora e meia de duração, é possível dizer que Hércules é um filme divertido. Está longe de ser um primor do cinema ou de alcançar seu total potencial, mas consegue entreter bem o espectador. É bom ter filmes assim, que se preocupam apenas em divertir e mandar um beijo pra galera.

Leia Mais
The Interview traz James Franco e Seth Rogen tentando matar Kim Jong-un