Duas horas de Godzilla e é possível dizer que Hollywood finalmente conseguiu retratar o monstro japonês de maneira decente no cinema. Isso significa que o Godzilla dirigido por Gareth Edwards é o filme perfeito com monstros?

Será que Hollywood conseguiu equilibrar o espetáculo de um lagarto gigante que solta um bafo atômico e destruía cidades de isopor no Japão, com uma história envolvente e interessante? A primeira parte sim. A segunda, nem tanto.

Nem só de prédio de isopor sendo quebrado se faz um filme do Godzilla

O novo Godzilla começa com uma reimaginação do monstro, que deixa de ser uma mutação para ser algo antigo, pré-histórico. A maneira como isso é apresentada é interessante o suficiente para não denegrir a imagem do bichão.

Só que em vez de focar na grande estrela, o filme foca a sua atenção no “núcleo humano” da coisa toda. A família Brody mora no Japão em 1999. Joe Brody (Bryan Cranston) percebe oscilações sísmicas que podem afetar a usina nuclear onde trabalha, tenta avisar a todos, mas não é levado a sério. Isso até algo que causava as oscilações de fato acabar com o lugar e, no processo, causar a morte da esposa do Brody.

Anos depois, o sujeito acredita que o acidente não foi causado por causas naturais e que o governo esconde algo. Seu filho cresceu, virou soldado, o Kick-Ass e o Mercúrio e está voltando para casa e para sua mulher (Elizabeth Olsen sempre <3) e seu filho. Quando o pai se mete em encrenca, o filho vai ajuda-lo no Japão, merda acontece e você já deve ter noção do que acontece. Tudo isso tá nos trailers divulgados. [caption id="attachment_15312" align="aligncenter" width="1358"]<3 <3[/caption] O grande problema de Godzilla é o fato de que, apesar de um filme SÓ de porrada com monstros não conseguir se manter por muito tempo (isso só funcionaria na teoria), a cola da trama é muito fraca. Em dado momento, uma linha de história surge, envolvendo o personagem do Ken Watanabe e uma organização que estuda as criaturas, e você começa a se animar com as possibilidades que ela pode proporcionar, só pra tudo ser deixado de lado em prol de um drama de “soldado tentando voltar para a sua família”. Fora que o exército americano chegar peitando todo mundo no Japão e assumindo toda a operação é irritante demais. Heisenberg

Se o jovem Brody e a mulher tivessem personalidades mais interessantes, talvez fosse possível se importar com eles, mas a história apresenta a família de uma maneira tão por cima que você simplesmente assiste o que acontece com eles torcendo pra que surja um monstro gigante na tela de uma vez.
Agora, quando os bichos aparecem…

GRITA PRA MIM, GODZILLA!

Apesar da história tão profunda e saborosa como uma hóstia, Godzilla mostra realmente o seu valor quando os monstros aparecem. Não se engane ao pensar que o monstro japonês é visto como o vilão do filme. Aqui, ele é quase um mocinho.

O Godzilla dessa versão é praticamente uma força da natureza que está ali para equilibrar as coisas. Por isso, ele não se importa com o fato de que causou um tsunami que matou centenas de pessoas em uma ilha. Ele levantou e tem um trabalho pra fazer. DANE-SE QUEM FICA NO CAMINHO. E isso é mais legal do que parece.

Outra coisa muito interessante do novo Godzilla é a maneira como ele é apresentado. Em vez de já gastar o bicho brigando no começo, ele vai sendo apresentado aos poucos, sempre com o perigo aumentando. Quando todo mundo chega ao seu destino, o monstro, que antes era apresentado pelos olhos de humanos, é mostrado em toda a sua glória e bafo atômico em uma batalha que faz valer o ingresso da sessão 3D.

Godzilla gordo

Como as partes que aparecem os monstros realmente funcionam, todo o resto parece mais fraco ainda. Quando o foco é em soldados tentando realizar alguma missão, você simplesmente assiste e não se envolve. Quando você vê o Godzilla enfiar a cara de um bicho no lado de um prédio, você vibra feito uma criança cheia de açúcar.

Mas o filme é bom ou meh?

Se você viu os trailers e ficou imaginando um filme profundo e sensacional, com um Godzilla arrebentando tudo, provavelmente sairá meio broxado do cinema. Agora, se você espera um filme pra passar umas horas, com um casal bonito (Elizabeth Olsen, você é só amor, sua linda <3) e o Godzilla arrebentando geral, provavelmente se divertirá. Assim como Círculo de Fogo, Godzilla provavelmente não trará os “kaijus” como nova moda do cinema. Se render uma sequência, eu já fico feliz e na esperança que ele tenha uma historinha melhor. E coloquem mais bichos contra o Godzilla. Tá pouco bicho, manda mais.

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